sexta-feira, 10 de outubro de 2025

A Oração


    Com frequência os Evangelhos apresentam Jesus rezando, pois, para estritamente cumprir a vontade do Pai, assim Se colocava em perfeita Comunhão com Ele. Esse também é o grande trunfo dos Profetas e dos Santos, como veremos.
    O Pai Nosso, a principal oração da Igreja Católica Apostólica Romana, foi ensinada por Jesus aos Apóstolos justamente num momento de prece, quando eles, vendo-O rezar, lembraram que essa era uma prática de São João Batista e seus discípulos. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos.'" Lc 11,1
    A oração, portanto, além de toda mística e Graça de nossa Comunhão com Deus, é a afirmação de nossa n'Ele, que nos ouve e é Todo-Poderoso, bem como reconhecimento e agradecimento, tanto pelo que já fez como pelo que só Ele pode fazer. E assim é como um incenso que Lhe acendemos, conforme o rei Davi canta no Livro de Salmos: "Que minha oração suba até Vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para Vós sejam como a oferenda da tarde." Sl 140,2
    É assim que o Livro de Apocalipse de São João viu chegar às Mãos de Jesus, sob o olhar de quatro querubins e de vinte e quatro 'Sacerdotes', também anjos, os divinos desígnios para os tempos finais, o atestando o poder da intercessão dos Santos: "Quando recebeu o Livro, os quatro Seres e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos Santos." Ap 5,8
    De fato, tão especial é esse momento para o fiel que o Livro de Eclesiástico recomenda preparação: "Antes da oração, prepara tua alma, e não sejas como um homem que tenta a Deus." Eclo 18,23
    E segundo o Livro de Provérbios, o menosprezo à Revelação, que é a matéria das Escrituras, é do total desagrado de Deus: "Aquele que afasta o ouvido para não ouvir a Lei, até mesmo sua oração torna-se abominável." Pr 28,9
    Ele sequer aceita a pregação do hipócrita, como os sagrados autores foram inspirados: "Ao pecador, porém, Deus diz: 'Por que recitas Meus Mandamentos e tens na boca as palavras de Minha Aliança? Tu que detestas Meus ensinamentos e rejeitas Minhas palavras? Pensas que Eu sou igual a ti? Não. Eu vou repreender-te e lançar-te em rosto teus pecados.'" Sl 49,16-17.21b
    Assim, devemos estar igualmente atentos para não sermos movidos por espúrios interesses, como a Carta de São Tiago nos ensina: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões." Tg 4,3
    E a Primeira Carta de São Pedro adverte os esposos, o que vale para demais fieis, de que suas orações podem ser preteridas por Deus: "Do mesmo modo vós, ó maridos, sabiamente comportai-vos em vosso convívio com vossas mulheres, pois são de mais frágil constituição. Porquanto elas são herdeiras, com o mesmo direito que vós, da Graça que dá a vida. Tratai-as com todo respeito, para que vossas orações não fiquem sem resposta." 1 Pd 3,7
    A pureza de coração, porém, sensivelmente toca a Deus, como um dos amigos, no Livro de Jó, lhe assegurava em debate: "Se recorreres a Deus, e implorares ao Todo-Poderoso, se fores puro e reto, Ele atenderá tua oração..." Jó 8,5-6
    Já segundo o Livro de Eclesiástico, o Pai é o grande socorro dos mais necessitados: "A oração do pobre eleva-se de sua boca até os ouvidos de Deus, e Ele apressar-Se-á em fazer-lhe justiça. Não despreza a oração do órfão, nem os gemidos da viúva." Eclo 21,6;35,17
    Diz, ademais, da importância do cumprimento do Quarto dos Dez Mandamentos: "Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração." Eclo 3,6
    E que a humildade é essencial a quem crê: "A oração do humilde penetra as nuvens." Eclo 35,21a
    Davi também reconhecia a força dos que se encontram nessa condição: "Ó vós, humildes, olhai e alegrai-vos. Vós que buscais a Deus, reanime-se vosso coração porque o Senhor ouve os necessitados..." Sl 68,33-34a
    Da importância de conhecer o Evangelho, entretanto, sabemos que a decisão e o ato de rezar não teriam sucesso sem o auxílio do Espírito Santo. A Carta de São Paulo aos Romanos ensina: "... o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nem rezar como convém. Mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,25
    Assim, quando a oração realmente é em Nome de Jesus, ou seja, quando obedecemos a tudo que Ele ordenou (cf. Mt 28,20), e coletiva como requerem o Pai Nosso, a Ave Maria e o rito da Santa Missa, Jesus faz-Se especialmente presente. De passagem por Cafarnaum e falando dos membros da Santa Igreja Católica, Ele garantiu aos discípulos, no Evangelho Segundo São Mateus: "Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de Meu Pai que está nos Céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,20
    Àqueles que realmente Lhe obedecem, pois, Ele tornou a repetir após a Santa Ceia, no Evangelho Segundo São João: "E tudo que pedirdes ao Pai em Meu Nome, fá-lo-ei..." Jo 14,13
    Em perfeita consonância com esse ensinamento, e convidando-nos às comunitárias orações e ao encontro com o Santo Espírito, a Carta de São Judas expressamente recomenda: "Mas vós, caríssimos, mutuamente edificai-vos sobre o fundamento de vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo." Jd 1,20
    Com efeito, como está no Livro de Atos dos Apóstolos, é isso que a Igreja Católica faz desde os dias seguintes à Ascensão de Jesus aos Céus, sempre em companhia da Mãe Celeste: "Todos eles (os Onze Apóstolos) unanimemente perseveravam na oração, com algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14
    O próprio São Lucas já havia feito outro registro sobre esses dias que antecederam o Pentecostes, ainda em seu Evangelho: "E permaneciam no Templo, louvando e bendizendo a Deus." Lc 24,53
    E assim seguiram mesmo depois do Pentecostes, que dizer, do nascimento da Santa Igreja: "Pedro e João iam subindo ao Templo para rezar à hora nona." At 3,1
    Os Apóstolos, em especial, enquanto nossos primeiros Sacerdotes, desde a instituição dos diáconos já tinham bem presente que essa é uma inarredável missão da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Nós sem cessar atenderemos à oração e ao Ministério da Palavra." At 6,4
