sexta-feira, 31 de maio de 2024

Nossa Senhora da Visitação


    Assim narra São Lucas a Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel:

    "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe:
    - Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo!
    Perturbou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar o que significaria tal saudação. O anjo disse-lhe:
    - Não temas, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, e pô-Lhe-ás o Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim.
    Maria perguntou ao anjo:
    - Como se fará isso, pois não conheço homem?
    Respondeu-lhe o anjo:
    - O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com Sua sombra. Por isso, o Santo Ente que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Isabel, tua parenta, também concebeu um filho em sua velhice. E já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
    Então disse Maria:
    - Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.
    E o anjo afastou-se dela.
    Naqueles dias, Maria levantou-se e às pressas foi às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.
    Ora, Isabel apenas ouviu a saudação de Maria e a criança estremeceu em seu seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz:
    - Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem esta honra? De vir a mim a Mãe de Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu-se de alegria em meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois da parte do Senhor hão de cumprir-se as coisas que te foram ditas!
    E Maria disse:
    - Minha alma glorifica ao Senhor,
    meu espírito exulta de alegria em Deus, Meu Salvador,
    porque olhou para sua pobre serva.
    Por isto, desde agora todas gerações
    proclamá-me-ão bem-aventurada,
    porque em mim realizou maravilhas Aquele que é poderoso.
    Seu Nome é Santo,
    e Sua Misericórdia estende-se de geração em geração
    sobre os que O temem.
    Manifestou o poder de Seu braço,
    desconcertou os corações dos soberbos.
    Derrubou do trono os poderosos
    e exaltou os humildes.
    Saciou de bens os indigentes
    e despediu de mãos vazias os ricos.
    Acolheu a Israel, Seu servo,
    lembrado de Sua Misericórdia,
    conforme prometera a nossos pais,
    em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

    Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa." 
                                                 Lc 1,26-56


NOSSA MÃE EM VISITAÇÃO POR MUNDO TODO

    Avisada pelo Arcanjo São Gabriel da gravidez de sua parenta, Maria viajou aproximadamente 100 quilômetros em companhia de São José para visitá-la, numa cidade das montanhas de Judá. Ou seja, além da radiante alegria que por tão grandes Graças partilhavam entre si, mesmo durante a gravidez que traria ao mundo o Salvador ela não poupou esforços para servir a quem precisava. Ciosa dos cuidados da casa de Santa Isabel em tão especial momento, Nossa Senhora aí ficou até o Nascimento de São João Batista.
    Mas as visitações de Nossa Senhora não parariam por aí. Nem seus primorosos auxílios. Recordando o casamento em Caná da Galileia, Maria estava lá com Jesus e Seus discípulos. E sempre muito atenciosa e prestativa, Nossa Mãe percebeu que o vinho tinha acabado e avisou a Jesus, o único que poderia evitar uma vexaminosa situação para a família dos noivos. Como Deus, Ele já sabia do embaraço, mas não planejava manifestar-Se publicamente ali, e chegou a alegar que Sua hora ainda não havia chegado.
    Maria, entretanto, por compaixão à família amiga não media esforços. E instou que Jesus usasse de Seus divinos dons, com os quais ela já estava bem acostumada. Nesses dias falava alto seu coração de Mãe, não somente do Messias, mas, em seus primeiros raios, Mãe de toda humanidade. Sem dúvida, após Seu Batismo por São João no Jordão, ela sabia que a vida pública de Seu Filho já havia iniciado, e por isso não se contentou com a explicação que Ele lhe deu: tratou de avisar os serviçais.
    Dada a tão especial natureza de Jesus, os noivos e seus familiares deveriam ser Seus potenciais seguidores, pois fizeram questão de tê-Lo presente mesmo com quase todos Doze Apóstolos, a exceção de São Mateus. E como Maria, além de Perfeita Mãe, era a primeiríssima seguidora de Jesus, lá estava ela, silente, ouvindo cada palavra do Salvador, embora sempre igualmente atenta às alheias dificuldades.
    Ou se os noivos e familiares apenas eram íntimos amigos da Sagrada Família, pois Caná ficava a apenas 8 km de Nazaré, por certo fizeram questão da presença de Maria, atitude que é para todos nós um belo exemplo. Além da harmoniosa e santa interação ente ela e Seu Filho, eles já tinham uma razoável ideia de quem seria aquela flor, a Bem Aventurada, como dissera Santa Isabel.
    Nossa Mãe, contudo, foi muito além em suas visitações. Bem mais que as peregrinações junto a Seu Filho, enquanto Ele estava entre nós, ou junto aos Apóstolos, após Sua Ascensão, que inicialmente se detiveram em Jerusalém.
    Ela já visitou todos continentes por meio de esplendorosas manifestações que são suas Aparições. Aonde pelo mundo foram seus laboriosos filhos, os Sacerdotes, lá ela aparecia para ajudá-los na conversão e Salvação das almas. Veio ao México nos primeiros anos do descobrimento das Américas, em Guadalupe, estabelecer contato com os indígenas, assim como à América do Sul, a Quito, ainda nos anos de 1500, para alertar-nos dos difíceis séculos que se seguiriam.
    A Europa já é um privilegiado lugar com tantas visitas. Também apareceu na África, especialmente em Ruanda, quando tentou evitar o recente e terrível genocídio. Esteve, da mesma forma, na Ásia e na Oceania.
    Seus constantes cuidados, porém, terminam por 'atordoar' os religiosos que precisam dar a palavra final da Igreja a respeito da veracidade das Aparições. Por todo mundo, são listadas mais de 400 só no século passado. Por isso, na década de 1960, diante de tão frequentes afagos da Mãe do Céu, as autoridades eclesiais viram-se na obrigação de simplesmente autorizar a peregrinação e o culto em todos locais onde houver relatos de Aparição, apenas bastando que as mensagens a ela atribuídas não estejam em discordância com a Revelação, com os ensinamentos da Santa Igreja.
    É muito séria e complexa a tarefa de confirmação das aparições e de cada uma de suas mensagens. O certo é que temos muito especial e extremamente benevolente Mãe, correndo o mundo em socorro de seus filhos. E como se pode imaginar, nem todas aparições trazem novas revelações em suas mensagens, mas, mais frequentemente, trata-se de manifestações locais, com específicos objetivos para aquelas pessoas, história e época.
    Das mais recentes, entretanto, junto à Aparição de Medjugorje uma das mais importantes é Aparição de Akita, no Japão, em 1973, cuja mensagem teve aprovação da Igreja e é uma evidente continuação da Aparição de Fátima, como testemunhou a vidente, Irmã Agnes Sasagawa:


     O próprio Bispo de Niigata, antes de aposentar-se, viu-se obrigado a deixar seu relato, que pode ser visto neste sítio: https://www.adf.org.br/home/aparicoes-de-nossa-senhora-em-akita-i/
    Assim é Nossa Senhora da Visitação, Nossa Mãe sempre tão ativa e presente apesar de requisitada a cada instante por todos cantos do mundo. Esses fenômenos são muito mais que simples maternal carência de humildes pessoas, como pretendem alguns incrédulos. A gritante Verdade é que boa parte da humanidade claramente percebe seus sobrenaturais cuidados. A quantidade de relatos é praticamente infindável.
    Mas nós podemos e devemos adiantar-nos e poupar-lhe algum esforço. Basta que obedeçamos a Seu Amado Filho e ajudemos a cuidar de nossos mais necessitados irmãos, seus filhos, e que, em agradecimento por seus silenciosos e constantes cuidados, diariamente dirijamos a ela nossas preces para manifestar-lhe amor. Pois com tantos e tão carentes filhos para cuidar, é muito bom que ela não tenha que se preocupar também conosco.
    Ainda podemos, e também devemos, imitá-la em seu maior exemplo como Filha da Deus, oferecendo-nos para mais intensamente trabalhar nas obras do Reino de Seu Filho. Após o anjo ter-lhe anunciado a Concepção do Messias em Seu ventre, ela prontamente respondeu com seu obediente e prestativo amor: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra." Lc 1,38

    Nossa Senhora da Visitação, rogai por nós!

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Corpus Christi


    Como é sabido, na Quinta-Feira Santa, durante a Santa Ceia, Jesus ofereceu Seu Corpo como o Pão da Vida. Bem antes, porém, por ocasião da multiplicação dos pães e dos peixeis, Ele havia afirmado na sinagoga de Cafarnaum: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51
    Em 1209, na Bélgica, Santa Juliana de Mont Cornellieu, freira agostiniana, começou a ter visões que pediam à Igreja uma festa para o Santíssimo Sacramento incluída no Calendário Litúrgico. No ano de 1230, por graça da Divina Providência, ela teve a oportunidade de confidenciar suas visões ao arquidiácono de Liège, que viria a ser o Papa Urbano IV. E a partir daí se iniciaram as Procissões de Corpus Christi.
    Na Itália, em Bolsena, no ano de 1263, o padre Pietro de Praga, que duvidava que na Eucaristia estivessem realmente transubstanciados o Corpo e o Sangue de Cristo, ao elevar a Hóstia Consagrada viu dela sair Sangue e cair sobre o linho litúrgico. Esse linho foi levado a Orvieto, residência de Urbano IV, que à época já era o Sumo Pontífice. Não restava mais dúvida para ele: Deus manifestamente pedia uma festa para o Santíssimo Sacramento. E em 11 de agosto de 1264, registrou em bula papal a Festa de Preceito para homenagear o Corpo de Cristo.
    O linho com as marcas do Preciosíssimo Sangue de Jesus está exposto na Catedral de Orvieto.


    Três das quatro pedras de mármore do altar, que fora banhado pelo Sangue que corria da Hóstia, são devidamente preservadas como relíquias no Tabernáculo da Basílica de Santa Cristina, em Bolsena, que remonta o século XI.


