quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Denominações do Espírito Santo


    Assim como aconteceu com Jesus, isto é, para muito além de todas profecias, o Espírito Santo é mais uma grande 'surpresa' de Deus, mais um extasiante capítulo da Revelação. Por mais esta Pessoa, Ele continua manifestando Seu amor e Sua presença entre nós, reconduzindo-nos a Seu Reino.
    Jesus mencionou-O por vários Nomes e de diversos modos:
    - como Promessa do Pai, no Evangelho Segundo São Lucas: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai..." Lc 24,49
    - como a Verdade, Exclusiva Graça e Eterno Companheiro da Santa Igreja Católica, no Evangelho Segundo São João: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
    - como Defensor e Consolador: "Quando o Paráclito vier, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai..." Jo 15,26
    - como Testemunha, confirmando tudo que ensinou: "... Ele dará testemunho de Mim." Idem
    - como Mestre e Conselheiro: "... ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    - como o Grande Revelador: "Entretanto, digo-vos a Verdade: convém a vós que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-Lo-ei. E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,7-8
    - como Guia da Verdade: "... o Espírito da Verdade, guiá-vos-á em toda Verdade..." Jo 16,13
    - como permanente Esclarecedor da Verdade pelos séculos: "... e anunciá-vos-á as coisas que virão." Idem
    - como o próprio interlocutor do Pai, nos católicos, para testemunhar Cristo frente aos poderes do mundo, e assim ao mundo. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de Vosso Pai que falará em vós." Mt 10,20
    - ou por Seu mais significativo Nome, que entre nós inaugura a Eternidade: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." Mt 12,28


