sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Os Sinais do Céu


    Numa fase inicial da , para quem não teve a Graça de nascer numa família genuinamente católica, é comum que se peça a Deus um sinal, como 'definitiva prova' de Sua existência. Traço caracteristicamente humano, tal atitude foi muito comum nos tempos que antecederam o Advento, e mesmo durante a vida pública de Jesus, para se ter certeza de que Ele era o Messias. Mas essa fase termina quando somos inspirados pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,9) para reconhecer os vários sinais de Deus já atestados pela Igreja Católica Apostólica Romana, e, em específico, que deixamos cair em esquecimento tantos outros também importantes que pessoalmente nos foram dados. Cabe, portanto, tornar-nos mais sérios observadores, admitindo o menosprezo e a inconstância de nossa atenção e fidelidade.
    Nosso Salvador argumentou sobre sinais. No Evangelho Segundo São Mateus, escribas e fariseus vieram pedir-Lhe uma prova, após a repercussão do exorcismo e da cura que Ele realizou num endemoninhado cego e mudo. E Ele disse-lhes que teriam que se contentar com o milagre da Sua Ressurreição, prenunciado no sinal que havia sido dado no Livro de Jonas: "'Mestre, queremos ver um sinal feito por Ti.' Respondeu-lhes Jesus: 'Esta adúltera e perversa geração pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal que aquele do Profeta Jonas. Do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra." Mt 12,38b-40
    Aliás, numa evidente generalização, disse que toda Sua geração nunca veria sinal algum, para deixar claro que nem todos veremos grandiosos sinais. De fato, Ele havia acabado de realizar a segunda multiplicação de pães e peixes do outro lado do Mar de Galileia, o que de novo chamou a atenção dos religiosos, conforme o Evangelho Segundo São Marcos: "Vieram os fariseus e puseram-se a disputar com Ele. E para O pôr à prova, pediram-Lhe um sinal do Céu. Jesus, porém, profundamente suspirando em Seu espírito, disse: 'Por que esta geração pede um sinal? Em Verdade, digo-vos: jamais lhe será dado um sinal.' Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem." Mc 8,11-13
    Segundo São Mateus, eram fariseus e saduceus, e Ele cobrou-lhes maturidade espiritual e coerência quanto a Sua manifestação: "Ele respondeu-lhes: 'Quando vem a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado. E de manhã: Hoje haverá tormenta, porque o céu está de um sombrio vermelho. Hipócritas! Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?" Mt 16,2-4
    Ou seja, se os judeus guardavam memória do feito de Jonas, a Ressurreição de Jesus, ainda mais portentoso, jamais seria esquecido. E desse episódio fica uma lição para todos nós: os sinais que Deus realiza, por mais remotos na História, não perdem sua valia muito menos podem ser tratados como lendas. Eles perpetuam-se no tempo como o sinal de Jonas foi lembrado, confirmado e repetido por Jesus em Sua Paixão. No Evangelho Segundo São Lucas, Ele diz: "Pois como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem será para esta geração." Lc 11,30
    Sem dúvida, Jesus é o mais evidente sinal de Deus. Isso já havia sido previsto muito antes no Livro do Profeta Isaías, que elogiou a postura do rei de Judá e disse de Maria Santíssima: "O Senhor ainda disse a Acaz: 'Pede ao Senhor Teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto.' Acaz respondeu: 'De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova.' Isaías respondeu: 'Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Também pretendeis cansar Meu Deus? Por isso, o próprio Senhor dá-vos-á um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-á Deus Conosco." Is 7,10-14
    E sinal para o mundo todo, pela Santa Igreja Católica: "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será Sua morada." Is 11,10
    Mas também sinal de contradição: Ele é Deus e vai ser assassinado; é Deus de amor e vai ser odiado. Foi isso que o religioso Simeão disse a Nossa Senhora, no dia da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35a
    Isaías já o havia anunciado, e percebeu que aqueles que perseveram na prudência também se tornam sinais de Deus para o mundo: "Porque eis o que o Senhor me disse quando me agarrou e me preveniu contra essa política: 'Não chameis conspiração tudo que o povo chama conspiração, não vos assusteis.' É o Senhor que vós deveis ter por conspirador! É a Ele que é preciso respeitar, a Ele que se deve temer. Ele será a Pedra de escândalo e a pedra de tropeço para as duas casas de Israel, o laço e a cilada para os habitantes de Jerusalém.' Eu vou recolher esta declaração e selar esta revelação para meus discípulos. Eu e os filhos que o Senhor me deu somos, em Israel, sinais e presságios da parte do Senhor dos Exércitos, que habita no monte de Sião." Is 8,11-13-14.16.18
    As cidades que viram os milagres de Jesus, nesse sentido, não tiveram apenas um privilégio. Por tamanha dádiva, tiveram suas responsabilidades significativamente aumentadas, assim como suas punições pelo descaso. Ora, Cafarnaum, de fato, desapareceu do mapa: "Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de Seus milagres, por terem recusado a arrepender-se: 'Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas ter-se-iam arrependido sob o cilício e a cinza. Por isso, digo-vos: no Dia do Juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o Céu? Não! Serás atirada no inferno! Porque se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro de teus muros, subsistiria até este dia. Por isso, digo-te: no Dia do Juízo haverá menor rigor para Sodoma que para ti!" Mt 11,20-24
    Pois está claro, como se vê na parábola dos talentos, que as Graças de Deus nos serão cobrados. No Evangelho Segundo São João, sobre todos que foram testemunhas oculares de Seus ensinamentos e obras, Jesus mesmo vai dizer aos Apóstolos em despedida, pouco antes do início de Sua Paixão: "Se Eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado. Mas agora não há desculpa para seu pecado. Se Eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado. Mas agora as viram, e odiaram a Mim e a Meu Pai." Jo 15,22.24
    Com efeito, Ele já havia atestado que os próprios Apóstolos foram testemunhas de grandiosos fatos, ainda quando eles subiam a Jerusalém: "E voltou-Se para Seus discípulos, e disse: 'Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, pois vos digo que muitos Profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram. E ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.'" Lc 10,23-24
    E São João Evangelista foi pródigo ao falar de sinais. Aliás, era assim que se referia aos milagres de Jesus, dos quais destacou apenas sete, começando pela transformação da água em vinho: "Este foi o princípio dos sinais. Jesus realizou-o em Caná de Galileia. Manifestou Sua Glória, e Seus discípulos creram n'Ele." Jo 2,11
