terça-feira, 7 de outubro de 2025

Nossa Senhora do Rosário


    Um monge inglês do século VII já rezava usando grãos perpassados por um barbante, para não errar a contagem das orações que ele mesmo se impunha. Era São Beda, um inspirado beneditino, Doutor da Igreja e Pai da História de Inglaterra. Mas foi em 1207 que Nossa Senhora apareceu a São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos, e lhe ensinou o Rosário: 150 Ave Marias, 'rosas', em substituição aos 150 Salmos, como os religiosos recitam no Ofício das Horas, pois a pobre gente ou não sabia ler ou não tinha a Bíblia para os acompanhar. Tornou-se, assim, o Saltério da Mãe de Deus, ou os Salmos dos pobres.
    Naqueles tempos, São Domingos tentava achar maneiras de manter os franceses longe de uma heresia que cativava muita gente. Ele havia terminado a construção do primeiro convento dominicano feminino na cidade de Prouille, quando a Santíssima Virgem lhe apareceu na capela, com o Menino Jesus ao colo, e disse: "Quero que se saiba que a principal peça de combate tem sido sempre o Saltério Angélico (Rosário), que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração de meu Saltério."
    Sem dúvida, a Nova Aliança inicia-se quando o São Gabriel Arcanjo, no Evangelho Segundo São Lucas, diz a Maria Santíssima: "Ave, cheia de Graça!" Lc 1,28


    O sucesso foi absoluto: seguida de alguns sinais dos Céus, a pregação deste Santo na Catedral de Toulouse fez a cidade inteira adotar essa devoção, França foi libertada dessa heresia, a Ordem Dominicana tornou-se guardiã do Rosário e seu uso rapidamente difundiu-se entre os religiosos e o povo fiel.
    Ora, as próprias Graças que abundantemente se derramavam sobre os devotos abriam caminho para maior amor à Santíssima Virgem. E logo São Domingos estaria em Paris, na Catedral de Notre Dame, entre renomados sábios da Igreja Católica Apostólica Romana pregando... a Ave Maria.
    Tempos depois, vieram funestos anos para o Continente Europeu, com a Peste Negra, a Guerra dos Cem Anos e o humanismo, semente do socialismo e do comunismo, que já pretendia substituir o Catolicismo. E em 1460, enquanto o Beato Alano de la Roche, que era dominicano, perguntava a Nosso Salvador durante uma Santa Missa o porque de tantos castigos, Ele respondeu-lhe: "Por que tu Me crucificas de novo? E crucifica-Me não só por teus pecados, mas ainda porque sabes o quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem."
    E para ainda maior Glória de Deus, no século XVI, o Papa Pio V pediu a todas cristãs nações que rezassem o Rosário como forma de obter os auxílios da Mãe Celeste para vencer os muçulmanos, que em grande vantagem lutavam contra a cidade de Veneza visando invadir Europa, pois já haviam tomado Constantinopla. Com a miraculosa vitória na decisiva Batalha de Lepanto, em 1571, no mar de Grécia, o Papa atribuiu à Nossa Senhora essa Graça alcançada e por isso instituiu uma festa de celebração à 'Nossa Senhora da Vitória'.
    Em 1573, porém, para ainda mais estimular a prática da oração do Rosário, o Papa Gregório XIII mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário. No século XVIII, enfim, o Papa Clemente XI instituiu a celebração universal, mas, como aconteciam em diferentes datas pelo mundo, em 1913, por sua vital importância, o Papa São Pio X fixou o dia 7 de outubro como a data oficial da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.