    São Tiago Menor ainda recomenda que oremos em intercessão uns pelos outros, mas aponta, além do poder das preces para curar, a suma importância da Confissão. E não só por ocasião do rito deste Sacramento, mas como grande ato de humildade, de quem reconhece seus erros perante os irmãos e quer combatê-los a ajuda da vigilância dos irmãos: "Confessai vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia. Elias era um pobre homem como nós, e com fervor orou para que não chovesse sobre a terra, e por três anos e seis meses não choveu. Orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra deu seu fruto." Tg 5,16-18
    Moisés também alcançou grandes feitos pela oração, como Eliacim afirmou, o sumo sacerdote, que tinha diante de Israel as ameaças de Nabucodonosor II, rei de Babilônia, e fez recordar o que aconteceu com o chefe de Edom. É registro do Livro de Judite: "Lembrai-vos de Moisés, servo do Senhor. Amalec, que confiava em sua força, em seu poder, em seu exército, em seus escudos, em seus carros e cavaleiros, foi derrotado por ele, não com a força das armas, mas com o poder da santa oração." Jt 4,13
    Também é o que vemos no Livro do Profeta Daniel, mesmo contrariando as ordens de Nabucodonosor II, que não queria que o Deus de Israel fosse cultuado em seu império. Por isso, este jovem Profeta foi denunciado: "E continuaram: 'Pois bem, Daniel, o deportado de Judá, não tem consideração nem por tua pessoa nem por teu decreto: três vezes ao dia ele faz sua oração.'" Dn 6,14
    Entretanto, para efeito das respostas de Deus às orações, com Moisés, que deixou um Salmo, devemos compreender que Seu tempo é diferente do nosso: "... porque mil anos, diante de Vós, são como o dia de ontem que já passou, como uma só vigília da noite." Sl 89,4
    Aliás, nem toda oração será ouvida por Deus, como Ele mesmo disse no Livro do Profeta Jeremias pouco antes da destruição do Templo de Jerusalém, que seria seguida pelo exílio dos israelitas em Babilônia: "Quanto a ti, não intercedas por esse povo. Não ergas em favor dele queixas ou súplicas e não insistas junto a Mim, porque não te escutarei." Jr 7,16
    Até diria mais, referindo-Se ao maior dos Profeta (cf. Dt 34,10) e a outro de suma importância: "Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de Mim, Meu coração não teria piedade desse povo." Jr 15,1
    Já a Carta de São Paulo aos Efésios recomenda todos cristãos a nossas intenções, lembra que a oração também é uma vigília e pede por progressão: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18
    E não só pelos cristãos, mas por todo ser humano, e em específico pelas autoridades, como a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo indica: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos homens, pelos reis e por todos que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma calma e tranquila vida, com toda piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,1-4
    Humilde, o Apóstolo dos Gentios pedia oração inclusive para si mesmo, pelo melhor cumprimento de sua difícil missão: "E também rezai por mim, para que me seja dado corajosamente anunciar o Mistério do Evangelho..." Ef 6,19
    E a Carta de São Paulo aos Colossenses torna a estimular à vigilância e aos cultos: "Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ações de graças." Cl 4,2
    São Pedro também exorta: "Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração." 1 Pd 4,7
    Nos mais graves momentos, de fato, Jesus apontava a vigília e a oração como nosso único remédio. Foi o que Ele pediu aos mais próximos Apóstolos, que eram São Pedro, São Tiago Maior e São João, quando estava no Horto das Oliveiras, prestes a ser preso: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação." Mt 26,41
    Segundo Nosso Salvador, essa é a única maneira de resistir às tribulações, inevitáveis neste mundo e na vida de um cristão, e assim alcançar a Salvação, como recomendou aos Doze Apóstolos durante Sua última Páscoa: "Vigiai, pois, e orai a todo tempo, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de apresentar-vos de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,36
    Resignado perante as dificuldades que se apresentavam, a Carta de São Paulo aos Filipenses demonstra absoluta convicção nas preces. Tal segurança era fruto de suas constantes práticas de fé, e resultado de edificantes experiências espirituais: "Não vos inquieteis com nada! Em todas circunstâncias, apresentai a Deus vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças." Fl 4,6
    Também está nas recomendações finais da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Orai sem cessar." 1 Ts 5,17
    Notoriamente Santo, ele perfila à verdadeira alegria a perseverança: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12
    Pois sabia que a oração, associada à Luz das Escrituras, tem o dom de tudo purificar: "Porque tudo se torna santificado pela Palavra de Deus e pela oração." 1 Tm 4,5
    Em extremos casos , porém, além da vigília, também devemos recorrer ao jejum, como o Arcanjo São Rafael ensinou a Tobit no Livro de Tobias, seu filho: "Boa coisa é a oração acompanhada de jejum..." Tb 12,8
    E como lhe disse, os anjos, especificamente nosso Anjo da Guarda, em intercessão cuidam de apresentar nossas orações ao Pai: "Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para os sepultar quando viesse a noite, eu apresentava tuas orações ao Senhor." Tb 12,12
    Foi o que São João Apóstolo viu, das revelações que recebeu de Jesus através de Seu anjo, nos rituais do Céu: "Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao Altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos incensos, para que os oferecesse com as orações de Todos os Santos no Altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos incensos subiu da mão do anjo com as orações dos Santos, diante de Deus." Ap 8,3-4
    Ou, em ainda mais graves casos, devemos penitenciar-nos recorrendo ao uso das cinzas, pó ao qual voltaremos, como Daniel fez ao suplicar Misericórdia diante do cumprimento da profecia da destruição de Jerusalém: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-Lhe uma oração de súplica, jejuando e impondo-me o cilício e a cinza." Dn 9,3