    Aliás, junto a Jesus e com este Nome, Ele mostrou-Se em corpórea forma na primeira cena de conjunta manifestação da Santíssima Trindade nas Escrituras: "Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água. Eis que os Céus se abriram e sobre Ele se viu descer, em forma de Pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17
    O Livro do Profeta Isaías, ao anunciar que Ele ungiria Jesus, listou Seus dons: "Um Renovo sairá do tronco de Jessé, e um Rebento brotará de suas raízes. Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de Sabedoria e de inteligência, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, Espírito de temor ao Senhor." Is 11,1-2
    Ao iniciar Sua vida pública, de fato, Nosso Senhor leu o Livro deste Profeta. É o 'discurso inaugural' de Sua Missão: "Dirigiu-Se a Nazaré, onde Se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo Seu costume, e levantou-Se para ler. Foi-Lhe dado o Livro do Profeta Isaías. Desenrolando o Livro, escolheu a passagem onde está escrito: 'O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos e publicar o ano da Graça do Senhor (Is 61,1-2).'" Lc 4,18-19
    Isaías ainda O apresentou como Guia de Israel, como se deu durante o Êxodo: "... o Espírito do Senhor levava-os ao repouso. Foi assim que conduzistes Vosso povo, para afirmar Vosso Glorioso Nome." Is 63,14b
    No Livro de Jó, um de seus amigos faz lembra o 'Ruah', o Sopro de Deus nas narinas do homem de barro (cf. Gn 2,7): "Foi o Espírito de Deus que me fez, e o Sopro do Todo-Poderoso que me deu a vida." Jó 33,4
    Mas Ele já havia sido identificado como o 'Espírito de Elias', logo após este grande Profeta ter sido arrebatado aos Céus. Está no Segundo Livro de Reis: "Os filhos dos Profetas que estavam em Jericó, vendo o que acontecera defronte deles, disseram: 'O Espírito de Elias repousa em Eliseu.'" 2 Rs 2,15a
    E também repousaria sobre São João Batista, como o sacerdote São Zacarias, seu pai, profetizou, como o Livro do Profeta Malaquias havia prometido (cf. Ml 3,23): "... e irá adiante de Deus com o Espírito e poder de Elias, para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à Sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." Lc 1,17
    Ou bem antes, foi identificado como o Espírito que animava o próprio Moisés, conforme o Livro de Números: "O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Tomou uma parte do Espírito que o animava e pô-la sobre os setenta anciãos. O Espírito apenas repousara sobre eles, começaram a profetizar. Mas não continuaram." Nm 11,25
    De fato, por Ele falavam os Profetas, como vemos nessa palavra a Josué, que queria proibir que outras pessoas, além dos setenta, profetizassem: "Moisés, porém, respondeu: 'Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo povo do Senhor profetizasse, dando-lhe o Senhor Seu Espírito!'" Nm 11,29
    Dando voz a Deus, portanto, o Livro do Profeta Zacarias assim O nomeou: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim." Zc 12,10
    O Livro do Profeta Joel, também falando por Deus e acenando para o Pentecostes, dia do nascimento da Santa Igreja, nomeia-O 'Meu Espírito': "Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, também derramarei Meu Espírito sobre os escravos e as escravas." Jl 3,1-2
    O Livro do Profeta Neemias anuncia-O como a Prudência de Israel: "Deste-lhes de Vosso Bom Espírito para os tornar prudentes..." Ne 9,20a
    O Livro de Sabedoria associa-O à própria Sabedoria, e a Seu dom de instruir: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da falsidade, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5
    E discorrendo sobre ela mesma, acaba por fazer a mais completa lista de atributos do Divino Paráclito: "Há nela, com efeito, um Espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que tudo pode, que de tudo cuida, que em todos espíritos penetra, os inteligentes, os puros, os mais sutis." Sb 7,22-23
    Também O evoca por Sua incorruptibilidade e Sua presença em todo ser vivo, pela Onipresença e pelo dom da vida: "Vosso Incorruptível Espírito está em todos." Sb 12,1
    Ou por Seu poder de Comunhão: "Com efeito, o Espírito do Senhor enche o universo, e Ele, que tem unidas todas coisas, ouve toda voz." Sb 1,7
    Comunhão também registrada na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, deixando uma frase que se tornou saudação do Sacerdote na Santa Missa: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13
    Aliás, amor de Deus que também nos vem por Ele: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b
    Ora, contra toda desventura nesse mundo, como o próprio Sacrifício de Cristo, (cf. Jo 13,31), a Primeira Carta de São Pedro via n'Ele a própria Glória de Deus: "Se fordes ultrajados pelo Nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de Glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós." 1 Pd 4,14
    No Livro de Atos dos Apóstolos, o Amado Médico chama-O por um novo, mas bem conhecido e singular Nome: "Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7
    Os seguidores da tradição de São Paulo, exaltando a dádiva que nos é o Sacrifício Pascal, evocam Sua eternidade na Carta aos Hebreus: "... quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Eterno Espírito Se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará nossa consciência das mortas obras para o serviço do Deus Vivo." Hb 9,13-14
    O Apóstolo dos Gentios acrescenta outros Nomes, evocando:
    - Seu poder de santificar, como a Carta de São Paulo aos Romanos traz: "... que, segundo o Espírito de Santidade, foi (Jesus) estabelecido Filho de Deus no poder por Sua Ressurreição dos mortos..." Rm 1,4
    - a Nova e Eterna Vida que Ele possibilita pelo Novo Testamento, em contraposição ao Antigo:"A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    - o próprio Salvador: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9
    - a Divina Filiação de Jesus, como está na Carta de São Paulo aos Gálatas: "A prova de que sois filhos é que Deus enviou a vossos corações o Espírito de Seu Filho..." Gl 4,6
    - nossa Divina Filiação, como adotados (cf. Ef 1,5): "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão, para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo qual clamamos: 'Aba! Pai!'" Rm 8,15