A AVE MARIA

    Nesta celeste oração, a segunda mais importante da Santa Igreja Católica, quando dizemos "Ave Maria...", repetindo as palavras do Arcanjo São Gabriel, usamos uma saudação em latim, 'Ave', a mais comum no Império Romano, com a qual se reverenciava o próprio imperador, dizendo 'Ave César'. Ela equivale a nosso 'Salve', aliás, empregado na oração 'Salve Rainha' e na cumprimentação 'Salve Maria'.
    Reverenciá-la "... cheia de Graça...", como o Arcanjo declarou, é referir-se a pelo menos duas grandes Graças que ela já havia recebido, além daquela grandiosíssima que estava para ser anunciada: ser a Mãe do Messias. Elas seriam o Santo Casal que foram seus pais, São Joaquim e Santa'Ana, e sua Imaculada Conceição, obra realizada pelo próprio Deus no primeiríssimo instante em ela que foi concebida. De fato, ao cantar o 'Magnificat' perante Santa Isabel, Nossa Senhora vai dizer que o "Todo-Poderoso fez em meu favor maravilhas (Lc 1,49)", assim mesmo no plural, ou seja, claramente mais de uma Graça. Ora, Jesus, Cujo Corpo e Sangue nos purifica do pecado, não poderia, como não foi (cf. Hb 4,15)!, gerado no pecado. No livro de Jó, este lendário personagem já argumentava: "O homem nascido de mulher vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias. Quem fará sair o Puro do impuro?" Jó 14,1.4a
    Quando afirmou "... o Senhor é convosco.", São Gabriel Arcanjo atestava mais um privilégio de Maria: que Deus já era com ela antes mesmo da concepção ou do Nascimento do Emanuel, que é "Deus conosco (Is 7,14)", previsto havia 700 anos pelo Profeta Isaías. Aferia mesmo, para além da onipresença de Deus, a companhia que Ele eternamente lhe faz, pois não "está" com ela, mas "é" com ela, lembrando Sua natureza incriada, quer dizer, essencial e independente de tudo que existe, de qualquer condição, como declarou a Moisés no Livro de Êxodo: "EU SOU AQUELE QUE É." Êx 3,14a
    Ao reconhecer, e em alta voz, "Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o Fruto de vosso ventre.", Santa Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo tão somente por ouvir a saudação de Nossa Senhora (cf. Lc 1,41), afirmava, por notória inspiração do Divino Paráclito, pois de nada havia sido informada, sua Bem Aventurança frente toda e qualquer mulher na face da Terra, uma bendição tão grande quanto a do próprio Cristo, o Fruto de seu ventre, que a Igreja, acrescentando a esta frase, tratou de nomear para oportunamente mencionar Seu Santíssimo Nome (cf. Êx 20,7): "Jesus."
    Invocá-la, portanto, como "Santa Maria...", faz lembrar passagens exclusivamente dirigidas a Deus, como: "Só Vós sois Santo... (Ap 15,4b)" e "Ninguém é Santo como o Senhor (1 Sm 2,2)." Com efeito, é evidente que só Deus é Santo por excelência. Mas Jesus mesmo, que veio fundar Sua Santa Igreja, rezou ao Pai pelos Apóstolos no Evangelho Segundo São João, pedindo: "Santifica-os pela Verdade (Jo 17,17a)." Ou ainda podemos citar uma longínqua ordem do Próprio Deus aos israelitas nos tempos de Moisés, do Livro de Levítico: "Vós santificá-vos-eis e sereis Santos, porque Eu sou Santo (Lv 11,44b)." Ora, se a Verdade de Deus, que é o próprio Jesus (cf. Jo 14,6), não santificou Seus fiéis, ou o Eterno Pai não atendeu o pedido de Seu Filho, em que mais poderíamos crer? Como não acreditar, então, que Sua própria Mãe foi santificada?
    Chamá-la de "... Mãe de Deus... é uma óbvia dedução das palavras da pergunta que se fez Santa Isabel, por ocasião desta mesma visita de Nossa Senhora: "De onde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de Meu Senhor (Lc 1,43)?" Ora, negar que Maria é Mãe de Deus é negar que Jesus, por algum instante sequer, deixou de ser Deus! Isso é heresia! E se Santa Isabel foi inspirada pelo Espirito Santo para proclamar esta Verdade (cf. Lc 1,41), quem está soprando ao ouvido daqueles que sustentam essa negação? Sem meias palavras, a Segunda Carta de São João diz: "Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo que Se encarnou. Quem assim proclama é o Sedutor e o Anticristo." 2 Jo 1,17
    Ao pedir-lhe "... rogai por nós pecadores...", nós reconhecemo-nos pobres pecadores, absolutamente carentes da Graça, e recorremos à Piedosíssima Mãe, à Medianeira de todas Graças, sempre pronta para interceder pelos necessitados como se viu nas Bodas de Caná, quando pediu a Jesus: "Eles já não têm vinho (Jo 2,3)." Ora, nos Céus as almas dos Santos intercedem a Deus, como vemos no Livro de Apocalipse de São João: "... vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Vós, que sois o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficareis sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra (Ap 6,9b.10)?'" Como, pois, não poderia interceder a Mãe de Nosso Salvador, que nomeadamente foi a primeira pessoa vista no Céu em corpo e alma (cf. Ap 12,1)?
    E instando-a "... agora e na hora de nossa morte.", com humildade admitimos nossas prementes misérias e seu indispensável auxílio no seriíssimo momento em que seguiremos para o Juízo Particular. Com efeito, os seguidores da tradição de São Paulo apontaram na Carta aos Hebreus: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo..." Hb 9,27
    Enfim, pronunciando "Amém.", confiante e preferencialmente colocamo-nos nas mãos da única que gerou, vestiu, amamentou, asseou, alimentou, ensinou a andar e a falar o Todo-Poderoso feito Carne (cf. Jo 1,14).
    Ora, talvez não se perceba, mas a Ave Maria fala muito de Deus. Três vezes de forma direta: o Senhor é convosco; fruto de vosso ventre, Jesus; e, Mãe de Deus. E cinco vezes de forma indireta: Quem teria agraciado aquela que é a cheia de Graça? Quem a bendisse entre as mulheres? Quem bendisse o fruto de seu ventre? Quem a teria santificado, para que a chamemos de Santa Maria? E por que a pediríamos que rogasse por nós pecadores, se não para que ela intercedesse a Deus?