JESUS E A ORAÇÃO

    Como não poderia deixar de ser, quanto às orações Jesus também é Nosso Modelo. Além do Pai Nosso, que é absolutamente imprescindível à vida católica, Ele deixou-nos outras instruções de grande importância. Como destacado exemplo, no Sermão da Montanha pediu para que rezássemos por nossos inimigos como realmente eficaz maneira de desfazer as intrigas e a ira: "... amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem." Mt 5,44
    E deixou evidente que a oração, para ser atendida, deve ser precedida pelo total perdão que devemos oferecer a todos, O Evangelho Segundo São Marcos registrou: "E quando vos puserdes de pé para rezar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que Vosso Pai, que está nos Céus, também perdoe vossos pecados." Mc 11,25
    Aliás, como consta no Pai Nosso, pois só podemos pedir um perdão igual ao que temos oferecido: "... perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Mt 6,12
    Denunciou, ademais, o grave erro do uso das orações para simular piedade: "Quando orardes, não façais como os hipócritas que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em Verdade, digo-vos: já receberam sua recompensa." Mt 6,5
    Disse que não é por repetições desprovidas de verdadeira devoção, que nos faremos ouvidos por Deus: "Em vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de vazias palavras. Não os imiteis, porque Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais." Mt 6,7
    Até em Suas parábolas Ele menciona as orações. E nesta em que cita um religioso e um grande pecador, revelou que os arrogantes não são atendidos, mas sim os arrependidos, que confessam seus erros: "Dois homens subiram ao Templo para rezar. Um era fariseu, o outro, publicano. O fariseu, de pé, rezava em seu interior desta forma: 'Graças dou-Te, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros. Nem como o publicano que ali está. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos meus lucros.' O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!' Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." Lc 18,10-14
    Noutra, a do iníquo juiz, falou da importância de persistir nas orações: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que sempre é necessário orar, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1
    Disse, mais claramente, que a oração de valia deve ser feita com verdadeira fé: "Tudo que pedirdes com fé na oração, vós alcançareis." Mt 21,22
    E que, ao terminar, devemos portar-nos como se ela já tivesse sido atendida: "Por isso, digo-vos: tudo que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e sê-vos-á dado." Mc 11,24
    A Primeira Carta de São João disse o mesmo, mas explicou em que condição seremos atendidos: "A confiança que n'Ele (Jesus) depositamos é esta: em tudo que Lhe pedirmos, se for conforme Sua vontade, Ele atendê-nos-á. E se sabemos que Ele nos atende em tudo quanto Lhe pedirmos, daí sabemos que já recebemos o que pedimos." 1 Jo 5,14-15
    Quanto aos casos de exorcismo, que se não urgentes só devem ser conduzidos por Sacerdotes preparados, Jesus revelou que a certos maus espíritos não bastava apenas dar uma ordem. Deu-se em Cafarnaum, na casa de São Pedro: "Depois de entrar em casa, Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: 'Por que não pudemos expeli-lo?' Ele disse-lhes: 'Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração.'" Mc 9,28-29
    Em casos ainda mais complicados, Ele explicou que nem mesmo as orações seriam suficientes: "Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum." Mt 17,21
    E pouco antes de ser preso no Monte das Oliveiras, ainda no Cenáculo Jesus prometeu que os Apóstolos já poderiam começar a pedir a Deus em Seu Nome, pois só as respostas dos Céus trazem a verdadeira felicidade: "Até agora não pedistes nada em Meu nome. Pedi e recebereis, para que vossa alegria seja perfeita." Jo 16,24
    Enfim, nesta noite havia garantido a Seus representantes que atenderia todo pedido feito em favor do Reino de Deus: "E tudo que pedirdes ao Pai em Meu Nome, fá-lo-ei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que Me pedirdes em Meu Nome, fá-lo-ei." Jo 14,13-14
    E que o próprio Pai também os atenderia: "... o que pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele dá-vos-á." Jo 16,23
    Porque Deus Pai quer uma relação de amor com Seus filhos, como Jesus disse que aconteceria a partir do Domingo da Ressurreição: "Naquele dia pedireis em Meu Nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós, pois Ele mesmo vos ama..." Jo 16,26-27


JESUS REZAVA
 
    Ora, o próprio Salvador mostrava, através de Sua atitude de constante oração, qual deve ser nosso caminho. Ele rezou:
    - Durante Seu Batismo por São João Batista: "Quando todo povo ia sendo batizado, Jesus também foi. E estando Ele a rezar, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em corpórea forma, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: 'Tu és Meu amado Filho. Em Ti ponho Minha afeição.'" Lc 3,21-22
    - No dia seguinte ao discurso inaugural de Sua Missão, feito na sinagoga de Cafarnaum: "De manhã, tendo-Se levantado muito antes do amanhecer, Ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali Se pôs em oração." Mc 1,35
    - Logo que Sua fama se espalhou: "Mas Ele costumava retirar-Se a solitários lugares para rezar." Lc 5,16
    - Antes de escolher os Apóstolos: "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos... " Lc 6,12-13
    - Antes de revelar Sua divina identidade aos Apóstolos: "Num dia em que Ele estava a rezar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: 'Quem dizem que EU SOU?'" Lc 9,18
    - Quando subiu ao Monte e Se transfigurou: "Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para rezar." Lc 9,28
    - Após a multiplicação dos pães e dos peixes: "E despedido que foi o povo, retirou-Se ao monte para rezar." Mc 6,46
    - Quando agonizava no Horto das Oliveiras, sabendo que Sua flagelação e morte estavam próximas: "Adiantou-Se um pouco e, prostrando-Se com a face por terra, assim rezou: 'Meu Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Todavia não se faça o que Eu quero, mas sim o que Tu queres.'" Mt 26,39
    - Oração essa, aliás, a despeito daqueles que insensatamente criticam devotas repetições, como a recitação do Santo Rosário ou do Santo Terço, que Ele repetiu por três vezes: "Deixou-os e foi rezar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." Mt 26,44
    - Como havia ensinado a rezar pelos inimigos, mesmo agonizando na Cruz Ele ainda pediu a Deus por Seus algozes: "Pai, perdoa-lhes. Porque não sabem o que fazem." Lc 23,34
    - E antes de morrer, fez Sua última oração: "Pai, em Tuas mãos entrego Meu espírito." Lc 23,46