O AUTOR DA GRAÇA

    Enfim, só por Sua Onisciência nos é concedido entender as manifestações de Deus, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revela: "Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus: ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que deve ponderá-las." 1 Cor 2,11.14
    Ele é Quem anunciava a Paixão e a Ressurreição de Cristo aos Profetas, no Antigo Testamento, como o Príncipe dos Apóstolos confirmou: "Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, assim como as Glórias que deviam segui-los." 1 Pd 1,11
    Ele é que nos faz perceber a Divindade de Jesus, segundo São Paulo: "... e ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3b
    Ele é o instaurador da Igreja Católica, pois já nasce falando para o mundo todo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu toda casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4
    Ele é que tem ordenado os Bispos desde então, como São Paulo, chamando Jesus de Deus, disse aos anciãos, nossos atuais presbíteros, ou padres: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Aliás, Ele ilumina Seus Sacerdotes para uma compreensão muito além da literalidade da Bíblia: "Ele é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6
    Assim como ilumina todos membros da Igreja: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3
    Só por Ele que podemos fazer parte do Corpo Místico de Cristo, isto é, da Igreja Viva, que é o que consta na Carta de São Paulo aos Efésios: "É n'Ele (Cristo) que vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a morada de Deus." Ef 2,22
    Ele quer morar em nossos corações, fazendo de nós vivos sacrários: "Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" 1 Cor 3,16
    É exclusivamente por Ele que podemos viver a vida espiritual: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós." Rm 8,9a
    Estamos, portanto, sob Seu Tempo, Seu Glorioso Ministério, muito além da Revelação iniciada no Antigo Testamento: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito? Se o ministério da condenação já foi glorioso, muito mais há de sobrepujá-lo em Glória o Ministério da Justificação! Aliás, sob esse aspecto e em comparação desta eminentemente superior Glória, empalidece a Glória do primeiro ministério. Se o transitório era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece!" 2 Cor 3,7-11
    Porque é Ele que nos purifica: "Mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em Nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de Nosso Deus." 1 Cor 6,11b
    Ele é nosso Divino Condutor: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14
    Ele anima-nos crer, como São Paulo afirma citando o sagrado autor do Livro de Salmos: "Animados pelo mesmo Espírito de fé, conforme está escrito: 'Eu cri, por isto falei' (Sl 115,1), nós também cremos, e por isso falamos." 2 Cor 4,13
    Ele traz-nos a mansidão e a prudência diante do Mal: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1
    Ele concede-nos Sabedoria para compreender a Revelação: "... suplicando ao Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Glorioso Pai, que vos dê o Espírito de Sabedoria e de Revelação, para que verdadeiramente O conheçais." Ef 1,17
    Ele permite-nos preservar e perseverar na Palavra de Deus. É leitura da Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14
    Ele dá-nos vigor, afetuosidade e temperança: "Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação." 2 Tm 1,7
    Ele socorre-nos, conforme a Carta de São Paulo aos Filipenses, que diz do anúncio do Evangelho: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças a vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19
    Ele faz-nos proclamar nossa fé, como a Primeira Carta de São João explica: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus..." 1 Jo 4,2
    Ele é o visível sinal de nossa Comunhão em Cristo: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Assim como Jesus (cf. Jo 14,6), Ele é a própria Verdade: "Ei-lo, Jesus Cristo, Aquele que veio pela Água e pelo Sangue. Não só pela Água, mas pela Água e pelo Sangue. E o Espírito é Quem d'Ele dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade." 1 Jo 5,6
    Ele faz-nos participar da Santa Missa e das celebrações de Sua Igreja, na lição de São Paulo ao falar dos judeus: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, sem confiamos na carne." Fl 3,3
    Ele faz-nos férteis para a obra de Deus: "... o fruto do Espírito é caridade, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, domínio de si." Gl 5,22-23
    Ele anima-nos com Seu salvífico amor, nas palavras da Carta de São Paulo aos Colossenses: "Foi ele (Epafras) quem nos contou sobre o amor com que o Espírito vos anima." Cl 1,8
    Ele é Quem distribui os divinos dons: "Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,11
    Ele é a garantia de nossa Ressurreição: "Se em vós habita o Espírito d'Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, Ele, que dos mortos ressuscitou Jesus Cristo, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11
    Ele é nosso selo, ainda que muito sensível: "Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção." Ef 4,30
    Mas talvez Seu mais poderoso título tenha sido dado pelos discípulos de São Paulo: "... o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29