    O Milagre Eucarístico, no entanto, não aconteceu apenas em Bolsena. Já se havia dado em Lanciano, também na Itália, por volta do ano 700. E aí não apenas saiu Sangue da Hóstia Consagrada, mas toda ela tornou-se Carne e ainda resiste incorrupta através dos tempos.
    Foi analisada em 1971 e atestada como músculo cardíaco: contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo. O sangue é humano do tipo AB, e, apesar de mais de 13 séculos, cuja conservação é outro milagre, ainda mantém fresca constituição, como se houvesse recém-saído de uma pessoa viva.
    Ela encontra-se exposta no Santuário Eucarístico de São Francisco, em Lanciano.
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    E esse determinante sinal de Deus também se deu em muitos outros lugares através dos séculos, em mais de uma centena deles. Ou seja, o mundo não pode dizer-se alheio à patente realidade do Corpo e o Sangue de Cristo no Santíssimo Sacramento.
    Citando os mais conhecidos, temos várias cidades da Itália, como Trani, Rimini, Alatri, Firenzi, Valvasone e Gruaro, Siena, Macerata, Bagno di Romagna, Torino, Veroli, Mogoro, Patierno e San Mauro La Bruca.
    Na França em Blanot, Faverney e Pressac, na Alemanha em Walldürn, na Holanda em Alkmaar e Amsterdam, na Polônia em Cracóvia e Poznań, em Portugal em Santarém, na Espanha em O Cebreiro e Ivorra, na Áustria em San Georgenberg-Fiecht, na Suíça em Ettiswil, na Bélgica em Bois-Seigneur-Isaac, e na atual Croácia em Ludbreg.
    O Milagre do Juazeiro, que popularmente consagrou o Padre Cícero, também foi um Milagre Eucarístico, que, aliás, se repetiu por várias vezes diante de muitas testemunhas, sempre na boca da beata Maria de Araújo.
    Quanto à Transubstanciação, pois, que em toda Santa Missa ocorre no momento da consagração da Hóstia, não há dúvida: o pão e o vinho oferecidos no altar realmente transformam-se em Corpo e Sangue de Cristo. O fato é que alguns ainda teimam em não acreditar na própria Palavra de Jesus, que expressamente havia dito: "Pois Minha Carne é verdadeiramente uma comida e Meu Sangue, verdadeiramente uma bebida." Jo 6,55
    Ora, é por Sua Carne e por Seu Sangue que nos é concedida a Graça da Comunhão com Deus: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56
    E Ele havia advertido: "Disse-lhes então Jesus: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,53
    É o Pão de Céu, portanto, exclusivamente celebrado pela Igreja de Jesus, que devemos buscar como verdadeiro alimento. Foi isso que Ele disse à multidão, após a multiplicação dos pães e dos peixes: "Respondeu-lhes Jesus: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: buscais-Me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal.'" Jo 6,26-27
    São Paulo exorta: "Pois Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, então, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8
    E nestes termos ele explica a celebração do Santíssimo Sacramento, invocando a Sagrada Tradição, ou seja, a fiel retransmissão dos ensinamentos de Jesus: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-O e disse: 'Isto é Meu Corpo, que é entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o Cálice, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança no Meu Sangue. Todas vezes que O beberdes, fazei-o em memória de Mim.' Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha." 1 Cor 11,23-26
    Mas também adverte do necessário exame de consciência, que pode recomendar o Sacramento da Confissão: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." 1 Cor 11,27-30
    Sobre outras 'comunhões', ele dizia com toda clareza: "As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes que Ele?" 1 Cor 10,20-22
    Em muitos casos, pois, antes se deve cumprir o Sacramento da Confissão, como já era feito entre os judeus desde o sacrifício pela reparação dos pecados, que também exigia prévia purificação. Diz o Levítico: "Todo homem puro poderá comer da carne do pacífico sacrifício. Mas aquele que a comer em estado de impureza será cortado de seu povo." Lv 7,19b-20
    A própria família do levita deveria estar em estado de pureza, para comer das oferendas consagradas a Deus pelo povo: "Todo membro de tua família que estiver puro comerá dessas coisas." Nm 18,11b
    Assim como todo povo de Israel para comer a Páscoa, que era uma obrigação: "Mas se alguém, estando puro, não se encontrar em viagem, e todavia não fizer a Páscoa, será cortado do seu povo, porque não apresentou a oferta do Senhor no tempo estabelecido. Este levará a pena de seu pecado." Nm 9,13
    Ora, tão vital é o Santíssimo Sacramento que toda a Missão de Jesus foi orientada precisamente para esse momento: "Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-Se à mesa, e com Ele os Apóstolos. Disse-lhes: 'Ardentemente tenho desejado convosco comer esta Páscoa, antes de sofrer.'" Lc 22,13-15
    Além de ser o mais importante dos Sacramentos, ele ainda é a visível e material presença de Deus entre nós. Sem dúvida, a promessa de estar conosco 'até o fim do mundo' refere-se tanto ao Seu Santo Espírito, pela comunhão da Santíssima Trindade, quanto à Eucaristia, como Ele mesmo prometeu momentos antes de Sua Ascensão: "Eis que convosco estou todos dias, até o fim do mundo." Mt 28,20
    Que nos alegremos, então, com esse indizível privilégio de podermos sentar à mesa com Jesus e receber Seu Corpo e Seu Sangue como alimento. Aguardemos com Ele, à mesa do altar, pelo banquete celestial, como Ele prometeu: "Em Verdade, digo-vos: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus." Mc 14,25
    E que nossa verdadeira felicidade seja o altar do Senhor, agora e na eternidade, como disse o anjo na visão que teve São João Evangelista: "Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro." Ap 19,9


    A secular procissão de Corpus Christi, portanto, faz-nos recordar o caminho que Jesus fez do Cenáculo, onde ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue, até o Monte das Oliveiras, onde livremente Se entregou para ser crucificado. E neste difícil momento, sentindo que chegava Sua hora, Ele convidou-nos à vigília: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai Comigo." Mt 26,38

    "Todas vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos, Senhor, Vossa morte, enquanto esperamos Vossa Vinda!"

Santa Joana d'Arc


    Nossa Santa viveu as últimas décadas da Guerra dos Cem Anos, dada entre França e Inglaterra. Filha de humildes camponeses, era pastora e não foi alfabetizada. Nascida em 1412, em Domrémy, região de Lorena, nordeste da França, seu pai era agricultor e sua mãe ensinou-lhe domésticos afazeres, que incluíam fiar e costurar. Sempre foi muito religiosa: gostava de rezar e assiduamente ia à Santa Missa. Muitas vezes confiantemente entregava o rebanho à Divina Providência e ia à igreja da cidade, onde passava horas em orações.
    Ainda aos 13 anos começou a ter experiências místicas: de longe ouviu vozes que vinham da igreja que frequentava. Elas provocavam uma inexplicável claridade à sua volta, fenômeno que chegava a repetir-se até três vezes por semana. Mais tarde, ela identificou-as como as vozes de São Gabriel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, avisando da importância de firmemente perseverar na oração, pois Deus lhe reservava uma difícil missão: haveria de expulsar os ingleses da região da cidade de Orleans. 