MAIS SOBRE O ROSÁRIO

    São Luís-Maria Grignion de Montfort, insigne mariólogo que viveu entre 1673 e 1716, autor do renomado Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, além de O Segredo de Maria e O Segredo do Rosário, deixou essa marcante exortação: "Ainda que te encontres à beira do abismo ou já com um pé no inferno, ainda que estejas endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde converter-te-ás e salvar-te-ás, contanto que devotamente rezes todos dias o Santo Rosário, para conhecer a Verdade e obter a contrição e o perdão de teus pecados."
    Ele advertia: "Peço que estejam atentos, a fim de não pensarem que o Rosário é de pouca importância, como dizem os ignorantes e alguns grandes e orgulhosos intelectuais. Longe de insignificante, o Rosário é um tesouro de incalculável valor e inspirado por DEUS."
    E foi ainda mais contundente: "O Rosário é mais valioso que os Salmos, pois, assim como a realidade é mais importante que a prefiguração, e o corpo mais importante que a sombra, da mesma forma o Rosário é mais grandioso que o Saltério de Davi, que nada mais fez que o prefigurar."
    Em suas aparições, enfim, Nossa Senhora sempre faz referência ao Rosário. NAparição de Salette, em 1846, ele está nas bordas de seu lenço. Em 1858, na Aparição de Lourdes, ele está dependurado em seu braço direito. E na Aparição de Fátima, em 1917, ela pronunciou-se: seja como se apresentou pela última vez, na de outubro, dizendo "Sou a Senhora do Rosário!", seja quando recomendou, por conta de Primeira Guerra Mundial, "... Continuem a recitar o Rosário todos dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra..."
    E São João Paulo II, que escreveu a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariæ, catequiza: "O Rosário misticamente transporta-nos para junto de Maria... para que ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja plenamente formado em nós." Mais: "Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem tão profundamente unidos. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo."

PALAVRA DE JESUS SOBRE ORAÇÕES A NOSSA SENHORA

    Santa Brígida, que viveu no século XIV, ouviu estas reveladoras palavras de Nosso Salvador a Sua Mãe: "Na Verdade, Eu digo que tua pureza, mais agradável para Mim que a de todos anjos, atraiu tanto Minha Divindade para ti que foste inflamada pelo calor do Espírito. N'Ele, tu geraste o Verdadeiro Deus e Homem, resguardado em teu ventre, pelo Qual a humanidade foi iluminada e os anjos foram cheios de alegria. Assim, bendita sejas por Teu Bendito Filho! E por isso nenhum pedido teu chegará a Mim sem ser ouvido. Qualquer um que peça Misericórdia através de ti, e tenha a intenção de emendar seus caminhos, conseguirá Graça. Como o calor vem do sol, igualmente toda Misericórdia será dada através de ti. És como um abundante manancial do qual mana toda Misericórdia para os infelizes." (Livro I, Capítulo L)

    "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!"