    "Vosso Espírito una-nos num só Corpo!"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Santo Tomás de Aquino


     Tommaso d'Aquino nasceu em data desconhecida, entre o ano de 1224 e 1225, no castelo de Roccasecca, um dos feudos da família Aquino, no centro de Itália, a meio caminho de Roma a Nápoles. Aos 5 anos foi estudar no Mosteiro de Monte Cassino, a mais conhecida abadia beneditina, fundada pelo próprio São Bento, que teve Santo Amaro como primeiro abade. Foi oblato, portanto, até os 14 anos, quando o enviaram à Universidade de Nápoles e aí ele conheceu a congregação recém-fundada por São Domingos, chamada Ordem dos Pregadores. Em 1244 torna-se um frade dominicano, já perfeitamente consciente de que sua vocação era ser professor.
    Mas sua mãe usava de todas suas influências para o fazer abade em Monte Cassino, visando a importância política dessa função, pois representava o maior sinal do poder do Papa na região. E como encontrava a maior resistência na própria vontade de Santo Tomás, quando o mestre geral da ordem o enviou a Paris, para concluir os estudos, seus irmãos sequestraram-no no caminho e por um ano mantiveram-no preso no castelo da família, chegando até a colocar uma bela mulher em seu quarto para pervertê-lo. Tudo debalde.
    Entre 1245 e 1248 estudou em Paris com talvez o maior sábio de Deus à época, Santo Alberto Magno, que ao ser nomeado dirigente da escola dos dominicanos na cidade de Colônia, em terras de atual Alemanha, o levou consigo, e aí ficou como seu discípulo e colaborador até 1252. Em tão lúcida companhia, pôde estudar todas ciências de seu tempo.
    Santo Tomás foi novamente enviado a Paris para obter o grau de doutor, mas destacou-se tanto ao defender suas teses que acabou tirando muitos alunos de professores não religiosos, o que provocou ciúme e forte oposição às ordens dominicana e franciscana, únicas que ensinavam em Paris. As disputas acirraram-se e, pela polêmica criada, ele e São Boaventura, franciscano que também seria reconhecido como Doutor da Igreja, acabaram não recebendo o título de licenciatura ao fim do curso. Como se vê, o despeito dos 'intelectuais' franceses para com os religiosos não é novidade.
    Como resposta, Santo Tomás convidou todos professores para debates abertos, cujos os temas seriam escolhidos na hora pelos próprios estudantes e assistentes. A ideia foi bem acolhida e os debates tornaram-se um sucesso: foram 253 num período de 3 anos. Sobre os temas abordados, nosso Santo escreveu seus primeiros livros: 'Questões disputadas', 'de Veritate', e 'Quodlibeta'.