    O Livro de Apocalipse de São João também aponta esse meio para explicar como recebeu as revelações: "Revelação de Jesus Cristo, que Lhe foi confiada por Deus para manifestar a Seus servos o que em muito breve deve acontecer. Ele manifestou-a com muitos sinais por meio de Seu anjo, enviado a Seu servo João, o qual atesta tudo que viu como sendo Palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo." Ap 1,1-2
    Já o simples povo de Israel, reagia do mais costumeiramente humano modo diante de Seus curas. Isso via-se desde o começo de Sua vida pública e continuou: "Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar de Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão seguia-O, porque via os sinais que Ele operava a favor dos doentes." Jo 6,1-2
    Aqueles que viram a multiplicação dos pães e peixes, por exemplo, não tinham a menor dúvida: piamente acreditavam ser Ele o Profeta prometido por Deus através de Moisés (cf. Dt 18,15): "À vista do sinal que Jesus tinha realizado, as pessoas exclamavam: 'Este verdadeiramente é o Profeta, Aquele que deve vir ao mundo.'" Jo 6,14
    Eles reconheciam e divulgavam-nos, como vemos quando Ele retornou a Galileia passando pela Decápole: "E tanto mais se admiravam, dizendo: 'Ele fez bem todas coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!'" Mc 7,37
    Os Apóstolos, aliás, depois das profecias contras as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, ouviram Jesus em oração ao Pai, exaltando exatamente Seus desígnios quanto à Revelação: "Eu bendigo-Te, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenos." Mt 11,25
    Mas Ele também se ressentia da expectativa que se criava entre as pessoas a Sua volta na iminência de cada novo milagre, como quando um oficial do rei veio pedir-Lhe por seu filho que estava prestes a morrer. E jogava-lhes em face: "Disse-lhe Jesus: 'Se não virdes sinais e prodígios, não crereis.'" Jo 4,48
    Por isso, não Se deixava enganar, como se viu na primeira Páscoa na Cidade Santa, após iniciada Sua Missão: "Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram em Seu Nome, à vista dos sinais que fazia. Mas Jesus mesmo não Se fiava neles, porque os conhecia todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois bem sabia o que havia no homem." Jo 2,23-24
    Muitos do povo, no entanto, nem mesmo sabiam porque eram atraídos a Jesus. Julgavam ser por Seus milagres, mas era por força do Pão da Vida Eterna. Ele disse-lhes: "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: estais procurando-Me não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados. Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à Vida Eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois a Este, Deus Pai assinalou-O com Seu selo." Jo 6,26-27
    E dada a teimosa rejeição dos sacerdotes em Jerusalém, o povo via-se confuso, como vemos durante a Festa das Tendas: "Da multidão, muitos acreditavam n'Ele, e comentavam: 'Quando vier o Cristo, acaso fará mais sinais do que Este?'" Jo 7,31
    Pois desde quando expulsou os vendilhões do Templo pela primeira vez, os chefes dos sacerdotes cobravam-Lhe um sinal como prova de Sua autoridade: "Perguntaram-Lhe os judeus: 'Que sinal nos apresentas Tu, para procederes deste modo?'" Jo 2,18
    A cura do cego de nascença em Jerusalém, por exemplo, que foi notória porque todos o conheciam desde a infância, apenas pôs em conflito um grupo de religiosos que moravam na Cidade Santa: "Diziam alguns dos fariseus: 'Este Homem não é o enviado de Deus, pois não guarda sábado.' Outros replicavam: 'Como pode um pecador fazer tais prodígios?' E havia desacordo entre eles." Jo 9,16
    E este fato, que tanto os impressionou, vai ser relembrado quando Ele disse que tinha poder para ressuscitar: "O Pai ama-Me porque dou Minha vida para a retomar. Ninguém a tira de Mim, mas Eu dou-a por Mim mesmo. Tenho o poder para a dar como tenho o poder para a reassumir. Tal é o mandamento que recebi de Meu Pai.' A propósito dessas palavras, originou-se nova divisão entre os judeus. Muitos deles diziam: 'Ele está possuído do Demônio. Ele delira. Por que O escutais vós?' Outros diziam: 'Estas palavras não são de Quem está endemoninhado. Acaso pode o Demônio abrir os olhos a um cego?'" Jo 10,17-21
    Por isso, Jesus deixou claro que não apenas sinais revelariam o Salvador: "Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos." Mc 13,22
    Sem dúvida, na Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, ele também revelou as enganações e ilusões do Maligno, dizendo do maior Anticristo do fim dos tempos: "A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios." 2 Ts 2,9
    O próprio Jesus havia-Se literalmente referido a esse poder, quando determinou a missão de São Paulo no dia de sua conversão. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para lhes abrir os olhos, a fim de que se convertam das trevas à Luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em Mim, recebam o perdão dos pecados e a herança entre os que foram santificados." At 26,17-18
    E São João registrou o momento em que o inimigo transfere seu poder para o Império Romano, o que por várias vezes se repetiu na História para com outros países: "Vi, então, levantar-se do mar uma fera que tinha dez chifres e sete cabeças, sobre os chifres, dez diademas, e em suas cabeças, nomes blasfematórios. A fera que eu vi era semelhante a uma pantera: os pés como de urso, e as fauces como de leão. O Dragão deu-lhe seu poder, seu trono e grande autoridade." Ap 13,1-2
    Segundo Jesus, entretanto, o próprio anúncio da Boa Nova já era um sinal da chegada do Reino dos Céus. Era o que Ele dizia no início de Seu Ministério: "Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-Se para Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 'Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Fazei penitência e crede no Evangelho.'" Mc 1,14-15
    Aliás, ainda segundo Ele, seu alcance será sinal até mesmo para o fim dos tempos: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas nações, e então chegará o fim." Mt 24,14
    Quanto a Sua Definitiva Volta e a ostensiva instauração de Seu Reino, serão sinalizadas de inconfundível modo, assim como será a Grande Tribulação. Em São Lucas, Jesus descreveu-as assim: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda Terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande Glória e majestade." Lc 21,25-27
    Em São Mateus, referindo-Se ao Último Dia, Ele também o narra como absolutamente inequívocos: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas tribos da Terra baterão no peito, e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, cercado de Glória e de majestade." Mt 24,30
    Na Páscoa em que foi crucificado, porém, a paciência dos líderes judeus para com Jesus já havia chegado ao fim. Mas, ouvindo os relatos da ressurreição de São Lázaro, até eles reconheciam que Seus milagres eram patentes: "Os sumos sacerdotes e os fariseus, então, reuniram o Sinédrio e discutiam: 'Que vamos fazer? Este Homem realiza muitos sinais.'" Jo 11,47


MUITOS SINAIS

    Ademais, São João Evangelista admite, ao fim de seu Evangelho, que não registrou todos sinais realizados por Jesus, de tantos que foram. No entanto, não deixa dúvida quanto a Sua Pessoa ou quanto ao motivo pelo qual os registrou: "Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste Livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31