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Resistir ao Mal


    Como Evangelho Segundo São Lucas registrou, Nosso Salvador ensina que constantemente devemos rezar: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que sempre é necessário orar, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1
    E conforme o Evangelho Segundo São Mateus, no Pai Nosso fica claro a razão, pois exorta que Lhe peçamos: "... não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal." Mt 6,13
    A Carta de São Paulo aos Efésios, então, citando duas ordens de anjos caídos, vai ser bem específica sobre o grande combate de nossas vidas: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste tenebroso mundo, contra as forças espirituais do Mal espalhadas nos ares." Ef 6,12
    De fato, a Santa Igreja Católica foi instituída com uma clara missão, como Jesus disse sobre os pagãos a São Paulo, quando lhe apareceu no dia de sua conversão. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "... a fim de que se convertam das trevas à Luz, e do poder de Satanás ao de Deus, para que, pela  em Mim, recebam o perdão dos pecados e a herança entre aqueles que foram santificados." At 26,18
    Pois as primeiras palavras de Nosso Senhor quando deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, ou seja, ainda no início de Sua vida pública, tratavam exatamente de arrependimento: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    E logo no Domingo da Ressurreição, na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, assim explicou Sua Paixão, determinando-lhes de que se constituía o Ministério: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém." Lc 24,46-47
    Ora, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses afirmou que não podemos ignorar o "... poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios." 2 Ts 2,9b
    E o próprio Jesus, no Evangelho Segundo São João, revelou: "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir." Jo 10,10a
    Muito além de meros malefícios pessoais, portanto, o inimigo busca assenhorar-se principalmente dos midiáticos, econômicos, políticos e militares poderes, visando desgraças de comunidades inteiras e assim do mundo, como o Livro de Apocalipse de São João registrou: "Vi, então, levantar-se do mar uma fera que tinha dez chifres e sete cabeças. Deu-lhe o Dragão seu poder, seu trono e grande autoridade. E todos, pasmados de admiração, seguiram a fera... dizendo: 'Quem é semelhante à fera e quem poderá lutar com ela?' Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar Seu Nome, Seu Tabernáculo e os habitantes do Céu. Também lhe foi dado fazer guerra aos Santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação..." Ap 13,1a.2b.3b.4b.6-7
    Por isso, o fim da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses recomenda alerta contra todo e qualquer espaço que lhe possa ser dado: "Guardai-vos de toda espécie de mal." 1 Ts 5,22
    E depois de recomendações comportamentais aos cristãos da cidade de Éfeso, ressaltando a obediência do filhos ao Quarto Mandamento (cf. Dt 5,16), dos pais à Sã Doutrina e de servos e senhores à vontade de Deus, ele também foi contundente: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor por Seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do Demônio." Ef 6,10-11
    Conhecedor de suas astúcias, ele realisticamente temia por nossa desobediência, como está expresso na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações. É que, de fato, não somos, como tantos outros, falsificadores da Palavra de Deus. Mas é em sua integridade, tal como procede de Deus, que nós a pregamos em Cristo, sob os olhares de Deus." 2 Cor 2,11-17
    Pois sabendo que o inimigo é inclemente com quem fraqueja, disse de um destacado Anticristo que virá ao fim dos tempos: "Ele usará de todas seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los." 2 Ts 2,10b