    A esse propósito, os seguidores da tradição de São Paulo fazem, na Carta aos Hebreus, este resumo da vida meramente humana de Jesus: "Assim Cristo também não atribuiu a Si mesmo a Glória de ser Pontífice. Esta foi-Lhe dada por Aquele que Lhe disse: 'Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei' (Sl 2,7). Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que O podia salvar da morte, e foi atendido por Sua Misericórdia. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,5.7-8
    Contudo, também devemos saber que Nosso Senhor não rezava pelo mundo, mas pela nascente Igreja, como vemos na Oração da Unidade, que dirigiu ao Pai: "Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são Teus." Jo 17,9
    São João Apóstolo também apresentou restrições: "Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, reze, e Deus dará a vida a este seu irmão se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Há pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se reze." 1 Jo 5,16


IGREJA: CASA DE ORAÇÃO 

    Como lugar para rezar, portanto, Jesus deixou-nos Sua Igreja. São Paulo diz algo que muitos esquecem: a Paixão de Nosso Senhor foi pela Igreja: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela..." Ef 5,25b
    E assim fez porque Ele a quer santa: "... para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." Ef 5,26
    Pois, outra coisa que muito dito cristão não sabe, é que não existe Cristo sem a Igreja: "Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,32
    Ora, Ele nunca deixou de cuidar dela: "Certamente, ninguém jamais aborreceu sua própria carne. Ao contrário, cada um alimenta-a e trata-a, como Cristo faz a Sua Igreja, porque somos membros de Seu Corpo." Ef 5,29-30
    Nunca a abandonou, como expressamente prometeu: "Eis que estou convosco todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,20b
    Ademais, tanto quanto pôde, toda vida de Jesus foi devotada aos lugares de oração. Seguindo fielmente a tradição dos judeus, começou sendo apresentado no Templo de Jerusalém por Sua mãe e Seu pai: "Concluídos os dias de sua purificação (de Nossa Senhora), segundo a Lei de Moisés, levaram-nO a Jerusalém para apresentá-Lo ao Senhor... " Lc 2,22
    E desde criança, junto a Seus pais, Ele devotamente e em Jerusalém guardou os dias da Páscoa: "Seus pais iam todo ano a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo Ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa." Lc 2,41-42
    Durante Sua vida pública, sempre pregava nas sinagogas, ainda antes de chamar os Doze: "Jesus percorria todas cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade." Mt 9,34
    Ele mais que atendeu a Jairo, chefe de sinagoga de Cafarnaum, que foi pedir-Lhe pela cura de sua filha, mas, enquanto isso, ela morreria, e Jesus vai ressuscitá-la: "Chegando à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu os tocadores de flauta e uma alvoroçada multidão. Tendo saído a multidão, Ele entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se." Mt 9,23.25
    Até mandou os dez leprosos, que curou, apresentarem-se ao sacerdote local: "Ao entrar numa aldeia, em Seu encontro vieram dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando: 'Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!' Jesus viu-os e disse-lhes: 'Ide, mostrai-vos ao sacerdote.' E quando eles iam andando, ficaram curados." Lc 17,12-14
    E nas Páscoas e outras festas em Jerusalém, mesmo contra toda perseguição e ameaça de morte, sempre pregava no Templo: "Todo dia ensinava no Templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-Lhe a vida." Lc 19,47
    Ora, Ele era procurado pelo povo no Templo: "Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para purificar-se. Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no Templo: 'Que vos parece? Achais que Ele não virá à festa?' No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus ia aproximando-Se. Saíram-Lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: 'Hosana! Bendito o que vem em Nome do Senhor, o Rei de Israel!'" Jo 11,55-56;12,12-13
    E no Templo ensinou ao povo em Seus últimos dias: "Durante o dia, Jesus ensinava no Templo e, à tarde, saía para passar a noite no Monte chamado das Oliveiras. E todo povo ia de manhã cedo ter com Ele, no Templo, para ouvi-Lo." Lc 21,27-28
    Ele até usou esse argumento quando foi julgado pelo Sinédrio, o conselho dos judeus: "Jesus respondeu-lhe: 'Publicamente falei ao mundo. Ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.'" Jo 18,20
    Aliás, por Seu extremo zelo pelo Templo, entrou em embate físico para o purificar, expulsando os vendilhões com um chicote (cf. Jo 2,15) e citando o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Jeremias: "Está escrito: 'Minha casa é uma Casa de Oração' (Is 56,7), mas vós dela fizestes um covil de ladrões (Jr 7,11)!" Mt 21,13
    Não por acaso, Ele tem edificado Sua própria Igreja, que é invencível, como prometeu a São Pedro quando por ele inspiradamente foi identificado como o Cristo: "Eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra Eu edificarei Minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    E para tanto, deixou-nos os Apóstolos, que em seguida ordenaram Bispos e Diáconos, e por fim, como era da tradição dos anciãos judeus, os Presbíteros. Pois são Seus Sacerdotes que intercedem por nós (cf. Hb 13,17). Na última noite entre eles, assegurou aos Onze, pois Judas Iscariotes já havia saído para O trair: "Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele conceda-vos." Jo 15,16b