    O mais importante dessa experiência, porém, é que ficou provado que os professores religiosos também poderiam ensinar sem serem acusados de confundir religião com ciência. Por fim, a Santo Tomás foi concedido não apenas a licenciatura e o título de doutor: foi convidado para assumir a cátedra de Teologia, na qual permaneceu entre 1257 e 1259.
    Em 1260, o Papa Alexandre IV convidou-o para ensinar Teologia na Escola Pontifícia, e aí permaneceu até 1265, período em que também foi conselheiro pessoal dos Papas Urbano IV e Clemente IV. Entre 1265 e 1267 foi professor de Filosofia e Teologia na Universidade de Roma, e ainda ensinou em outras duas das maiores universidades de Itália a seu tempo: as de Bolonha e de Nápoles.
    Por esses anos, foi-lhe oferecido o encargo de abade no mosteiro de Monte Cassino, que era o sonho de sua família, e com o inédito privilégio de poder continuar sendo dominicano. Contudo, em nome da continuidade de seus estudos, São Tomás recusou-o. Ofereceram-lhe, em seguida, o Arcebispado de Nápoles, e mais uma vez ele declinou.
    A pedido do Papa Urbano IV, especializou-se na filosofia de Aristóteles, até então incompatível com a Teologia Cristã, e desse estudo ele publicou 13 comentários sobre os livros 'Física', 'Metafísica', 'Ética', 'Política' e 'Sobre a Alma', nos quais desenvolveu e aperfeiçoou as ideias neles contidas, baseando-se nos próprios princípios deste antigo filósofo grego e deles usando até como mais rigor, quando magistralmente demonstrou que elas conduziam e tinham seu ápice na Revelação do Cristo.
    Apesar desse extenso trabalho, no mesmo período escreveu a 'Summa contra os gentios', onde faz uma brilhante exposição da Doutrina Cristã e por ela exorta árabes e judeus à conversão. Também escreveu 'Contra os erros dos gregos', e comentou vários Livros da Bíblia. Ainda em 1265 começou a escrever a vastamente conhecida 'Summa Teológica', talvez sua maior obra, só terminada em 1273, onde esplendorosamente expõe o Catolicismo.
    Mas suas ideias todavia não tinham posto fim às discussões sobre o papel da Filosofia como instrumento da Teologia. Foi enviado à Universidade de Paris, em 1269, para explicar seus 'Comentários a Aristóteles' frente a 3 divergentes grupos de estudiosos católicos, que viviam em angustiantes contradições teóricas. Mais uma vez, Santo Tomás triunfou em longos e disputados debates, onde se expôs com seu já tradicional e absoluto respeito aos adversários, ou seja, humilde e serenamente, fazendo puro uso do conhecimento e do raciocínio.


    Terminada sua missão em Paris, foi enviado a Nápoles em 1272 para coordenar o Studium Generale da ordem dominicana. Era, desde 1271, conselheiro para Teologia do Papa Gregório X. Havia muito também era conselheiro pessoal de São Luis, rei de França. Sempre foi um simples, disciplinado e caridoso frade, obediente inclusive aos que não lhe eram superiores.
    É Doutor da Igreja com três títulos: "Doctor Angelicus", "Doctor Communis" e "Doctor Universalis". Doutor Angélico porque foi considerado um anjo que trouxe à luz grandes e importantes capítulos da Revelação, Doutor Comum porque a clareza de suas exposições alcança qualquer pessoa e Doutor Universal porque foi professor em tudo, todas áreas de conhecimento a sua época, mais que um polímata. Sua meta de vida era "... oferecer aos outros os frutos da contemplação."
    Sua inspiração levou-o em realmente muito altos voos, e é patente em suas reflexões:

    "O estudo da Filosofia não tem por objeto saber o que os homens pensavam, e sim qual é a Verdade das coisas."
    "Os inatos princípios na razão demonstram-se verdadeiros ao ponto de não ser possível pensar que eles sejam falsos."
    "Era necessário à Salvação dos homens que houvesse uma doutrina revelada por Deus, além das disciplinas filosóficas que investigam a razão humana."
    "A tarefa do teólogo: estudar Deus e Sua Revelação, e em seguida todas demais coisas 'à luz de Deus' (sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e fim de tudo."
    "A fé aperfeiçoa a condição de entendimento da razão, e a razão é o argumento aceito por todos homens para esclarecer os assuntos da fé."
    "Devemos acreditar mais nas verdades da fé que nas coisas que vemos, porque a vista do homem pode falhar, mas a ciência de Deus sempre é infalível."
    "Pois muito mais grave é corromper a fé, da qual vem a vida da alma, que falsificar dinheiro, pelo qual a vida temporal é sustentada."
    "Ensinar alguém para o trazer à fé é tarefa de todo e qualquer pregador, e até de todo e qualquer crente."
    "O maior bem que podemos fazer a um homem é levá-lo à Verdade."
    "A felicidade última do homem é a contemplação da Verdade."
    "O fim último do universo é o bem do entendimento, que é a Verdade."
    "A Verdade é a adequação entre a coisa e o intelecto."
    "É, com efeito, natural ao homem aspirar ao conhecimento da Verdade."
    "Tu não possuis a Verdade, mas é a Verdade que te possui."
    "A Verdade exclui toda falsidade e dissipa as dúvidas."
     "Não se opor ao erro é aprová-lo. Não defender a Verdade é negá-la. E nossa negligência em defender a Verdade, quando podemos fazê-lo, é tão pecado quanto incentivar o erro."
    "Presta atenção não em quem diz, mas no que de bom se diga e guarda na memória."
    "Tem sempre diante de ti o olhar dos mestres."
    "Não deixes de imitar a conduta dos Santos e dos homens de bem."
    "A humildade é o primeiro degrau para a Sabedoria."
    "A humildade faz o homem capaz de Deus."
    "Humildade é a virtude que freia no homem o desejo de elevar-se além do que merece."
    "Toma cuidado com o homem de um só livro."
    "São chamados cismáticos aqueles que se recusam a submeter-se ao Sumo Pontífice, e aqueles que se recusam a viver em comunhão com os membros da Igreja, a ele sujeitos."
    "Todo ser humano possui livre-arbítrio. De outra forma, os conselhos, exortações, preceitos, proibições, recompensas e punições seriam todos sem propósito..."
    "A Graça não destrói a natureza, antes a aperfeiçoa."
    "Aqueles que estão na Graça, quanto mais se aproximam do fim, mais devem crescer em espiritualidade."
    "Justiça sem Misericórdia é crueldade."
    "Abomino os pecados, embora ame os pecadores."
    "A caridade, por menor que seja, resiste a qualquer pecado."
    "Pela caridade o homem é posto na mesma realidade divina, fazendo-se Um com Ele."
    "O desordenado amor por si mesmo é a causa de todos pecados."
    "A oração liberta-nos do medo dos pecados que virão, das tribulações e da tristeza."
    "O mais específico ato da fortaleza, mais que atacar, é aguentar, isto é, manter-se imóvel em face do perigo."
    "Não devemos temer as aflições e tribulações do mundo, que são facilmente suportadas por causa das consolações que Deus mistura a elas e também por causa de sua pouca duração."
    "A ligeira tribulação do presente momento prepara para nós um eterno peso de Glória, além de toda medida. Pois é a tribulação que nos faz alcançar a Vida Eterna."
    "Deus tira o bem de todos males, tentações e tribulações."
    "As outras virtudes servem-se dos bens, mas a paciência é a única que tira proveito dos males."
    "Um homem é chamado paciente não porque foge do mal, mas porque suporta um presente mal de honroso modo, isto é, sem ficar indevidamente triste por isso."
    "Sofrermos com paciência as injúrias que nos atingem, é digno de louvor. Mas é excesso de impiedade pacientemente tolerar as injúrias feitas contra Deus."
    "Se a principal meta de um capitão fosse preservar seu barco, para sempre ele o conservaria no porto."
    "Quem diz verdades perde amizades."
    "Onde está a verdadeira amizade, aí está o mesmo querer e o mesmo não querer, tanto mais agradável quanto mais sincero."
    "A amizade é a fonte dos maiores prazeres e, sem amigos, até as mais emocionantes buscas tornam-se tediosas."
    "A amizade diminui a dor e a tristeza."
    "O amigo é melhor que a honra, e o ser amado, melhor que o ser honrado."
    "A lei humana não deve controlar a intimidade do homem."
    "A ninguém te mostres muito íntimo, pois a excessiva familiaridade gera desprezo."
    "O brincar é necessário para a conservação da vida humana."
    "A inveja é uma tristeza pela glória do outro."
    "Nenhum homem possui verdadeiramente a alegria a menos que ele viva apaixonado."
    "O amor é a alegria pelo bem; o bem é único fundamento do amor. Amar significa querer fazer o bem para alguém."
    "As coisas que amamos dizem-nos o que somos."
    "O amor é o desejo de eternidade do ser amado."
    "Enquanto o humano amor tende a apossar-se do bem que encontra em seu objeto, o divino amor cria o bem na criatura amada."
    "De fato, qualquer coisa está otimamente disposta quando está convenientemente ordenada o seu fim."
    "A beleza é a marca do que é bem feito, seja um universo, seja um objeto."
    "A arte é a correta razão na execução de um trabalho."
    "Não posso mais. Tudo que escrevi parece-me palha perto do que vi."
    "O Demônio faz duas coisas: engana o homem e conserva-o enganado em seu pecado."
    "A Bem-Aventurada Virgem Maria é o modelo e o exemplo de todas virtudes."
    "O nome de Maria em siríaco significa soberana, o que perfeitamente lhe convém."
    "A Virgem ultrapassa os anjos em sua intimidade com o Senhor."
    "Em todos perigos, podemos obter o auxílio desta Gloriosa Virgem."
    "Eu daria toda minha ciência teológica pelo valor de uma única Ave Maria."