    E contra a ambição e a luxúria, que também são armas do inimigo, vemos na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo: "Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do Demônio, e em muitos insensatos e nocivos desejos que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição." 1 Tm 6,9
    Ao fim da Primeira Carta de São Pedro, é dado à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo um idêntico recado, lembrando que estamos todos no mesmo combate, mas assegura os infalíveis auxílios de Deus àqueles que Lhe obedecem: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que vos chamou em Cristo a Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,8-10
    Como forma de resistência, além da 'armadura de Deus' proposta acima, São Paulo, invocando a queda das muralhas de Jericó (cf. Js 6,20), falou das prodigiosas armas da Igreja Católica, que relegam à insignificância os projetos de rebeldia e de falsidade: "Não são carnais as armas que usamos na luta. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5
    Sinceramente abraçado à proposta da Santa Cruz, a Carta de São Paulo aos Colossenses atestou: "O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja. A Ele é que anunciamos, admoestando todos homens e instruindo-os em toda Sabedoria, para tornar todo homem perfeito em Cristo. Eis a finalidade de meu trabalho, a razão porque luto auxiliado por Sua força que em mim poderosamente atua." Cl 1,24b.28-29
    E sobre o que representa nossa Santa Missa, temos esta palavra por meio da Carta de São Paulo aos Romanos: "Eu exorto-vos, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,1-2
    Comparando seu seguimento a Cristo, e o de seus colaboradores, com o dos cristãos da cidade de Corinto, ele usa de ironia e acusa-os por tolerarem as coisas do mundo: "Vós, sendo sensatos homens, suportais de boa mente os loucos. Sim, tolerais a quem vos escraviza, a quem vos devora, a quem vos faz violência, a quem vos trata com orgulho, a quem vos dá no rosto. Digo-o para vergonha vossa, pois parece que nós é que somos fracos..." 2 Cor 11,19-20
    Renegando toda vaidade, pois, ele assim se explicava: "Portanto, prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que em mim habite a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,9b-10
    Em despedida, a Carta de São Paulo aos Filipenses garante: "Tudo posso n'Aquele que me fortalece." Fl 4,13
    Ele ressaltaria a importância da santa fé como principal trunfo na perseverante resistência ao inimigo: "Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos inflamados dardos do Maligno." Ef 6,16
    E com um simples mas valioso conselho que aplica em sua própria luta, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios havia dito: "Tudo é-me permitido, mas nem tudo convém. Tudo é-me permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma." 1 Cor 6,12
    Ora, foi isso que Deus disse a Caim quando ele sentiu inveja de Abel, ainda nos primeiros tempos da Criação. O Livro de Gênesis apontou: "Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se procederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te. Tu, porém, deverás dominá-lo.'" Gn 4,7
    Porque é por nossa redentora submissão a Deus, o que significa estar sob Sua Graça (Rm 6,14), que podemos travar o verdadeiro combate. A Carta de São Tiago aconselha: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós." Tg 4,7
    Com tocante sinceridade, de quem realmente reconhece seus pecados, ele pede humildade entre aqueles que se candidatavam ao Ministério: "Meus irmãos, entre vós não haja muitos a arvorarem-se em mestres. Sabeis que seremos mais severamente julgados, porque todos nós caímos em muitos pontos." Tg 3,1-2
    E adverte para a verdadeira religiosidade: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião. A pura e sem mácula religião aos olhos de Deus e Nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo." Tg 1,26-27