    Em 1428, aos 16 anos, recebeu mais específicas mensagens: deveria ir ao encontro do comandante do exército, numa cidade vizinha, e pedir uma escolta que a conduzisse ao rei da França. Seu tio levou-a, mas o comandante riu de suas motivações e das previsões que fazia sobre uma batalha que ocorreria nas proximidades de Orleans, no seguinte ano. Quando elas se cumpriram, porém, e com exatidão como Santa Joana d'Arc havia previsto, o comandante pessoalmente encaminhou-a com toda segurança ao rei. Viajou disfarçada de escudeiro, vestida de armadura como os soldados franceses, por sugestão das vozes que ouvia, artifício que acabou adotando em todas batalhas que liderava.
    Em Chinon, ao sul de Paris, onde o rei estava refugiado, ela reconheceu-o entre vários nobres sem nunca o ter visto, pois ele se disfarçava por conta dos riscos que corria. Numa sala repleta, ela caminhou diretamente até ele e disse: "Senhor, vim conduzir seus exércitos à vitória!" Foi um grande sinal e muito impressionou o rei, mas ele foi convencido a entregá-la para ser examinada pelas autoridades eclesiásticas de Poitiers, que exaustivamente a interrogaram até convencerem-se de que suas mensagens, de fato, tinham origem divina.
    Ao retornar ao rei, mais uma vez causou-lhe profunda admiração ao demonstrar que conhecia segredos das forças armadas francesas. Absolutamente consciente que ela era inspirada por Deus, em suas mãos entregou um grupamento de 4 mil homens para que libertasse Orleans, conforme lhe pediam as vozes. E mesmo posicionando-se em meio à batalha, comandando e incentivando os soldados franceses, os ingleses miraculosamente não a atacavam. Por fim, após dez dias de batalha, Orleans foi reconquistada. A despeito das pinturas que a retratam, como arma ela apenas empunhava uma branca bandeira em que ostentava a Cruz, o Nome de Jesus e o Nome de Maria.


    A vitória em Orleans, após tantas e frustradas tentativas, reergueu o moral das tropas e do povo francês, e foi o início da virada. Sob seu comando, os franceses também impuseram fragorosas derrotas ao inimigo nas cidades vizinhas: Jargeau, Meung-sur-Loire e Beaugency. A fama de Santa Joana correu toda França e muitos combatentes franceses, que até então lutavam a favor da Inglaterra, passaram a temê-la e mudaram de lado. Os ingleses estavam assombrados com os relatos a seu respeito.


    A cerimônia de coroação de Carlos VII, na cidade de Reims, após uma arriscada viagem praticamente circundando toda Paris, que estava dominada, passando por várias áreas do exército inimigo, é um exemplo de como os caminhos se abriram para ela e para o rei, que fielmente acatava suas instruções. Várias autoridades que viajaram até Reims também tiveram suas passagens liberadas.
    Com a vitória em Orleans, os ingleses esperavam que ela atacasse Paris, mas Santa Joana, inspirada pelas vozes, convenceu o rei a firmar posição em Rouen, mais uma vez circundando Paris e cruzando com o exército francês algumas posições do invasor.


    Embora já tivesse cumprido sua missão, a pedido do rei e por própria vontade Santa Joana d'Arc também foi a campo na batalha pela reconquista de Paris, onde foi ferida por uma flecha. O rei, batendo em retirada, abandonou-a. Sozinha, mas ainda com o exército absolutamente solícito ao seu comando, ela mudou de estratégia e atacou Compiègne, uma pequena cidade ao norte de Paris, porém traiçoeiramente foi aprisionada por nobres da região, que se opunham ao rei da França. Como os soldados franceses não a esqueciam e iriam fazer de tudo para resgatá-la, os ingleses anteciparam-se e pagaram para obter sua guarda. Na verdade, como não podiam matá-la, pois era prisioneira de guerra, eles julgaram-na como feiticeira num processo pretensamente religioso, simulando uma inquisição.
    Aos 19 anos, depois de receber a Comunhão Eucarística, Santa Joana d'Arc foi levada à fogueira, onde padeceu martírio murmurando os nomes de Jesus e Maria. Era 30 de maio de 1431, na Praça Vermelha, em Rouen, no noroeste da França.
    Enquanto alguns gritavam 'bruxa', 'feiticeira', uma multidão de humilde gente comovidamente acompanhou seu sacrifício, que ela enfrentou com muita coragem e . Suas cinzas foram jogadas no Rio Sena, para que não fossem veneradas.
 

    20 anos mais tarde, por falta dos mais elementares fundamentos, o Papa Calisto III considerou inválido o processo de seu julgamento e reabilitou-a como perfeita cristã. Em 1920, como havia muito já pedia o simples e devoto povo do país e de outros lugares, o Papa Bento XV canonizou-a e deu-lhe o título de Padroeira da França.
    Além de muitas igrejas e monumentos por toda França, assim como imagens e estátuas nas principais catedrais, o local de seu martírio, em Rouen, foi preservado e uma moderna igreja, dessas mórbidas inovações, foi construída em sua homenagem.


    Santa Joana d'Arc, rogai por nós!