    Aliás, Ele garantiu, através deles, o sucesso da Igreja, cujas obras se perpetuam pelos Sacramentos que realiza: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    Pois como sinal da perfeita Unidade da Igreja, ou seja, da Comunhão dos Santos, que é reflexo da Unidade da Santíssima Trindade e a prova do Advento e do amor de Deus, Seus Sacerdotes trazem em si a Glória que o próprio Jesus lhes deu, como rezou ao Pai na noite em que ia ser entregue: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Assim, os discípulos de São Paulo defendem a Santa Missa, e assim a Igreja, argumentando que precisamos das palavras de fé e dos testemunhos uns dos outros: "Não abandonemos nossa assembleia, como é costume de alguns, mas mutuamente admoestemo-nos..." Hb 10,25
    O próprio São Paulo diz que é na Igreja que devemos dar Glórias a Deus: "Àquele que, pela virtude que em nós opera, pode fazer infinitamente mais que tudo quanto pedimos ou entendemos, a Ele seja dada Glória na Igreja..." Ef 3,20-21
    Sem dúvida, as paróquias são lugares santificados por Deus, não são um lugar qualquer. No Livro de Êxodo, quando Moisés viu a sarça ardente sobre o Monte Sinai, também chamado de Horeb, ouviu: "E Deus disse-lhe: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias de teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa." Êx 3,5
    Por isso, na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, ele recomenda-lhe que permaneça em Comunhão com os fieis: "... com empenho busca a justiça, a fé, a caridade, a Paz, junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22b
    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reza pela religiosidade dos cristãos: "Nesta esperança, incessantemente suplicamos por vós, para que Nosso Deus vos faça dignos de vossa vocação e que eficazmente leve a bom termo todo vosso zelo pelo bem e toda atividade de vossa fé." 2 Ts 1,11
    E já havia pedido a essa comunidade, na epístola anterior, amor pelos Sacerdotes da Igreja, pois são os pilares da Paz, os apascentadores do rebanho de Cristo: "Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para vos dirigir no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do encargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,12-13
    Seus discípulos também pediam e explicavam: "Sede submissos e obedecei àqueles que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta. Assim, eles fá-lo-ão com alegria e não a gemer, o que vos seria funesto." Hb 13,17
    Porque para que nossas orações sejam atendidas, também temos que prestar culto a Deus, como afirmou o cego de nascença curado por Jesus em Jerusalém: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Quanto a qualquer postura divergente, o Eclesiástico já dizia: "Mas o culto a Deus é abominado pelo inconfesso pecador." Eclo 1,32
    Ora, até altas ordens de anjos precisam observar o que acontece na Santa Igreja Católica para entender os desígnios e as obras de Deus. São Paulo revelou aos cristãos da cidade de Éfeso, citando duas ordens: "Assim, de ora em diante, as dominações e as celestes potestades podem conhecer, por meio da Igreja, a multiforme Sabedoria de Deus..." Ef 3,10
    O próprio Jesus valeu-Se do Amado Discípulo para Se dirigir aos anjos das dioceses de Ásia. Está em Apocalipse, e mencionamos um exemplo: "Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve: 'Eis o que diz Aquele que segura as sete estrelas em Sua mão direita, Aquele que anda pelo meio dos sete candelabros de ouro.'" Ap 2,1
    E deixando claro que é o Espírito Santo que fala aos fiéis nas dioceses, por nada menos que sete vezes Nosso Senhor vai repetir: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas..." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22
    Temos, enfim, esta Sua revelação a Santa Brígida, que viveu no século XIV: "Quando Me ofereces uma oração, sempre a termina com o desejo de que se faça Minha vontade e não a tua. Quando rezas por alguém que já está condenado, não te escuto. Algumas vezes não te ouço se desejas algo que possa ir contra tua Salvação. É, por isso, necessário que submetas tua vontade à Minha, porque como Eu sei todas coisas, não te permito nada mais daquilo que te seja benéfico. Há muitos que não rezam com a correta intenção, e é por isso que não merecem ser atendidos." (Livro I, Capítulo XIV)
    E do profundo recolhimento e silêncio de Santa Faustina, que viveu no século passado, esta frase: "É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar. Tem que rezar a pura e bela alma, porque de outra forma perderia sua beleza; deve rezar a alma que está buscando essa pureza, porque de outra forma não a atingiria; deve rezar a recém-convertida alma, porque de outra forma cairia novamente; deve rezar a pecadora alma, atolada em pecados, para que possa levantar-se. E não existe uma só alma que não tenha obrigação de rezar, porque toda Graça provém da oração." (Diário, 146)
    Ela também teve esta revelação: "Uma vez, quando entrei na capela para uma adoração de cinco minutos, e estava rezando por certa alma, compreendi que nem sempre Deus aceita nossas orações por aquelas almas pelas quais rezamos, mas destina-as a outras almas e, mesmo que não proporcionemos alívio para os sofrimentos no fogo do Purgatório, de toda forma, nossas orações não se perdem." (Diário, 621)

    "Em Comunhão com toda a Igreja aqui estamos!"