O PECADO ALIENA

    Jesus bem denunciou o alienante poder que têm os pecados, dizendo aos judeus de Jerusalém que se achavam livres tão somente por serem descendentes de Abraão: "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." Jo 8,34
    E revelou que tal escravidão pode arrastar-se por muitos anos, quando foi acusado por um chefe de sinagoga ao realizar curas num sábado: "Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?" Lc 13,16
    Ou pode mesmo arrastar para o inferno, como abertamente pregou contra os escândalos, no Evangelho Segundo São Marcos: "Se tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a. Melhor é entrares na Vida aleijado que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o inextinguível fogo. Se teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o Melhor é entrares coxo na Vida Eterna que, tendo dois pés, seres lançado à geena do inextinguível fogo. Se teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o. Melhor é entrares com um olho de menos no Reino de Deus que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde seu verme não morre e o fogo não se apaga." Mc 9,43.45.47-48
    Com efeito, mesmo sob a Graça, São Paulo admite a concupiscência, a inclinação para o mal que subsiste na carne: "Assim, pois, de um lado, por meu espírito, sou submisso à Lei de Deus. De outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado." Rm 7,26
    Contudo, bem diferente é a condição daqueles que não seguem a Cristo, como ele disse da pregressa vida dos efésios, explicando em quem o Maligno atua: "E vós estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que outrora cometestes seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes." Ef 2,1-2
    E sem rodeios, cravou: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus." 2 Cor 4,3-4
    Sem dúvida, com a passagem do Messias e por força de Sua Palavra, o Reino de Deus já foi instalado entre nós. Em Sua última Páscoa, depois do Domingo de Ramos, Ele declarou perante a multidão em Jerusalém: "Agora é o Juízo deste mundo! Agora será lançado fora o príncipe deste mundo!" Jo 12,31
    De uma profunda experiência religiosa, portanto, lê-se na Primeira Carta de São João: "Sabemos que o Filho de Deus veio e deu-nos entendimento para conhecermos o Verdadeiro." 1 Jo 5,20
    Mas, embora admita o efetivo resgate pelo Sangue de Cristo, também reconhece a verdadeira situação por toda parte: "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,19
    Ele sintetiza três propensões ao pecado: "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16
    E por essa razão o Divino Paráclito vem em socorro dos cristãos, para ajudar a renegar às más inclinações da carne, conforme a Carta de São Paulo aos Gálatas: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne, pois são contrários uns aos outros." Gl 5,16-17
    Atestando a boa preparação espiritual da nascente Igreja, enfim, Jesus não deixa de recomendar constantes vigilância e oração a São Pedro, a São Tiago Maior e a São João Apóstolo, enquanto agonizava no Jardim das Oliveiras: "Vigiai e rezai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41
    De fato, só fielmente guardando Sua Palavra podemos resistir às inevitáveis tribulações neste mundo e na vida de todo cristão. Ele advertiu Apóstolos e discípulos em Seus últimos dias entre eles, advertindo do Juízo, seja o Particular, seja o Final: "Velai sobre vós mesmos, para que vossos corações não se tornem pesados com devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida... Vigiai todo tempo, pois, e rezai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de apresentar-vos de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,34a.36
    Ele não nos prometeu nenhum mar de rosas nesse mundo. Ao contrário, como visto, avisou-nos de grandes dificuldades! Mas pediu coragem antes de partir com Seus seguidores para o Jardim das Oliveiras, onde seria preso: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    O Apóstolo do Gentios, no mesmo sentido, ensina que é melhor enfrentar as dificuldades da realidade proposta por Deus que nos enganarmos nas ilusões do pecado: "De fato, a tristeza segundo Deus produz uma salutar penitência da qual ninguém se arrepende, enquanto a tristeza do mundo produz a morte." 2 Cor 7,10
    Ele pede uma vida em família e digna da Comunhão que professamos, e que sigamos seu exemplo de resistência ao mal: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só Espírito, unanimemente lutando pela fé do Evangelho, sem em nada vos deixardes intimidar por vossos adversários. Isto para eles é motivo de perdição, mas para vós de Salvação. E é a vontade de Deus, porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda por Ele sofrer. Sustentai o mesmo combate que me tendes visto travar, e no qual sabeis que agora continuo." Fl 1,27-30
    Aponta o caminho do amor que liberta: "Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, sede corajosos, sede fortes. E vosso proceder seja todo inspirado no amor." 1 Cor 16,13-14
    Pede orações ao romanos, para vencer reais ameaças: "Rogo-vos, irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e em nome da caridade que é dada pelo Espírito, que comigo combatei, a Deus dirigindo vossas orações por mim, para que eu escape dos infiéis que estão em Judeia e para que o auxílio que levo a Jerusalém seja bem acolhido pelos irmãos." Rm 15,30-31
    E deixa claro que não estamos autorizados a combater usando das armas do mal: "Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem." Rm 12,21
    Sobre esse assunto, a Segunda Carta de São Pedro também se mostra em perfeita sintonia com a Luz do Espírito Santo. Com razão, não somos herdeiros do mal-dizer, mas do bem-dizer: "Não pagueis mal com mal, nem injúria com injúria. Ao contrário, abençoai, pois para isto fostes chamados, para que sejais herdeiros da bênção." 2 Pd 3,9
    E este, talvez, seja o mais difícil ensinamento de Jesus: plenamente abraçar a vida espiritual. Ele pregou no Sermão da Montanha: "... amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem." Mt 5,44
    De fato, como São Paulo exortava São Timóteo fazendo lembrar seu Sacramento da Ordenação, travamos batalhas de fé: "Combate o bom combate da fé. Conquista a Vida Eterna, para a qual foste chamado e fizeste aquela nobre profissão de fé perante muitas testemunhas." 1 Tm 6,12
    Já a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomendava-lhe fugir das satânicas armadilhas, buscando abrigo na Igreja: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Ele escreveu em admoestação aos coríntios: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo. Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai a Deus, pois, em vosso corpo." 1 Cor 6,18-20
    E também aos cristãos da cidade de Colossos, apontando as verdadeiras idolatrias: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da Terra. Mortificai vossos membros, pois, no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é idolatria." Cl 3,1-2.5
    Ora, essa era uma recomendação do próprio Jesus, enquanto nos exortava a confiar na Divina Providência: "Antes buscai o Reino de Deus e Sua justiça..." Mt 6,33a
    Porque o rei Davi já cantava no Livro de Salmos: "Aparta-te do mal e faze o bem, busca a Paz e vai em seu encalço. Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e Seus ouvidos atentos a seus clamores." Sl 33,15-16