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Jesus Submisso


    É comum ver pessoas formulando ideias sobre Jesus. Na verdade, são muitas especulações e a imaginação vai longe. Mas é preciso ater-se a uma confiável base, e as fontes realmente sérias são a Sagrada Tradição e as Escrituras. Apócrifos existem vários, e muito mais são as interpretações que dão aos fatos. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, guiada pelo Espírito Santo e representada pelos Apóstolos e seus Bispos, tudo estudou e decidiu-se em favor do que havia de mais fiel. E o que ficou da Vida de Jesus foram os 4 Evangelhos que conhecemos, como bem relatou Santo Irineu que viveu no século II, ou, ainda antes dele, São Policarpo, que foi discípulo de São João Evangelista.
    O próprio São Lucas, e em primeiras palavras, registrou essa variedade de escritos dos que tentaram apossar-se da História: "Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós..." Lc 1,1
    Com isso, entre fantasiosas interpretações e os realmente inspirados livros, muitos detalhes de suma importância foram e são perniciosamente deturpados. A imagem de um Jesus dado a liberalidades espirituais, ou 'revolucionário' sob aspectos sociológicos, por exemplo, não passam de devaneio, pois o que se tem é que Ele foi fidelíssimo à religião judaica até o último suspiro. Como São Mateus escreveu, Ele mesmo afirmou: "Não julgueis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição." Mt 5,17
    Isso claramente mostra que Ele nada tinha de radical reformador, mas é, por excelência, o aperfeiçoador. Numa palavra, Ele é o Salvador anunciado no Antigo Testamento, que decisivamente veio cumprir as profecias como disse aos religiosos de Jerusalém: "Vós perscrutais as Escrituras julgando nelas encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39
    Referindo-Se ao grande líder do judaísmo, Ele disse: "Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito." Jo 5,46
    Ou ainda sobre o grande patriarca dos judeus: "Respondeu Jesus: 'Se glorifico a Mim mesmo, Minha Glória não é nada. Meu Pai é Quem Me glorifica, Aquele que dizeis ser Vosso Deus e, no entanto, não O conheceis. Eu, porém, conheço-O e, se dissesse que não O conheço seria mentiroso como vós. Mas conheço-O e guardo Sua Palavra. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver Meu Dia. Viu-o e ficou cheio de alegria." Jo 8,54-56


VIDA HUMILDE

    Enquanto mero ser humano, porém, Jesus viveu a total submissão aos desígnios de Deus, e entre eles, claro, os preceitos do próprio Antigo Testamento. São Paulo diz o motivo: "... a fim de que Ele seja o Primogênito entre uma multidão de irmãos." Rm 8,29b
    E assim o foi desde o Nascimento, que se deu na mais modesta pobreza como São Lucas relatou: "E deu à luz Seu Primogênito Filho, e, envolvendo-O em faixas, reclinou-O numa manjedoura, porque para eles não havia lugar na hospedaria." Lc 2,7
    Na Carta aos Gálatas, São Paulo anotou Sua estrita condição de judeu: "... Deus enviou Seu Filho, que nasceu de uma mulher e submetido a uma lei..." Gl 4,4
    E São José e Nossa Senhora, não obstante a perseguição perpetrada por Herodes, com Ele cumpriram todas obrigações da Lei, desde a circuncisão: "Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o Menino, foi-Lhe posto o Nome de Jesus, como o anjo Lhe tinha chamado, antes de ser concebido no materno seio." Lc 2,21
    São Lucas também narrou o rito de purificação de Nossa Santíssima Mãe, bem como a Apresentação do Menino Jesus no Templo, tudo feito conforme a Lei: "Concluídos os dias de sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-nO a Jerusalém para apresentá-Lo ao Senhor..." Lc 2,22
    E a julgar pela da Santíssima Virgem, muito bem expressa no Magnificat, podemos imaginar a criação que Santa Ana, sua mãe, lhe havia dado. Apesar de muito jovem, com perfeito conhecimento da Graça e inspirada pelo Divino Paráclito, ela canta a Deus proclamando Sua justiça para com os humildes, que se curvam à Sua vontade: "Manifestou o poder de Seu braço, desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos." Lc 1,51-53
    Ela mesma havia dado mostra de total submissão a Deus, quando respondeu ao Arcanjo Gabriel no dia da Anunciação: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,38a
    A Sagrada Família, portanto, era perfeitamente religiosa e fiel cumpridora dos judaicos preceitos, como a Páscoa: "Tendo Ele (Jesus) atingido 12 anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa." Lc 2,42
    Nesse episódio, porém, quando foi reencontrado no Templo em Jerusalém, Jesus já sinalizava, desde o início de Sua adolescência, para uma obediência que iria muito além da maternidade de Santa Maria e da paternidade legal de São José: "Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na Casa de Meu Pai?" Lc 2,49
    Mas retornou com eles, e em tudo obedecia-lhes: "Em seguida, desceu com eles a Nazaré e era-lhes submisso." Lc 2,51
    Algumas correntes de pensamento aventam-se a atribuir outras histórias aos chamados 'anos ocultos da vida de Jesus'. Mas isso é tão somente malícia, ranço de mentirosos. Com efeito, ainda no início de Sua vida pública, o próprio povo de Nazaré reconhece-O e com transparente clareza revela qual era Sua ocupação, ou seja, a vida que Ele sempre levou, principalmente após a morte de São José. São Marcos registrou o espanto de Seus conterrâneos com Sua Sabedoria e Seus milagres, quando Ele começou a pregar: "Não é Ele o carpinteiro?" Mc 6,3
    De fato, Maria, que enviuvou cedo, não tinha quem a sustentasse senão Jesus, pois não tinha outros filhos. E Ele, amoroso Filho e perfeitamente obediente à Lei judaica, assumiu o trabalho na carpintaria, pois assim manda o quarto Mandamento: "Honra teu pai e tua mãe..." Ex 20,12
    E a relação de Jesus com Seu pai terreno também era permeada de amor e respeito. Tanto que, ao começar a pregar, Ele foi amplamente reconhecido pelo povo da Galileia por Sua intimidade com São José, como apontou São Mateus: "Não é este o filho do carpinteiro?" Mt 13,55
    Ora, assim foi que os primeiros Apóstolos O identificaram, logo após ser batizado por São João Batista: "Filipe encontra Natanael e diz-lhe: 'Achamos Aquele de Quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.'" Jo 1,45