    São Pedro também atestou, quando pregou aos judeus no dia de Pentecostes: "Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem de Quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por Ele realizou em meio a vós como vós mesmos o sabeis.." At 2,22
    E não foi só Jesus Quem realizou sinais. Os Apóstolos também os fizeram, mesmo depois de Sua Ascensão, assim como muitos Santos da Igreja Católica que na atualidade ainda os fazem: "Muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas mãos dos Apóstolos." At 5,12
    Isso começou a acontecer logo depois do Pentecostes, o que causou temor a Deus entre os fiéis: "De todos eles apoderou-se o temor, pois eram numerosos os prodígios e sinais que se realizavam por meio dos Apóstolos." At 2,43
    Aliás, também Santo Estevão, um dos sete primeiros diáconos: "Estêvão, cheio de Graça e fortaleza, fazia grandes sinais e prodígios entre o povo." At 6,8
    Mas isso não deve ser curiosidade, pois Nosso Senhor mesmo havia prometido na noite em que ia ser entregue, após a Santa Ceia: "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço. E fará ainda maiores que estas, porque vou para junto do Pai." Jo 14,12
    E deu detalhes quando da primeira aparição aos Onze, no Domingo da Ressurreição: "Eis os sinais que acompanharão aqueles que crerem: expulsarão demônios em Meu Nome, falarão novas línguas, se pegarem em serpentes e beberem mortal veneno, não lhes fará mal algum; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados." Mc 16,17-18
    Na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, de fato, está descrito como podemos reconhecer os verdadeiros seguidores de Jesus. Ora, não é assim que nossos Santos são canonizados? "Os distintivos sinais do verdadeiro Apóstolo realizaram-se em vosso meio: uma paciência a toda prova, sinais, prodígios e milagres." 2 Cor 12,12
    E o testemunho e os sinais que temos da Santa Igreja são de inestimável valor, como os seguidores da tradição de São Paulo argumentam na Carta aos Hebreus: "Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, primeiro anunciada pelo Senhor e depois confirmada por aqueles que a ouviram, comprovando-a o próprio Deus por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a Sua vontade?" Hb 2,3-4
    Por isso, em reconhecimento a tantos sinais, exortam: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
    E como está na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, a observação do cumprimento das profecias será cobrada, mais uma vez, daqueles que dizem que acreditam: "... as profecias são um sinal, não para os infiéis, mas para os fiéis." 1 Cor 14,22
    Pois a fé vai muito além de provas materiais ou de argumentos, e aqui ele deixou um recado para aqueles que se recusam a ver uma imagem de Jesus na Santa Cruz: "Pois tanto os judeus pedem sinais como os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, proclamamos Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos." 1 Cor 1,22-23
    O simples Sinal da Cruz, feito pelo Sacerdote da Santa Igreja durante o Batismo, tem o valor da própria Salvação, como o anjo que traz o selo de Deus brada, nas revelações que São João Apóstolo teve do anjo de Jesus: "Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de Nosso Deus em suas frontes." Ap 7,3
    E assim se vê o quanto a própria Palavra de Deus é desrespeitada: a Coroação da Mãe Celeste foi um evidente sinal de Deus! Mas, mesmo claramente exposta nas Escrituras, muitos renegam-na: "Apareceu, em seguida, um grande sinal no Céu: uma Mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,1.5
    Ou mesmo os mais simples sinais de Deus, dado pessoa a pessoa como, no Livro de Jó, um amigo lhe diz: "Pois Deus fala de uma maneira e de outra, e não prestas atenção. Por meio dos sonhos, das noturnas visões, quando um profundo sono pesa sobre os humanos, enquanto o homem está adormecido em seu leito, então abre seu ouvido e o assusta com Suas aparições, a fim de desviá-lo do pecado e de preservá-lo do orgulho, para lhe salvar a alma do fosso, e sua vida, da mortífera seta. Pela dor também é instruído o homem em seu leito, quando todos seus membros são agitados, quando recebe o alimento com desgosto e já não pode suportar as mais saborosas iguarias. Sua carne some aos olhares, seus membros emagrecidos desvanecem-se, sua alma aproxima-se da sepultura, e sua vida, daqueles que estão mortos." Jó 33,14-22
    Por isso, a Segunda Carta de São Pedro pede atenção às Escrituras, e em particular às profecias, pois elas nos fazem amadurecer espiritualmente: "Assim demos ainda maior crédito à Palavra dos Profetas, à qual bem fazeis em atender como a uma lâmpada que brilha em um tenebroso lugar, até que o dia desponte e a Estrela da Manhã Se levante em vossos corações." 2 Pd 1,19
    E a Primeira Carta de São Pedro já explicava a Paixão de Cristo como o ápice da Revelação: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo e as Glórias que deviam segui-los. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,10-12
    Eis que os discípulos de São Paulo advertem: "Muitas vezes e de diversos modos, outrora falou Deus a nossos pais pelos Profetas. Ultimamente falou-nos por Seu Filho, que constituiu Universal Herdeiro, pelo Qual criou todas coisas. Guardai-vos, pois, de recusar-se a ouvir Aquele que fala. Porque se não escaparam do castigo aqueles que d'Ele se desviaram, quando lhes falava na Terra, muito menos escaparemos nós, se O repelirmos quando nos fala desde o Céu." Hb 1,1-2;12,25
    Com efeito, o próprio Jesus disse que seria ouvido pelos pagãos mesmo após Sua Ascensão: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso conduzi-las. E ouvirão Minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    A Carta de São Paulo aos Romanos, pois, aponta a consequência de tal recusa: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Ele entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento." Rm 1,18.21.25
    Portanto, se quisermos amadurecer na fé, temos a garantia de receber os auxílios de Deus. Porque Nosso Senhor garantiu aos discípulos após lhes ensinar o Pai Nosso: "E Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á. Buscai, e achareis. Batei, e abrir-se-vos-á." Lc 11,9
    Até mesmo extasiantes sinais, como prometeu em Seus últimos momentos entre os Apóstolos: "Até agora não pedistes nada em Meu Nome. Pedi e recebereis, para que vossa alegria seja perfeita." Jo 16,24
    Ora, Ele assegurou que o Pai de nossas almas (cf. Hb 12,9) quer conceder-nos bem mais que sinais: "... Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13
    E mesmo que não venhamos a presenciar nem pessoais nem públicos sinais, como as Aparições de Nossa Senhora, somos todos convidados a neles crer, como Jesus disse a São Tomé a respeito de Sua Ressurreição: "Creste, porque Me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" Jo 20,29

    "Alegrai-nos, ó Pai, com Vossa Luz!"