A IMPRESCINDÍVEL AJUDA DOS CÉUS
 
    Contudo, devemos lembrar que não estamos sós nesse combate. São Paulo garante aos cristãos da cidade de Tessalônica: "Mas o Senhor é fiel, e há de dar-vos forças e preservar-vos do Mal." 2 Ts 3,3
    Com efeito, Ele age através dos Anjos da Guarda, como prometeu a Moisés antes da entrada em Canaã, na leitura do Livro de Êxodo: "Vou enviar um anjo adiante de ti, para te proteger no caminho e te conduzir ao lugar que te preparei. Está de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque Meu Nome nele está." Êx 23,20-21
    Muito menos devemos resistir ao Espírito Santo, como Santo Estevão julgou e sentenciou o Conselho dos judeus. Pois além de matarem Jesus, eles continuavam perseguindo os cristãos, ou seja, a Igreja de Jesus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51
    Ao contrário, perante os cristãos da região de Galácia, São Paulo defende devemos colaborar com Ele e renunciar à carne que está fadada a fenecer: "Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção. Quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a Vida Eterna." Gl 6,8
    Em contraponto ao Antigo Testamento, ele assim se refere ao Pentecostes, que se prorroga no tempo através da Igreja e é oferecido aos cristãos pelo Sacramento da Crisma: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
    Ora, o próprio Jesus havia dito na sinagoga de Cafarnaum, quando ofereceu Sua Carne e Seu Sangue para que se tenha a Vida Eterna e muitos de Seus discípulos se escandalizaram: "... a carne de nada serve." Jo 6,63
    Referindo-se a essa sentença, São Pedro recorda o que está no Livro do Profeta Isaías, e garante a Vitória: "'Porque toda carne é como a erva, e toda sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a flor, mas a Palavra do Senhor eternamente permanece (Is 40,6s).' Ora, esta Palavra é a que vos foi anunciada pelo Evangelho." 1 Pd 1,24
    Por isso, exorta que cuidemos do que temos de mais precioso: nossa alma: "Caríssimos, rogo-vos, como estrangeiros e peregrinos nesse mundo, que vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11
    E pede vigilância e perseverança: "Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13
    Pois Nosso Senhor, instando-nos à Comunhão, Se revelou essencial a nossas vidas, momentos antes do início de Sua Paixão: "Quem permanecer em Mim e Eu n'ele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5b
    São Paulo, por fim, prega a purificação, tanto de nossa carne quanto de nosso espírito: "... purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, plenamente realizando nossa santificação..." 2 Cor 7,1
    E como perfeito imitador de Jesus, prescrevia o mesmo remédio: "Rezai sem cessar. Dai graças em todas circunstâncias, porque esta é a vontade de Deus em Jesus Cristo a vosso respeito." 1 Ts 5,17-18
    Ele era um agraciado com o dom da ciência, manifestando sua plena maturidade espiritual: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18
    E em mais uma grande síntese, São João Evangelista diz a razão da passagem de Jesus entre nós: "Eis porque o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do Demônio." 1 Jo 3,8
    Da mesma forma, milhares de Santos deixaram-nos seus testemunhos e seus exemplos. Eles nos enganariam? Jesus nos enganaria? Como podemos fugir à responsabilidade desse combate? Os seguidores da tradição de São Paulo dizem na Carta aos Hebreus: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus. Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado." Hb 12,1.4
    Eles exortam à importância da Palavra como espiritual alimento, como fonte de discernimento: "Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma profunda doutrina, porque é ainda criança. Mas o sólido alimento é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal." Hb 5,13-14
    E se a batalha parece grande demais, e numerosos são os inimigos, lembremos o que o levita Jaaziel disse aos habitantes de Judá, de Jerusalém e ao rei Josafá, quando amonitas, moabitas e maonitas se levantaram contra eles, ainda nos tempos dos primeiros reis de Israel. Está no Segundo Livro de Crônicas: "Eis o que vos diz o Senhor: 'Não temais, não vos deixeis atemorizar diante dessa imensa multidão!' Pois essa guerra não é vossa, mas de Deus." 2 Crô 20,15b
    Após uma citação de palavras de Deus ditas no Livro do Profeta Habacuc, os discípulos de São Paulo também deixaram uma frase que deve ser nosso lema: "'Meu justo viverá pela fé. Porém, se ele esmorecer, Meu Coração já não se agradará dele (Hab 2,3s).' Não somos, absolutamente, de perder o ânimo para nossa ruína. Somos de manter a fé, para nossa Salvação!" Hb 10,38-39

    "Lembrai-vos, ó Pai, de Vossa Igreja!"