    Antes de iniciar Sua Missão, Jesus também Se submeteu ao Batismo feito pelo Último Profeta do Antigo Testamento, fato que Ele mesmo vai atestar: "A Lei e os Profetas duraram até João." Lc 16,16
    Tanto que São João Batista estranhou Seu gesto, mas logo o acatou porque Jesus alegou que assim se estava cumprindo a Lei: "João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém que cumpramos a completa justiça.' Então João cedeu." Mt 3,14-15
    Sem dúvida, o sacerdote Zacarias havia profetizado nestes termos a missão de seu filho, São João Batista: "E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o caminho, para dar a Seu povo conhecer a Salvação pelo perdão dos pecados." Lc 1,76-77
    E foi exatamente isso que fez o Batista, tomando Confissão e pregando a penitência: "Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia. Dizia ele: 'Fazei penitência porque está próximo o Reino dos Céus.' Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda vizinhança do Jordão vinham a ele. E confessavam seus pecados, e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,1-2.5-6
    Aliás, foi isso que pregou o próprio Cristo desde o início de Sua vida pública: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    E enquanto fazia Suas pregações, os Apóstolos também ministravam o batismo instituído por São João Batista, isto é, demandando prévia confissão de pecados: "Em seguida, foi Jesus com Seus discípulos para os campos da Judeia e ali Se deteve com eles, e batizava. ... se bem que não era Jesus quem batizava, mas Seus discípulos..." Jo 3,22;4,2
    Igualmente assim Ele ordenou aos Apóstolos, após instituí-los: "Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,7.12
    E depois de ressuscitar, explicou-lhes o sentido de Sua Missão, pedindo que eles mantivessem essa prática depois de Sua Ascensão aos Céus: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém." Lc 24,46-47
    Em Seu Batismo, no entanto, Jesus não demonstrou apenas reverência à vocação de São João Batista, mas principalmente condescendência com a condição humana de todo povo, juntando-Se a reconhecidos pecadores que iam até ele. E foi essa humildade que Ele cobrou dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos judeus: "João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos e as prostitutas, porém, creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para nele crerdes." Mt 21,32
    Com efeito, o Profeta Isaías havia previsto a humildade com que o Salvador Se manifestaria: "Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas." Is 42,1
    E Jesus mesmo confirmou-o: "Pois desci do Céu não para fazer Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 6,38
    Ele tinha como nada Sua condição humana: "Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: de Si mesmo o Filho não pode fazer coisa alguma. Mas o Pai, que em Mim permanece, é que realiza Suas próprias obras.'"Jo 5,19a;14,10b
    Também disse da Palavra de Deus que anunciava: "Em Verdade, não falei por Mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que Seu Mandamento é Vida Eterna. Portanto, o que digo, digo-o segundo Me falou o Pai." Jo 12,49-50
    Eis como São João Evangelista apresentou Jesus: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória, a Glória que o Único Filho recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14
    Jesus falava, contudo, de uma relação de amor: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai, e procedo como Ele Me ordenou." Jo 14,31a
    Relação essa que se dá em função da Revelação, como explicou: "... Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai, e persisto em Seu amor." Jo 15,10b
    Ele ensinou-nos a agir do mesmo modo: "E se o servo tiver feito tudo que lhe ordenara, porventura fica o Senhor devendo-lhe alguma obrigação? Assim também vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,9-10
    Abertamente pregava: "Em seguida, dirigiu-se a todos: 'Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia sua cruz e siga-Me. Porque, quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas quem sacrificar sua vida por amor a Mim, salvá-la-á.'" Lc 9,23-24
    E no Pai Nosso, instou-nos a aceitar: "... seja feita Vossa vontade, assim na terra como no Céu." Mt 6,10b
    Pois como São Paulo escreve aos romanos, nós sequer sabemos pedir: "Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26
    E era exatamente por obedecer à Lei com absoluta fidelidade que Jesus era respeitado pelo povo: "Maravilhavam-se de Sua Doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas." Mc 1,22
    Atento às religiosas práticas, Ele frequentava as casas de oração desde criança, e durante Suas pregações manteve esse hábito enquanto pôde, por causa das multidões, a começar por Seu lugar de origem: "Dirigiu-se a Nazaré, onde Se criara. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo Seu costume, e levantou-Se para ler." Lc 4,16
    Porque Seus milagres logo despertariam toda nossa carência de Deus, como quando curou um leproso ainda na Galileia: "Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-Se fora, nos despovoados lugares, e de toda parte vinham ter com Ele." Mc 1,45
    São Mateus também anota, desde Sua região natal, Sua preferência pelos lugares apropriados para o culto: "Jesus percorria toda Galileia, ensinando em suas sinagogas..." Mt 4,23
    E assim também em todo Israel: "Jesus percorria todas cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade." Mt 9,35
    Desde a infância em companhia de Sua família, como vimos, Jesus anualmente ia ao Templo de Jerusalém por ocasião da Páscoa. Ele mesmo deu testemunho dessa religiosa prática, ao ser julgado pelo sumo sacerdote: "Jesus respondeu-lhe: 'Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.'" Jo 18,20
    Com efeito, Ele respeitava e atendia aos pedidos dos chefes das sinagogas, como no caso da ressurreição da filha de Jairo: "Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus os tocadores de flauta e uma multidão alvoroçada." Mt 9,23
    Pedia que os agraciados com Seus milagres se apresentassem aos sacerdotes judeus de então, para que cumprissem a Lei e as obras de Deus fossem glorificadas: "Jesus então lhe disse: 'Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.'" Mt 8,4
    E guardava os sábados: "Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-Se a ensinar." Mc 1,21
    O cumprimento do projeto da Salvação, porém, fá-Lhe-á justiça, como vemos numa antiga promessa de Deus feita através dos Salmos: "Eis o Oráculo do Senhor que Se dirige a Meu Senhor: 'Assenta-Te à Minha direita, até que Eu faça de Teus inimigos um banquinho para Teus pés.'" Sl 109,1
    E a Igreja já espelha Seu Reino, como São Paulo diz: "Vós despiste-vos do velho homem com seus vícios, e revestiste-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,9b-11
    Ele fala do poder que ela possui: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo. Também estamos prontos para castigar todos desobedientes, desde que vossa obediência seja perfeita." 2 Cor 10,4-6
    Até faz o devido contraponto, mas, sob todos percalços, não arrefece a fé: "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos." 2 Cor 4,7-9
    E diz em exortação aos filipenses: "Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, unanimemente lutando pela fé do Evangelho, sem em nada vos deixardes intimidar por vossos adversários. Isto para eles é motivo de perdição. Para vós, de Salvação. E é a vontade de Deus, porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas também sofrer por Ele." Fl 1,27b-29
    Afinal, assegura que Deus será tudo nos fiéis: "E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que todas coisas Lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,28