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Visões e Aparições (II)


NO NOVO TESTAMENTO

    As revelações da Nova Aliança começam com a aparição do Arcanjo São Gabriel ao sacerdote São Zacarias no Templo de Jerusalém, para anunciar o nascimento de São João Batista, seu filho. É do Evangelho Segundo São Lucas: "Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem de sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o incenso. Todo povo estava de fora, à hora da oferenda do incenso. Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. Vendo-o, Zacarias ficou perturbado e o temor assaltou-o. Mas o anjo disse-lhe: 'Não temas, Zacarias, porque tua oração foi ouvida: Isabel, tua mulher, dá-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e felicidade, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo. Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, Seu Deus, e irá adiante de Deus com o Espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à Sabedoria dos justos, e assim preparar ao Senhor um povo bem disposto.' Zacarias perguntou ao anjo: 'Como terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de avançada idade.' O anjo respondeu-lhe: 'Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta Boa Nova. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito a minhas palavras, que hão de cumprir-se a seu tempo.' Entretanto, o povo estava esperando Zacarias, e admirava-se de ele demorar-se tanto tempo no santuário. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que no santuário tivera uma visão. Ele explicava-lhes isto por acenos, e permaneceu mudo." Lc 1,8-22
    Seis meses depois, este mesmo Arcanjo vai aparecer a Maria Santíssima na mais remota região de Israel, para lhe anunciar o Nascimento de Nosso Salvador. E perfeitamente afeita a celestiais manifestações, Nossa Mãe do Céu não vai estranhar sua aparição, mas apenas a mensagem: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: 'Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.' Perturbou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar o que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: 'Não temas, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, e Lhe porás o Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim.' Maria perguntou ao anjo: 'Como se fará isso, pois não conheço homem algum?' Respondeu-lhe o anjo: 'O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com Sua sombra. Por isso, o Ente Santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus. Isabel, tua parenta, também concebeu um filho em sua velhice. E já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque para Deus nenhuma coisa é impossível.' Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.' E o anjo afastou-se dela." Lc 1,26-38
    E como ela não poderia explicar tal gestação a São José, o Anjo da Guarda dele tratou de falar-lhe em sonhos, atribuindo a ele dar nome ao Menino. O Evangelho Segundo São Mateus anotou, citando o Livro do Profeta Isaías: "Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, Sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu de ela conceber por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu secretamente rejeitá-la. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: 'José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois Aquele que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, a Quem porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo de seus pecados.' Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo Profeta: 'Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que Se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco.' Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado, e em sua casa recebeu sua esposa." Mt 1,18-24


    E assim, na noite de Natal, uma multidão de anjos apareceu a pastores da cidade de Belém, lugar de recenseamento de São José (cf. Lc 2,4), para que fossem adorar o Menino Jesus: "Nos arredores havia uns pastores, que durante as vigílias da noite guardavam seu rebanho nos campos. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a Glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: 'Não temais! Eis que vos anuncio uma Boa Nova que será alegria para todo povo: hoje, na Cidade de Davi, vos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto servi-vos-á de sinal: achareis um Recém-Nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.' E subitamente ao anjo juntou-se uma multidão do Celeste Exército, que louvava a Deus e dizia: 'Glória a Deus no mais alto dos Céus, e Paz na Terra aos homens, objetos da divina benevolência.' Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o Céu, os pastores falaram uns com os outros: 'Vamos a Belém, e vejamos o que se realizou e o Senhor nos manifestou.' Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura. Vendo-O, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste Menino. Todos que ouviam, admiravam-se das coisas que contavam os pastores. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito." Lc 2,8-20
    Mas eles não foram os únicos. Reis do Oriente, atestando o caráter universal da manifestação do Salvador, e assim da Santa Igreja, foram guiados por uma estrela a Belém, bem como por um anjo a sua nação na viagem de retorno: "Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que Magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: 'Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo.' A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e com ele toda Jerusalém. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, e indagou-lhes onde havia de nascer o Cristo. Disseram-lhe: 'Em Belém de Judeia, porque assim foi escrito pelo Profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o Chefe que governará Israel, Meu povo (Mq 5,2).' Herodes, então, secretamente chamou os magos e perguntou-lhes sobre a exata época em que o astro lhes havia aparecido. E enviando-os a Belém, disse: 'Ide e bem informai-vos a respeito do Menino. Quando O tiverdes encontrado, comunicai-me para que eu também vá adorá-Lo.' Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, foi precedendo-os até chegar sobre o lugar onde estava o Menino e ali parou. A aparição daquela estrela encheu-os de profunda alegria. Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe. Prostrando-se diante d'Ele, adoraram-nO. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-Lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram a sua terra por outro caminho." Mt 2,1-12
    E depois da visita dos Reis Magos, o Anjo da Guarda de São José mandou que a Sagrada Família fugisse de Herodes, o que cumpriria a Escritura, o Livro do Profeta Oseias : "Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: 'Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe e foge para Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar.' José levantou-se durante a noite, tomou o Menino e Sua mãe e partiu para Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo Profeta: 'De Egito, Eu chamei Meu Filho (Os 11,1).'" Mt 2,13-15
    Bem como lhe mandou voltar a Israel, e ir morar em Nazaré: "Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu nos sonhos de José, em Egito, e disse: 'Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram aqueles que atentavam contra a vida do Menino.' José levantou-se, tomou o Menino e Sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava em Judeia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Divinamente avisado em sonhos, retirou-se para a província de Galileia e veio habitar na cidade de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos Profetas: 'Será chamado Nazareno.'" Mt 2,19-23