    "A Comunhão destrói a tentação do Demônio."
    "O martírio não é nada em comparação à Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece a Deus sua vida. Na Santa Missa, porém, Deus dá Seu Corpo e Seu Sangue em sacrifício aos homens."
    "Se o homem reconhecesse o mistério da Santa Missa, no qual Deus dá Seu Corpo e Seu Sangue em sacrifício aos homens, morreria de amor."
    "O Espírito Santo está em Maria como em Seu Templo, onde opera."
    "O Espírito Santo faz-nos retamente amar, desejar e pedir o que nos convém amar, desejar e pedir."
    "O Espírito Santo, de um lado, dá força para impedir que o homem desfaleça por medo de não ter o necessário, e por outro lado, para que o homem firmemente creia que Deus o proverá de tudo que precisar."
    "Três coisas são necessárias para a Salvação do homem: saber o que deve crer, o que deve querer, o que deve fazer! Crer em Deus Pai... querer a Vida Eterna (Jesus Cristo) e, fazer o bem."
    "Com a vitória da Cruz, Cristo adquiriu para Si o poder e o domínio sobre todos povos."
    "Assim como Cristo aceitou a morte corporal para nos dar a vida espiritual, assim também suportou a pobreza temporal para nos dar as riquezas espirituais."
    "Toda e qualquer coisa real possui a Verdade de sua natureza na medida em que imita o saber de Deus."
    "Uma coisa não é justa porque Deus quer, mas Deus quer a que é justa."
    "De Deus nós sabemos que existe, que é causa de todos seres e que é infinitamente superior a tudo. Isto é a conclusão e o ponto culminante de nosso saber nesta vida terrena."
    "Deus é um ato puro e não em potência, Ele tem em Si um ativo e infinito poder sobre todas outras coisas."
    "Rogo a Deus como se d'Ele tudo esperasse, mas trabalho como se Ele tudo esperasse de mim."
    "Dai-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir..."
    "Afastai para longe de mim a dupla obscuridade na qual nasci: o pecado e a ignorância."

    Em 1274 foi enviado pelo Papa Gregório X para os atos preparatórios do Segundo Concílio de Lyon, mas morreu logo que se pôs a caminho, ainda no mosteiro de Fossa Nova, próximo à comuna de Priverno, província de Latina, em Lácio, região no centro oeste de Itália, que tem Roma ao centro. Tinha 49 anos.


    Em conhecimento teórico, é considerado pela Santa Igreja como o sucessor de São Paulo e de Santo Agostinho. O Papa Pio XI dizia: "A todos quantos agora sentem sede da Verdade, dizemos-lhes: Ide a Tomás de Aquino."
    Suas relíquias estão expostas sob o altar da igreja do Convento de São Tiago Maior, da Ordem dos Frades Pregadores, em Toulouse, sul de França. De seu antigo e belíssimo mausoléu, destruído durante a tresloucada e sanguinária Revolução Francesa, restou apenas uma gravura.


    Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!