DE SEU SAGRADO CORAÇÃO PARA NOSSA ALMA

    Era por piamente corresponder aos preceitos do Pai, portanto, que Jesus Se apresentava como exemplo a ser seguido: "De Mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço, e Meu julgamento é justo porque não busco Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30
    Ele corajosamente vai afirmar diante de Pilatos: "É para dar testemunho da Verdade que nasci e vim ao mundo. Todo aquele que é da Verdade ouve Minha voz." Jo 18,37b
    E morreu por dizer a Verdade, como os religiosos de Jerusalém O acusavam: "Responderam-lhe os judeus: 'Nós temos uma lei, e segundo essa lei Ele deve morrer porque Se declarou Filho de Deus.'" Jo 19,7
    O próprio Deus Pai atestou Sua fidelidade, como São Mateus registrou no dia de Sua Transfiguração: "E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem pus toda Minha afeição. Ouvi-O!'" Mt 17,5b
    Por isso, Jesus recomenda: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas." Mt 11,29
    São Paulo, pois, invocava Seu exemplo: "Eu, Paulo, exorto-vos pela mansidão e bondade de Cristo, eu que me mostro humilde quando estou entre vós, mas, quando longe, sou ousado convosco." 2 Cor 10,1
    Recomendava: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1
    A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo exorta: "Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão." 1 Tm 6,11
    E a Carta de São Paulo a São Tito ensina o que pregar: "Admoesta-os a que sejam submissos aos magistrados e às autoridades, sejam obedientes, estejam prontos para qualquer obra boa, não falem mal dos outros, sejam pacíficos, afáveis e saibam dar provas de toda mansidão para com todos homens. Porque outrora nós também éramos insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros. Mas um dia apareceu a bondade de Deus, Nosso Salvador, e Seu amor para com os homens." Tt 3,1-4
    Segundo a Carta de São Tiago, essa deve ser a postura de quem recebe a Palavra de Deus: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e com mansidão recebei a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas..." Tg 1,21
    O Livro de Eclesiástico já havia anotado esse dom: "Filho, realiza teus trabalhos com mansidão, e serás mais amado que um generoso homem." Eclo 3,19
    Disse que essa era uma das principais qualidades de Moisés, o que justificou sua escolha por Deus: "Santificou-o por sua fé e mansidão, escolheu-o entre todos os homens." Eclo 45,4
    Judite também demonstrou ser inspirada, quando rezou a Deus: "Os soberbos nunca Vos agradaram, mas sempre Vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes." Jt 9,16b
    E Nosso Salvador ensinou no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!" Mt 5,5.9
    Realmente exaltava a humildade: "Aquele que se fizer humilde como esta criança, será maior no Reino dos Céus." Mt 18,4
    Pois mesmo sendo o Messias, Ele entrou em Jerusalém montado num jumentinho: "Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele. Muitos estendiam seus mantos pelo caminho, outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos pelo chão. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: 'Hosana! Bendito Aquele que vem em Nome do Senhor!'" Mc 11,7-9
    E nessa condição Ele instruiu os Apóstolos, que iriam liderar a Igreja, para o estado de total servidão: "Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes com autoridade as governam. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, faça-se vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, faça-se vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar Sua Vida em resgate por uma multidão." Mt 20,25-28
    Deu, por fim, um prático exemplo de caridade: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, lavei vossos pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros." Jo 13,14
    Como exemplo de prática de piedade, ou seja, de caridade espiritual, Jesus sempre rezava intensa e frequentemente: "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda noite orando a Deus." Lc 6,12
    E chegando a hora de Sua Paixão, Ele também rezou por nós. Para que, através de Sua Palavra confiada aos Apóstolos, nós abraçássemos com igual humildade, sem dissoluções nem intrigas, a Unidade da Igreja, que é o sustentáculo da Verdade: "Santifico-Me por eles para que também eles sejam santificados pela Verdade. Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,19-21
    Ainda rezou mais uma vez antes de ser preso, pedindo ao Pai que Lhe afastasse tamanho sofrimento. Mas já Se mostrava resignado, sempre Se submetendo, não importando quão difíceis, aos projetos do Pai: "Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, Minha vontade, mas sim a Tua." Lc 22,42
    Essa disposição em abraçar a Cruz havia sido predita pelo Profeta Isaías: "... porque Ele próprio deu Sua vida, e deixou-Se colocar entre os criminosos, tomando sobre Si os pecados de muitos homens e intercedendo pelos culpados." Is 53,12
    Enfim, além de perfeitamente obediente, Jesus nada fez às ocultas, como alguns delirantes pretendem. Ele havia escolhido 12 Apóstolos e deixou-Se seguir por muitos discípulos justamente para que fossem testemunhas de Suas palavras e obras, como afirmou pouco antes de Sua Ascensão: "Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,48
    Ele nada ocultou de Sua Doutrina, nem mesmos os mais difíceis assuntos, que primeiro explicava aos Apóstolos: "O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados!" Mt 10,27
    E assim, pedindo pela integridade da Boa Nova e garantindo Sua divina assistência, Ele ordenou aos Onze que fielmente retransmitissem todos Seus ensinamentos. Estas foram Sua últimas palavras, segundo São Mateus: "Ide, pois, e ensinai a todas nações. Batizai-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo que vos prescrevi. Eis que convosco estou todos dias, até o fim do mundo." Mt 28,19-20
    Foi precisamente isso o que registrou São Lucas em seu Evangelho: "... contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus..." At 1,1