    A vida pública de Jesus começa com Seu Batismo por São João Batista, quando se deu a primeira manifestação conjunta da Santíssima Trindade, pois Lhe apareceu o Espírito Santo e se ouviu a voz do Pai: "De Galileia, foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de por ele ser batizado. João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém que cumpramos toda justiça.' João então cedeu. Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água, e eis que os Céus se abriram e se viu sobre Ele descer, em forma de Pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em quem ponho Minha afeição." Mt 3,13-17
    E logo depois o Diabo manifestou-se a Ele, que respondeu mencionando o Livro de Deuteronômio, enquanto Satanás O provocou citando o Livro de Salmos: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo Demônio durante quarenta dias. Durante este tempo, Ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome. Disse-Lhe, então, o Demônio: 'Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão.' Jesus respondeu: 'Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus (Dt 8,3).' Em seguida, o Demônio levou-O a um alto monte e num só momento mostrou-Lhe todos reinos da Terra, e disse-Lhe: 'Dá-Te-ei todo o poder e a glória desses reinos, porque me foram dados e os dou a quem quero. Portanto, se Te prostrares diante de mim, tudo será Teu.' Jesus disse-lhe: 'Está escrito: Adorarás o Senhor Teu Deus, e só a Ele só servirás (Dt 6,13).' O Demônio ainda O levou a Jerusalém, à mais alta parte do Templo, e Lhe disse: 'Se és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo! Porque está escrito: Ordenou a Seus anjos a teu respeito, que te guardassem. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires teu pé nalguma pedra (Sl 90,11).' Jesus disse: 'Foi dito: Não tentarás o Senhor Teu Deus (Dt 6,16).' Depois de tê-Lo tentado de todos modos, o Demônio apartou-se d'Ele até outra ocasião." Lc 4,1-13
    Então, vieram-Lhe Seus anjos, na narrativa de São Mateus: "Em seguida, o Demônio deixou-O, e os anjos aproximaram-se d'Ele para O servir." Mt 4,11
    Ora, a própria vida pública de Jesus era uma grande manifestação dos Céus, como Ele vai dizer aos Apóstolos, explicando-lhes porque falava ao povo em parábolas: "Mas quanto a vós, bem-aventurados vossos olhos, porque vêem! Ditosos vossos ouvidos, porque ouvem! Eu declaro-vos, em Verdade: muitos Profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram." Mt 13,16-17
    E segundo o Evangelho Segundo São João, Ele disse em Jerusalém, após o Domingo de Ramos, aos líderes religiosos judeus que n'Ele creram: "... e aquele que Me vê, vê Aquele que Me enviou." Jo 12,45
    Teve que dizê-lo ainda mais claramente a São Filipe, Seu Apóstolo, logo depois da Santa Ceia: "Respondeu Jesus: 'Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, também viu o Pai.'" Jo 14,9a
    Mas realmente não era uma manifestação indiscriminada, como Ele mesmo afirmou após sentenciar as cidades que não se converteram mesmo vendo Seus milagres: "Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: 'Eu bendigo-Te, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenos." Mt 11,25
    E aí mesmo Ele vai acrescentar: "Todas coisas foram-Me dadas por Meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-Lo." Mt 11,27
    Não por acaso, o Amado Discípulo, em profunda conclusão, iniciou seu Evangelho afirmando: "Ninguém jamais viu Deus. O Único Filho, que está no seio do Pai, foi Quem O revelou." Jo 1,18
    Com efeito, dias após Seu Batismo por São João, Nosso Senhor havia prometido aos primeiros Apóstolos a realização do sonho de Jacó (cf. Gn 28,12): "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." Jo 1,51
    Por isso, durante Sua Transfiguração, seis dias depois de ser reconhecido por São Pedro como Cristo, apareceram-Lhe Moisés e Elias, que foram vistos por Seus mais íntimos Apóstolos. Era, assim como em Seu Batismo, mais uma simultânea manifestação da Santíssima Trindade, pois a Nuvem é uma das sete formas assumidas pelo Espírito Santo: "Seis dias depois, Consigo Jesus tomou Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá Se transfigurou em presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com Ele. Pedro então tomou a palavra e disse-Lhe: 'Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias.' Ele ainda falava, quando veio uma luminosa Nuvem e os envolveu. E daquela Nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem pus toda Minha afeição. Ouvi-O!' Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-Se deles e tocou-os, dizendo: 'Levantai-vos e não temais.' Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão Jesus. E quando desciam, Jesus fez-lhes esta proibição: 'Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.'" Mt 17,1-9
    E prometeu manifestar-Se pessoalmente a Seus fiéis, mesmo após Sua Ascensão. Isso deu-se momentos antes do início de Sua Paixão, e levaria o Apóstolo São Judas Tadeu, Seu parente, a perguntar-Lhe por que não Se manifestar ao mundo: "Aquele que tem e guarda Meus Mandamentos, esse é que Me ama. E aquele que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu amá-lo-ei e a ele manifestar-Me-ei." Jo 14,21
    Já no Getsêmani, a exemplo dos quarenta dias no deserto, também apareceu um anjo para consolar Jesus. Foi logo que deixaram o Cenáculo, que como edifício veio a ser a primeira igreja: "Conforme Seu costume, Jesus dali saiu e dirigiu-Se para o Monte das Oliveiras, seguido de Seus discípulos. Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: 'Rezai para que não caiais em tentação.' Depois, afastou-Se deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-Se, rezava: 'Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, Minha vontade, mas sim a Tua.' Apareceu-Lhe, então, um anjo do Céu para O confortar." Lc 22,39-43


O RESSUSCITADO

    No Domingo da Ressurreição, primeiro um anjo apareceu a Santa Maria Madalena, a Maria de Cleofas, verdadeira mãe dos chamados 'irmãos de Jesus', e aos guardas que vigiavam o Santo Sepulcro: "Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do Céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: 'Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou, como disse. Vinde e vede o lugar em que Ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que Ele ressuscitou dos mortos. Ele precede-vos em Galileia. Lá haveis de revê-Lo, eu disse.' Com receio, elas prontamente afastaram-se do túmulo, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram para anunciar a Boa Nova aos discípulos." Mt 28,1-8
    Então o próprio Jesus apareceu a Santa Maria Madalena, na mesma manhã, depois que ela voltou ao túmulo com São Pedro e São João, e acabou lá ficando sozinha: "Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: 'Mulher, por que choras? Quem procuras?' Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: 'Senhor, se tu O tiraste, dize-me onde O puseste e eu irei buscá-Lo.' Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Voltando-se ela, exclamou em hebraico: 'Rabôni!', que quer dizer Mestre. Disse-lhe Jesus: 'Não Me retenhas, porque ainda não subi a Meu Pai. Mas vai a Meus irmãos e dize-lhes: Subo a Meu Pai e a Vosso Pai, Meu Deus e Vosso Deus.'" Jo 20,14-17
    Em seguida, Jesus apareceu a São Pedro, mais uma vez o 'primeiro' dos Apóstolos (cf. Mt 10,2), como o Amado Médico anotou em seu Evangelho: "Todos diziam: 'O Senhor verdadeiramente ressuscitou, e apareceu a Simão.'" Lc 24,34