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Jesus: Repouso de Nossas Almas


    Descrente que o mundo anda da vida espiritual, até religiosos esquecem-se que Jesus não nos prometeu conforto material nessa vida, mas consolação espiritual. Ele propôs à multidão após convocar e instruir os Apóstolos, no Evangelho Segundo São Mateus: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    É a mesma oferta de Deus Pai, como depreendemos da saudação da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda consolação..." 2 Cor 1,3
    E ainda segundo este Apóstolo, Ele tem uma evidente preferência: "Deus, porém, que consola os humildes..." 2 Cor 7,6
    Essa também é uma das principais funções de Sua Palavra, que nos proporciona uma das três teologais virtudes, nos termos da Carta de São Paulo aos Romanos: "... e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança." Rm 15,4
    Mas, claro, não se trata de uma simples consolação. Ela é sobrenatural, prepara-nos para a eternidade, conforme a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação..." 2 Ts 2,16
    Como prefigura do repouso em Cristo, a Terra Santa, prometida a Abraão, foi citada por Deus como 'Seu descanso' durante o Êxodo, quando Moisés guiava o povo pelo deserto. Os seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus, argumentam recitando o Livro de Salmos: "Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de, até o fim, firme conservarmos nossa fé dos primeiros dias, enquanto se nos diz: 'Hoje, se ouvirdes Sua voz, não endureçais vossos corações como aconteceu no tempo da provação. (Sl 94,7)' E quais foram os que se revoltaram contra o Senhor depois de terem ouvido Sua voz? E a quem jurou o Senhor que não entrariam em Seu descanso, senão a estes rebeldes?" Hb 3,14-16a.18
    Esse repouso, portanto, é parte da Nova Aliança, já oferecida aos israelitas ao tempo de Moisés: "A Boa Nova foi trazida a nós como foi a eles. ... Deus, após muitos anos, por meio de Davi estabelece um novo dia, um hoje, ao pronunciar as  mencionadas palavras: 'Hoje, se ouvirdes Sua voz, não endureçais vossos corações...' Por isso, resta um sabático repouso para o povo de Deus. E quem entrar nesse repouso descansará de suas obras, assim como Deus descansou das Suas. Apressemo-nos, pois, a entrar neste descanso para não cairmos, por nossa vez, na mesma incredulidade." Hb 4,1-2a.7.9-11
    Ele foi previsto no Livro do Profeta Sofonias como dádiva à Igreja Católica Apostólica Romana, àqueles que realmente abraçam o Salvador em tudo que Ele ordenou (cf. Mt 28,20): "Aqueles que restarem de Israel, abster-se-ão do Mal e não proferirão a mentira. Em sua boca não mais se achará enganosa língua, porque serão apascentados e repousarão sem haver quem os inquiete." Sf 3,13
    Pois Deus mesmo, falando no Livro do Profeta Ezequiel, prometeu o que cumpriria em Cristo Jesus: “Sou Eu que apascentarei Minhas ovelhas, sou Eu que as farei repousar." Ez 34,15a
    O Livro de Eclesiástico, de fato, já revelava um inaudito contraste: "Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás mais amado que um generoso homem." Eclo 3,19
    Nosso Senhor, no Sermão da Montanha, revelou a grande benesse de quem cultua essa Graça: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra!" Mt 5,5
    E como era Sua Missão, garantiu consolação: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!" Mt 5,4
    Foi isso que Ele determinou a São Pedro depois que ressuscitou, confiando-lhe de cordeiros a ovelhas, isto é, de fiéis a Sacerdotes, todo Seu rebanho, em distintas designações no Evangelho Segundo São João: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15b.17b
    Para Sofonias, porém, apenas os humildes realmente buscam o Pai: "Procurai o Senhor, todos pobres da Terra. Vós que obedeceis a Seus Mandamentos, procurai a justiça, procurai a pobreza. Talvez assim acheis refúgio no Dia da ira do Senhor." Sf 2,3
    Pois o Divino Espírito, que adota e instrui os filhos de Deus (cf. Rm 8,15), não nos acoberta em qualquer situação, como o Livro de Sabedoria ensina: "... o Espírito Santo Educador das almas fugirá da infidelidade, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,5
    Ora, Sua função é exatamente inversa. Ele é o "... Espírito de Santidade... " Rm 1,4
    Porque a verdade é que a vida está em nossas almas, não em nossa carne. Foi o que Jesus disse, referindo-Se ao Sopro da Vida (cf. Gn 2,7), ao próprio Santo Paráclito, após oferecer Seu Corpo e Seu Sangue como alimentos da Vida eterna: "O Espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que Eu vos disse são Espírito e Vida." Jo 6,63
    Assim foi que São Paulo atestou a Ressurreição, por ele mesmo realizada, de um cristão de Trôade que havia caído do terceiro andar durante sua pregação. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Paulo desceu, debruçou-se sobre ele, tomou-o nos braços e disse: 'Não vos perturbeis, porque sua alma está nele.'" At 20,10
    Episódio, aliás, que bem lembra a ressurreição realizado pelo Profeta Elias, do filho da viúva de Sarepta de Sidon. O Primeiro Livro de Reis registrou: "Estendeu-se, em seguida, sobre o menino por três vezes, de novo invocando o Senhor: 'Senhor, Meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a ele.' O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida." 1 Rs 17,21-22
    Por isso, Jesus afirmava a maior importância da existência além da carne. Ele instruiu os Apóstolos quando os convocou, preparando-os para verdadeiros martírios, como de fato viria a acontecer: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    Sem dúvida, os discípulos de São Paulo usam um bem expressivo título de Deus: "Aliás, na Terra temos nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-los com respeito. Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida?" Hb 12,9
    Assim foi que Nossa Senhora louvou a Deus no Magnificat, apontado no Evangelho Segundo São Lucas: "E Maria disse: 'Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, Meu Salvador, porque olhou para Sua pobre serva. Por isto, desde agora, todas gerações proclamá-me-ão bem-aventurada, porque em meu favor realizou maravilhas Aquele que é poderoso, e Cujo Nome é Santo.'" Lc 1,46-49
    A Carta de São Tiago, ademais, ao falar sobre Salvação, exclusivamente refere-se às almas: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,21
    O mesmo diz a Primeira Carta de São Pedro: "Este Jesus, vós amai-Lo sem O terdes visto. N'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria. Porque vós estais certos de obter, ao preço de vossa , a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, em extremo caso, chega a recomendar a excomunhão de um incestuoso cristão, para que padeça sob o poder do inimigo, e justamente em tentativa de salvar-lhe a alma: "... seja esse homem entregue a Satanás para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,5
    Afinal, Jesus é Nosso Pastor, mas prioritariamente Pastor das necessidades de nossas almas. É o que o Príncipe dos Apóstolos diz àqueles que viviam como criados, recomendando-lhes obediência a seus senhores, bons ou maus: "Porque éreis como desgarradas ovelhas, mas agora retornastes ao Pastor e Guarda de vossas almas." 1 Pd 2,25
    No mesmo sentido, o Livro de Salmos afirma que Deus cuida dos espirituais anseios daqueles que Lhe são submissos: "O Senhor ama aqueles que detestam o mal, vela pelas almas de Seus servos e livra-os das mãos dos ímpios." Sl 96,10
    E, a bem da verdade, devemos estar atentos à suposta prosperidade de algumas pessoas, pois não é Deus que promove sucesso meramente material, nem corresponde às ambições dos ímpios, como o salmista Asaf percebeu: "... vendo o bem-estar dos maus: não existe sofrimento para eles, seus corpos são robustos e sadios. Dos sofrimentos dos mortais não participam, não são atormentados como os outros homens. Eles adornam-se com um colar de orgulho, e cobrem-se com um manto de arrogância. Da gordura que os incha, sai a iniquidade, e transborda a temeridade. Zombam e falam com malícia, altivamente discursam em tom ameaçador. Com seus propósitos afrontam o Céu e suas línguas ferem toda Terra. Reflito para compreender este problema, muito penosa pareceu-me esta tarefa, até o momento em que entrei em Vosso Santuário e me dei conta da sorte que os espera. Sim, vós colocai-los num escorregadio terreno, à ruína Vós conduzi-los." Sl 72,3b-9.16-18
    Com efeito, assim foi o testemunho dado pelo cego de nascença curado por Jesus em Jerusalém: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Por isso, devemos conhecer a verdadeira Doutrina de Cristo, e afastar-nos dos falsos mestres e dos amantes do dinheiro. A Carta de São Paulo a São Tito prescreveu a conduta de nossos Sacerdotes, e especificamente dos Bispos: "Ao contrário, seja hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à Doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a Sã Doutrina e rebater aqueles que a contradizem. Com efeito, há muitos insubmissos, charlatães e sedutores, principalmente entre os da circuncisão. É necessário tapar-lhes a boca, porque transtornam inteiras famílias ensinando o que não convém, e isso por vil espírito de lucro." Tt 1,8,11