    Aliás, também São João Evangelista: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos, para que vós também tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3
    E falando sobre humildade, Jesus antecipou-nos o critério que usará no Seu Dia: "Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado." Mt 23,12
    Para São Tiago Menor já não restava dúvida: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e Ele aproximar-Se-á de vós." Tg 4,7-8a
    E ao contrário de 'confessar só a Deus', como hereges ensinam, pedia o constante exercício da Confissão: "Confessai vossos pecados uns aos outros..." Tg 5,16a
    São Paulo dizia algo parecido: "Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo." Ef 5,21
    Ele advertia da necessária religiosidade: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos." Rm 1,18.21-22
    Aliás, foi um colaborador seu, Epafras, que advogava a mais pura fé, como ele fez constar na Carta aos Colossenses: "Ele não cessa de lutar por vós em suas orações, para que, numa perfeita e plena convicção, permaneçais plenamente submissos à divina vontade." Cl 4,12b
    Regulando os cultos de então, rudimentos da nossa Santa Missa, nosso Santo pedia absoluta sobriedade aos Sacerdotes da Igreja, através da estrita observância da Doutrina: "Todos, um após outro, podeis profetizar, para todos aprenderem e serem todos exortados. O espírito dos profetas deve estar-lhes submisso, porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de Paz." 1 Cor 14,31-33
    E faz lembrar: "Se, no entanto, alguém quiser contestar, nós não temos tal costume e nem as igrejas de Deus." 1 Cor 11,16
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo vai mais longe: "Não convém a um servo do Senhor altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males." 2 Tm 2,24
    Ele lamentava-se pelos judeus, seu povo, por não acolherem Jesus: "Pois lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas um zelo sem discernimento. Desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque a finalidade da Lei é Cristo, para a justificação de todo aquele que crê." Rm 10,2-4
    Lembrando a humildade do Salvador, ele recomenda: "Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco meus próprios interesses, mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos. Tornai-vos meus imitadores, como eu o sou de Cristo." 1 Cor 10,32-33;11,1
    Pedia pelos Sacerdotes da Igreja: "Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos e admoestar-vos no Senhor. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,12-13
    Também pedia respeito pelas autoridades desse mundo: "Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus. As que existem, foram instituídas por Deus. Portanto, é necessário submeter-se não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência." Rm 13,1.5
    E prega, recitando o Hino Cristológico: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não seus próprios interesses, e sim os dos outros. Mutuamente dedicai-vos a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E exteriormente sendo reconhecido como homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz. Por isso, Deus soberanamente exaltou-O e outorgou-Lhe o Nome que está acima de todos nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no Céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor." Fl 2,3-11
    Os seguidores da tradição de São Paulo também atestaram a humildade de Jesus: "Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que podia salvá-Lo da morte, e foi atendido por Sua submissão. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,7-8
    Lembraram as tentações no deserto e as concupiscências do mundo: "Em vez do gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores..." Hb 12,2-3a
    Também pediram por nossos Sacerdotes: "Sede submissos e obedecei aos que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta. Assim, eles fá-lo-ão com alegria, e não a gemer, que isto vos seria funesto." Hb 13,17
    E ensinaram: "Aliás, na terra temos nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-los com respeito. Com quanto mais razão havemos de submeter-nos ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para comunicar-nos Sua santidade. É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, aos que por ela se exercitaram, granjeia o melhor fruto de justiça e de Paz." Hb 12,9-11
    Ficam-nos, portanto, as palavras de São João Batista: "Dai frutos, pois, de verdadeira penitência." Mt 3,8
    E essa sensível mensagem de São Pedro a nossos Sacerdotes, com especial recado aos jovens: "Eis a exortação que dirijo aos Anciãos que estão entre vós, porque sou Ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e com eles serei participante daquela Glória que há de manifestar-se: velai sobre o rebanho de Deus que vos é confiado. Tende dele cuidado, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de sórdido interesse, mas com dedicação; não como absolutos dominadores sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vosso rebanho. E quando o Supremo Pastor aparecer, recebereis a imperecível coroa da Glória. Semelhantemente, vós que sois mais jovens, sede submissos aos Anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua Graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte em oportuno tempo. Confiai-Lhe todas vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou à Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,1-10
    Grande mística, de suas profundas experiências Santa Faustina escreveu: "A fiel submissão sempre e em tudo à vontade de Deus, em todos acontecimentos e circunstâncias da vida, dá grande glória a Deus. Uma tal submissão à vontade de Deus tem maior valor a Seus olhos que longos jejuns, mortificações e as mais severas penitências." (Diário, 724)

    "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo! Como era no princípio, agora e sempre. Amém!"