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios confirmou-o, chamando-o pelo nome de ofício, quando confundiu os Dez, pois aí não estavam nem Judas Iscariotes nem São Tomé, com os Doze. É também nessa passagem que o Apóstolo dos Gentios, apesar das visões e aparições com que foi agraciado, atesta sua fidelidade à Sagrada Tradição, ou seja, à transmissão oral da Sã Doutrina: "Eu primeiramente transmiti-vos o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras, apareceu a Cefas e, em seguida, aos Doze." 1 Cor 15,3,5
    Antes disso, porém, ainda na manhã do Domingo da Ressurreição, muitos Santos haviam aparecido ao povo de Jerusalém: "Os sepulcros abriram-se e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,52-53
    Na tarde do Domingo da Ressurreição, Jesus apareceu a dois discípulos que partiram de Jerusalém mesmo após ouvirem os relatos de Santa Maria Madalena e São Pedro. E Ele fez-Se reconhecer exatamente pela Santa Eucaristia: "Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma vila chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro sobre tudo que se tinha passado. Enquanto iam conversando e debatendo entre si, o próprio Jesus aproximou-Se e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados, e não O reconheceram. Perguntou-lhes, então: 'De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?' Um deles, chamado Cléofas, respondeu-Lhe: 'És Tu, acaso, o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?' Perguntou-lhes Ele: 'Que foi?' Disseram: 'A respeito de Jesus de Nazaré... Era um poderoso Profeta em obras e palavras, diante de Deus e de todo povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos magistrados entregaram-nO para ser condenado à morte, e crucificaram-nO. Nós esperávamos que fosse Ele Quem havia de restaurar Israel, e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol, e não tendo achado Seu Corpo, voltaram dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e assim acharam, como as mulheres tinham dito, mas a Ele mesmo não viram.' Jesus disse-lhes: 'Ó gente sem inteligência! Como sois insensatos e tardos de coração para crerdes em tudo que anunciaram os Profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse em Sua Glória?' E começando por Moisés, percorrendo todos Profetas, explicava-lhes o que d'Ele se achava dito em toda Escritura. Aproximaram-se da vila para onde iam, e Ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-nO a parar: 'Fica conosco! É tarde e o dia já declina.' Então entrou com eles. Aconteceu que, estando sentado à mesa com eles, Ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram... mas Ele desapareceu." Lc 24,13-31
    Enfim, Jesus apareceu ao Colégio dos Apóstolos em Jerusalém, no Cenáculo, ainda no Domingo da Ressurreição, e deu aos Sacerdotes da Santa Igreja Católica o poder para perdoar os pecados: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!' Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu também vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,19-23
    São Lucas deu outros detalhes: "Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-Se em meio a eles e disse-lhes: 'A Paz esteja convosco!' Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas Ele disse-lhes: 'Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas em vossos corações? Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo. Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.' E dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas ainda vacilando eles, e estando transportados de alegria, perguntou: 'Tendes aqui alguma coisa para comer?' Ofereceram-Lhe, então, um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles." Lc 24,36-43
    E São Tomé, como é bem sabido, não acreditaria nas aparições: "Os outros discípulos disseram-lhe: 'Vimos o Senhor!' Mas ele replicou-lhes: 'Se não vir em Suas mãos o sinal dos pregos, e não puser meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir minha mão em Seu lado, não acreditarei!'" Jo 20,25
    Findos os dias da Páscoa, no seguinte domingo deu-se a segunda aparição ao Colégios dos Apóstolos, também no Cenáculo, quando Jesus, logo após Sua memorável saudação, dirigiu-Se a este renitente Apóstolo. Mas notemos: em suas reflexões, ele já estava pronto para O chamar de Deus! "Oito dias depois, estavam Seus discípulos outra vez no mesmo lugar, e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-Se em meio a eles e disse: 'A Paz esteja convosco!' Depois disse a Tomé: 'Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão em Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de .' Respondeu-Lhe Tomé: 'Meu Senhor e Meu Deus!'" Jo 20,26-28


    Já em Galileia, Jesus primeiro apareceu a São Pedro (é sempre ele!), São Tomé, São Bartolomeu, São Tiago Maior, São João Evangelista e mais dois discípulos, no episódio da segunda miraculosa pesca: "Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná de Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros de Seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: 'Vou pescar.' Responderam-lhe eles: 'Nós também vamos contigo.' Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava na praia, mas os discípulos não O reconheceram. Perguntou-lhes Jesus: 'Amigos, acaso não tendes alguma coisa para comer?' 'Não', responderam-Lhe. Disse-lhes Ele: 'Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis.' Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. Aquele discípulo, que Jesus amava, então disse a Pedro: 'É o Senhor!' Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava nu, e lançou-se às águas. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes, pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados. Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: 'Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes.' Subiu Simão Pedro, e para a terra puxou a rede, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: 'Vinde, comei.' Nenhum dos discípulos ousou perguntar-Lhe: 'Quem és Tu?', porque bem sabiam que era o Senhor." Jo 21,2-12
    Enfim, como havia prometido através de Santa Maria Madalena, apareceu ao Colégio dos Apóstolos, que provavelmente estava acompanhado de vários outros discípulos: "Os onze discípulos foram para Galileia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando O viram, adoraram-nO. Entretanto, alguns ainda hesitavam." Mt 28,16-17
    Em seguida, também aí em Galileia, Jesus apareceu a Apóstolos, discípulos e seguidores. São notas de São Paulo: "Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive, e alguns já são mortos..." 1 Cor 15,6
    Tempos depois, particularmente apareceu a São Tiago Menor, também segundo registro deste Apóstolo. Certamente foi para tratar de seu bispado na igreja de Jerusalém que lhe seria entregue, depois da intensificação das missões de São Pedro (cf. At 9,32) e de outros bispados que ele assumiria (cf. At 12,17), como o de Antioquia: "... depois apareceu a Tiago..." 1 Cor 15,7a
    A partir daí, em aparições mostrava-Se a todos os Seus, que São Paulo aqui generalizou como 'Apóstolos': "... em seguida a todos Apóstolos." 1 Cor 15,7b
    Foram ao todo 40 dias de aparições até o dia de Sua Ascensão. No começo do Livro de Atos dos Apóstolos, São Lucas escreveu: "E a eles manifestou-Se vivo depois de Sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus." At 1,3
    Mas não aparecia indiscriminadamente a qualquer pessoa, como São Lucas disse acima: "E a eles manisfestou-Se vivo..." São Paulo também testemunhou perante os judeus de Antioquia da Pisídia, em sua primeira pregação: "Durante muitos dias, apareceu àqueles que com Ele subiram de Galileia a Jerusalém, os quais até agora são Suas testemunhas junto ao povo." At 13,31