A SANTIFICAÇÃO DA ALMA

    Antiga revelação, como um amigo no Livro de Jó alertava, Deus sempre Se faz presente para nos salvar primeiro a alma, e para tanto, ocasionalmente, também a vida terrena: "Pois Deus fala de uma maneira e de outra, e não prestas atenção. Por meio dos sonhos, de noturnas visões, quando um profundo sono pesa sobre os humanos, enquanto o homem está adormecido em seu leito, então abre seu ouvido e o assusta com Suas aparições, a fim de desviá-lo do pecado e preservá-lo do orgulho, para lhe salvar a alma do fosso, e sua vida, da mortífera seta." Jó 33,14-18
    De fato, bem antes do Advento já éramos informados de que Deus nos afasta das verdadeiras tribulações: as espirituais. O que é muito pertinente, pois é em nossas almas que padecemos os maiores tormentos, como o salmista disse sobre reações diante de aparentes desastres naturais: "... suas almas definhavam em angústias." Sl 106,26
    E falando pelo próprio Cristo, que Se dirigia ao Pai, bem como de Seu projeto, o rei Davi já garantia: "Por isso, Meu Coração alegra-se e Minha Alma exulta. Até Meu Corpo descansará seguro, porque Vós não abandonareis Minha Alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção. Vós ensiná-Me-eis o Caminho da Vida, há abundância de alegria junto a Vós, e eternas delícias a Vossa direita." Sl 15,9-11
    Mas é claro que a santificação da alma passa pela santificação do corpo, como a a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses exortou: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que eviteis a impureza. Que cada um de vós santa e honestamente saiba possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3-5
    Rezou: "O Deus da Paz conceda-vos perfeita santidade. Que todo vosso ser, ou seja, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Ts 5,23
    Disse algo parecido aos coríntios: "Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, plenamente realizando nossa santificação no temor a Deus." 2 Cor 7,1
    Ordenou aos cristãos de Roma: "... como pusestes, pois, vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, ponde agora vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade." Rm 6,19b
    E o Eclesiástico ensinou e recomendou: "A saúde da alma na santidade e na justiça vale mais que o ouro e a prata. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus e sê firme. Concentra teu coração na santidade..." Eclo 30,15a.24a
    Sem dúvida, essa foi a razão da Paixão de Cristo: "Por uma só Oblação, Ele realizou a definitiva perfeição daqueles que recebem a santificação." Hb 7,10,14
    Porque a santificação é um dom de Deus, como se lê na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo: "Deus salvou-nos e chamou-nos para a santidade, não em atenção a nossas obras, mas em virtude de Seu desígnio, da Graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus... " 2 Tm 1,9
    Assim, para os cristãos, os sofrimentos causados por mundanas forças não devem ser razão de grande tristeza. Ao contrário, são motivos da verdadeira alegria, sinal de que estamos no caminho certo, como aconteceu com todos Doze ao cair nas mãos dos judeus de Jerusalém, depois do Pentecostes: "Chamaram os Apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes, então, que não mais pregassem em Nome de Jesus, e soltaram-nos. Eles saíram da sala do Grande Conselho cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome de Jesus." At 5,40-41
    Por isso, São Pedro recomenda que confiantemente entreguemos nossas almas nas mãos de Deus: "Assim aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus, também encomendem suas almas ao Fiel Criador, praticando o bem." 1 Pd 4,19
    Esse, de fato, é o Caminho da Salvação, pelo qual São Paulo, junto a Todos os Santos, foi ainda mais além: tal qual Jesus, entregou-se por completo em sacrifício pelas almas de seus semelhantes. Ele escreveu aos cristãos da cidade de Corinto: "De muito boa vontade darei o que é meu, e dar-me-ei a mim mesmo por vossas almas, ainda que, mais vos amando, menos seja amado por vós." 2 Cor 12,15
    A Primeira Carta de São João pregava-o: "Nisto temos conhecido o amor: Ele (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos." 1 Jo 3,16
    E aproximar-se de Deus também é aproximar-se das santas almas, é entrar na Comunhão dos Santos. Os seguidores do Apóstolo dos Gentios ensinam: "Vós, ao contrário, aproximaste-vos da montanha de Sião, da cidade do Deus Vivo, da Celestial Jerusalém, das miríades de anjos, da festiva assembleia dos primeiros inscritos no Livro dos Céus, e de Deus, Universal Juiz, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o Mediador da Nova Aliança, e do Sangue da aspersão, que com mais eloquência fala que o sangue de Abel." Hb 12, 22-24
    Ora, as almas dos Santos já estão diante de Deus e a Ele intercedem por justiça, e dedutivamente também por nós, como o Livro de Apocalipse de São João apontou: "... debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9b-10