    São Pedro semelhantemente atestou esta restrição em pregação que fez na casa do centurião Cornélio, quando se deu o 'Pentecostes dos não judeus': "Mas Deus ressuscitou-O no terceiro dia, concedendo-Lhe manifestar-Se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido..." At 10,40-41a
    E logo em seguida a Sua Ascensão aos Céus, deu-se outra vez uma aparição de anjos: "E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de Seu Pai, 'que ouvistes', disse Ele, 'de Minha boca. Porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias.' Assim reunidos, eles interrogavam-nO: 'Senhor, porventura é agora que ides instaurar o reino de Israel?' Respondeu-lhes Ele: 'Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em Seu poder. Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força, e sereis Minhas Testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo.' Dizendo isso, elevou-Se da Terra à vista deles e uma Nuvem ocultou-O a seus olhos. Enquanto O acompanhavam com seus olhares, vendo-O afastar-Se para o Céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: 'Homens de Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus, que acaba de ser arrebatado ao Céu, voltará do mesmo modo que O vistes subir para o Céu.' Voltaram eles para Jerusalém, então, do Monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado." At 1,4-12
    Segundo o próprio São Lucas, mas ainda em seu Evangelho, isto teria acontecido em Betânia: "Depois, levou-os para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi arrebatado ao Céu." Lc 24,50-51
    Por fim, aconteceu o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo como por Deus prometido havia muito, nos longínquos tempos do Profeta Joel (cf. Jl 3,1). E deu-se no Cenáculo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu toda casa onde estavam sentados. Então lhes apareceu uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se em Jerusalém piedosos judeus de todas nações que há debaixo do céu, e, ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam sua admiração: 'Não são galileus, porventura, todos estes que falam? Como, então, todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?' Partos, medos, elamitas, os que habitam Macedônia, Judeia, Capadócia, Ponto, Ásia, a Frígia, Panfília, Egito e províncias de Líbia próximas a Cirene, peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes diziam: 'Ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!'" At 2,1-11
    E é já nos tempos da Igreja Católica que vemos um anjo do Senhor instruir as missões de São Filipe Diácono, quando ele vai batizar o eunuco, ministro da Rainha de Etiópia. Note-se: esse Batismo deu-se num lugar onde todos sabem que não há rio, senão córregos! "Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: 'Levanta-te e vai para o sul, em direção ao caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta.'" At 8,26
    Em seguida, este Diácono vai ser arrebatado pelo Espírito Santo: "Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou seu caminho. Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas cidades, até que chegou a Cesareia." At 8,39-40
    Ademais, é o Anjo da Guarda de Cornélio que vai aparecer-lhe para que convide São Pedro a sua casa e o ouça: "Havia em Cesareia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica. Era religioso: ele e todos de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e constantemente orava. Este homem claramente distinguiu numa visão, pela hora nona do dia, dele aproximar-se um anjo de Deus e chamá-lo: 'Cornélio!' Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: 'Que há, Senhor?' O anjo replicou: 'Tuas orações e tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança. Agora envia homens a Jope e faze vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro. Ele acha-se hospedado em casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar.' Quando se retirou o anjo que lhe falara, chamou dois de seus criados e um soldado temente ao Senhor, daqueles que estavam a suas ordens. Contou-lhes tudo e enviou-os a Jope." At 10,1-8


    Depois o Anjo da Guarda de São Pedro (cf. At 12,15) apareceu para o livrar da morte, quando ele foi encarcerado por perseguição de Herodes Antipas, tetrarca de Galileia, que queria matá-lo (cf. At 12,19): "Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, preso por duas correntes. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma Luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: 'Levanta-te depressa', disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: 'Cinge-te e calça tuas sandálias.' Ele assim fez. O anjo acrescentou: 'Cobre-te com tua capa e segue-me.' Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Então Pedro tornou a si e disse: 'Agora verdadeiramente vejo que o Senhor mandou Seu anjo, e livrou-me da mão de Herodes e de tudo que esperava o povo dos judeus.'" At 12,6-11
    Tempos depois de Sua Ascensão, Jesus apareceu no caminho de Damasco a São Paulo, à época chamado Saulo, um fariseu que perseguia cristãos. Ele mesmo apontou: "E por último de todos, também apareceu a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos Apóstolos, e não sou digno de ser chamado Apóstolo porque persegui a Igreja de Deus." 1 Cor 15,8-9
    Ao rei de Judeia, Herodes Agripa I, ele assim a narrou os detalhes, após ser preso em Jerusalém e enquanto aguardava, detido em Cesareia, o julgamento. Diz claramente, pois, que Jesus o acusou de perseguir não a Igreja Católica, mas a Ele mesmo: "Nesse intuito, fui a Damasco, com poder e comissão dos sumos sacerdotes. Era meio-dia, ó rei. Eu estava a caminho quando uma Luz do céu, mais fulgurante que o sol, brilhou em torno de mim e de meus companheiros. Caímos todos nós por terra, e ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues? Duro é debater-te contra o aguilhão.' Eu então disse: 'Quem és, Senhor?' O Senhor respondeu: 'Eu sou Jesus, a Quem persegues. Mas levanta-te e põe-te em pé, pois apareci para te fazer ministro e testemunha das coisas que viste, e de outras para as quais ainda hei de manifestar-Me a ti. Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para lhes abrir os olhos, a fim de que se convertam das trevas à Luz, e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em Mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados.' Desde então, ó rei, não fui desobediente à celestial visão." At 26,12-19
    Apareceu-lhe mais uma vez no Templo de Jerusalém, em seu primeiro retorno à Cidade Santa após sua conversão: "Voltei para Jerusalém e, rezando no Templo, fui arrebatado em êxtase. E vi Jesus que me dizia: 'Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão teu testemunho a Meu respeito.' Eu repliquei: 'Senhor, eles sabem que eu encarcerava e açoitava com varas, de sinagoga em sinagoga, os que creem em Ti. E quando se derramou o sangue de Estêvão, Tua testemunha, eu estava presente, nisso consentia e guardava os mantos daqueles que o matavam.' Mas Ele respondeu-me: 'Vai, porque Eu te enviarei para longe, às nações...'" At 22,17-21
    E ainda lhe apareceu em Jerusalém anos depois, antes de ser preso e levado a Roma: "Na noite seguinte, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: 'Coragem! Deste testemunho de Mim em Jerusalém, importa que também o dês em Roma.'" At 23,11
    Um anjo igualmente apareceu a São Paulo, certamente seu Anjo da Guarda, durante o maremoto que levou a embarcação, destinada a Roma, à ilha de Malta: "Desde muito tempo, ninguém havia comido nada. Paulo levantou-se em meio a eles e disse: 'Amigos, deveras devíeis ter-me atendido e não ter saído de Creta, e assim evitar esse perigo e essas perdas. Agora, porém, admoesto-vos a que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós, mas somente o navio. Esta noite apareceu-me um anjo de Deus, a Quem pertenço e a Quem sirvo, o qual me disse: 'Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César. Deus deu-te todos que navegam contigo.' Por isso, amigos, coragem! Eu confio em Deus que há de acontecer como me foi dito. Vamos dar a uma ilha.'" At 27,21-26
    Ora, ele não fala como de uma ou outra visão, mas de visões, bem como revelações que teve. Está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, quando teve que defender-se4: "Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor." 2 Cor 12,1b
    Tinha-nas, porém, como uma grande responsabilidade: "Ademais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas Ele disse-me: 'Basta-te Minha Graça, porque é na fraqueza que Minha força se revela totalmente.'" 2 Cor 12,7-9a
    De fato, dentre as revelações que tinha, procurava confirmá-las com São Pedro, se estavam em conformidade com a Sã Doutrina. Lemos na Carta de São Paulo aos Gálatas, quando ele usa como referência o primeiro encontro com o Príncipe dos Apóstolos, sempre citando-o pelo nome de ofício, três anos após sua conversão (cf. Gl 1,18): "Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, comigo também levando Tito. E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente àqueles que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a Graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo: iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Apenas recomendaram que nos lembrássemos dos pobres, o que era precisamente minha intenção." Gl 2,1-2.9-10
    Porque nem todas aparições que ele viu, foram do bem: "Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de Luz, parece bem normal que seus ministros se disfarcem em Ministros de Justiça, cujo fim, no entanto, será segundo suas obras." 2 Cor 11,14b-15
    Por isso, a Carta de São Paulo aos Colossenses convictamente fala de visíveis e invisíveis criaturas, quando cita quatro ordens de anjos: "N'Ele (Cristo) foram criadas todas coisas nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis criaturas. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele." Cl 1,16
    Ele dizia de sua pregação: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho por mim pregado não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo." Gl 1,11-12
    E da concepção de que, só por obra do Espírito Santo, podemos realmente ser Corpo de Cristo, isto é, ser Igreja Católica. É da leitura da Carta de São Paulo aos Efésios: "Foi por revelação que me foi manifestado o Mistério que acabo de esboçar." Ef 3,3
    Na Segunda Carta de São Pedro, vemos que o Primeiro Apóstolo também seguia em estreito contato com Jesus após a Ascensão, referindo-se a seu corpo como uma tenda: "Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que deixá-lo, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer." 2 Pd 1,13-14
    Por fim, e encerrando a Revelação, o Livro de Apocalipse de São João registrou que o anjo de Jesus o arrebatou, concedendo-lhe as visões e revelações: "Revelação de Jesus Cristo, que Lhe foi confiada por Deus para manifestar a Seus servos o que deve acontecer em breve. Ele, por Sua vez, por intermédio de Seu anjo, comunicou a Seu servo João, o qual atesta, como Palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo e tudo que viu." Ap 1,1-2
    De início, foi-lhe concedido ver o próprio Jesus em Sua Divina Natureza, que lhe dizia das sete dioceses de Ásia de então: "Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e por trás de mim ouvi uma forte voz como de trombeta, que dizia: 'O que vês, escreve-o num Livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.' Voltei-me para saber que voz falava comigo. Tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestindo longa túnica até os pés, o peito cingido por um cinto de ouro. Tinha Ele brancos cabeça e cabelos, como lã cor de neve. Seus olhos eram como chamas de fogo. Seus pés pareciam-se ao fino bronze incandescido na fornalha. Sua voz era como o ruído de muitas águas. Segurava na mão direita sete estrelas. De Sua boca saía uma afiada espada, de dois gumes. Seu rosto assemelhava-se ao sol, quando brilha com toda força. Ao vê-Lo, caí como morto a Seus pés. Ele, porém, pôs sobre mim Sua mão direita e disse: 'Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e Aquele que vive. Pois estive morto, e eis-Me de novo vivo pelos séculos dos séculos: tenho as chaves da morte e da região dos mortos. Escreve, pois, o que viste, tanto as atuais coisas como as futuras. Eis o simbolismo das sete estrelas que viste em Minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas." Ap 1,10-20
    Também viu Nossa Senhora, em esplendorosa aparição que a confirma como a definitiva Arca da Aliança e a Rainha dos Céus. Isso deu-se com o início do Reino de Cristo sobre o mundo: "O sétimo anjo tocou a trombeta. Então ressoaram no Céu altas vozes que diziam: 'O Império de Nosso Senhor e de Seu Cristo estabeleceu-se sobre o mundo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos. Os vinte e quatro anciãos (anjos!), que se assentam em seus tronos diante de Deus, prostraram-se de rosto em terra e adoraram a Deus, dizendo: 'Graças damo-Te, Senhor, Deus Dominador, que és e que eras, porque assumiste a plenitude de Teu real poder.' Abriu-se o Templo de Deus no Céu e apareceu, em Seu Templo, a Arca de Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Em seguida, apareceu um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas." Ap 11,15-17.19 ;12,1
    E ele teve essa perspectiva de Jesus na Final Batalha: "Vi o Céu ainda aberto: eis que aparece um branco cavalo. Seu Cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que Ele julga e guerreia. Tem flamejantes olhos. Há em Sua cabeça muitos diademas, e traz escrito um Nome que ninguém conhece, senão Ele. Está vestido com um manto tinto de sangue, e Seu Nome é Verbo de Deus. Seguiam-nO, em brancos cavalos, os Celestes Exércitos, vestidos de fino linho de imaculada brancura. De Sua boca sai uma afiada espada, para com ela ferir as pagãs nações, porque Ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador. Ele traz escrito no manto e na coxa: 'Rei dos reis e Senhor dos senhores!'" Ap 19,11-16
    Contudo, no Sermão da Montanha, ou seja, no início de Seu ministério, Nosso Senhor já havia prometido: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!" Mt 5,8
    E das revelações que teve, o Amado Discípulo afirma sobre aqueles que são fiel a Jesus, o Cordeiro de Deus: "Verão Sua face, e Seu Nome estará em suas frontes." Ap 22,4
    Quanto às aparições e visões que se têm pelo mundo, muitas delas de Nossa Senhora, desde que em compatibilidade com a Sã Doutrina, devemos sempre ter presente a defesa que Jesus fazia de Suas testemunhas, como vemos na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos registrada no Evangelho Segundo São Marcos: "Por fim, apareceu aos Onze quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem naqueles que O tinham visto ressuscitado." Mc 16,14
    Ou, como vimos acima, o que São Tomé ouviu de Jesus por egocentricamente exigir 'ver para crer': "Não sejas incrédulo, mas homem de fé.'" Jo 20,27
    Em específico, por força destas palavras que lhe disse: "Creste, porque Me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" Jo 20,29

    "Em comunhão com toda a Igreja aqui estamos!"