    Os Santos, portanto, já estão nos Céus, embora ainda não em corpo, e lá se assentam em tronos e recebem o poder de julgar: "Também vi tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus..." Ap 20,4
    Poder que está em vigor já neste mundo, como Jesus mesmo prometeu, porque após o Juízo Final não haverá pagãs nações: "Então, ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, dá-lhe-ei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila..." Ap 2,26-27
    Por tão grande responsabilidade, a Santa Igreja Católica e Seus Sacerdotes, além de nossa confiança, merecem nosso mais profundo respeito e gratidão. Os seguidores de São Paulo prosseguem: "Sede submissos e obedecei aos que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta." Hb 13,17
    Ora, São Paulo pedia mais: "Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para vos dirigir no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do encargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,12-13
    Afirmativamente, os Sacerdotes são representantes de Deus, que d'Ele recebem e nos comunicam a Divina Sabedoria: "Ela derrama-se de geração em geração nas santas almas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus só ama quem vive com a Sabedoria!" Sb 7,27-28
    Com efeito, após ungidos, os dons que eles recebem não podem ser maculados por suas condutas, e assim os Sacramentos que ministram não perdem validade, como São Paulo afirma: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29
    O próprio Jesus garantiu aos Apóstolos que suas obras são perpétuas, em diálogo após a Santa Ceia: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    Com efeito, Deus já havia prometido ainda no Livro do Profeta Jeremias, dizendo de Suas ovelhas, de Seus Sacerdotes e de Cristo: "Escolherei para elas pastores que as apascentarão, de sorte que não tenham receios nem temores, e já nenhuma delas se extravie - Oráculo do Senhor. Dias virão - Oráculo do Senhor - em que farei brotar de Davi um Justo Rebento, que será Rei e governará com Sabedoria e exercerá na Terra o direito e a equidade." Jr 23,4-5
    Por isso, São Paulo até questiona, escrevendo aos romanos: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica." Rm 8,33
    Devemos, portanto, receber da Igreja Católica o Evangelho de Deus e confiar. E por mais difícil que seja de entender, em hipótese alguma podemos entregar-nos ao pecado: "Em Verdade, grandes e impenetráveis são Vossos juízos, Senhor! Por isso, grosseiras almas caíram no erro." Sb 17,1
    Jamais podemos perder-nos pelos caminhos dos insensatos: "... eles desconhecem os segredos de Deus, não esperam que a santidade seja recompensada, e não acreditam na glorificação das puras almas." Sb 2,22
    Porque é exatamente isso que pedimos no Pai Nosso: "... e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal." Mt 6,13
    Perfeitamente ciente do perigo, a Carta de São Paulo aos Gálatas deixou-nos essa advertência: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1
    Devemos buscar, pelas virtudes que o Espírito de Deus nos concede, a Divina Luz. Pois, segundo o Eclesiástico é, "... essa Sabedoria, impenetrável às fracas almas." Eclo 24,38
    Porque muitos se encontram ao sabor de leviandades, como consta na Segunda Carta de São Pedro, e acabam sendo arrastados por más companhias dentro da própria Santa Igreja: "Mas estes, quais brutos pela lei natural destinados a presa e à perdição, injuriam o que ignoram, e assim da mesma forma perecerão. Este será o salário de sua iniquidade. Encontram suas delícias em entregar-se em pleno dia a suas libertinagens. Pervertidos e imundos homens, sentem prazer em enganar enquanto se banqueteiam convosco. Têm os olhos cheios de adultério e são insaciáveis no pecar. Seduzem por seus atrativos as inconstantes almas, têm o coração acostumado à cobiça, são filhos da maldição..." 2 Pd 2,14
    São Paulo também alerta: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vossa vergonha, digo-o." 1 Cor 15,33-34
    E a São Timóteo, ele expressamente recomenda estar com aqueles que participam de nossa Santa Missa: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Para com aqueles que estão fora da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele aconselha: "Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. Não convém a um servo do Senhor altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,23-26
    Se olharmos para o mundo com Sabedoria, portanto, invariavelmente vamos concluir o mesmo que o sagrado autor: "Tudo está em completa confusão: sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade dos casamentos, adultérios e impudicícias..." Sb 14,25-26
    E são estes pecados que arrastam a alma para o inferno: "Foge do pecado como se foge de uma serpente, porque, se dela te aproximares, ela mordê-te-á. Seus dentes são dentes de leão, que matam as almas dos homens." Eclo 21,2-3
    O Juízo Final, pois, será o dia da Verdade para as almas. Com efeito, como justo pagamento, cada um receberá "... seu fruto, no Dia da retribuição das almas." Sb 3,13

    "Salvador do mundo, salvai-nos. Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição!"