terça-feira, 21 de julho de 2026

A Castidade


    Deus dá ao ser humano a capacidade de amar verdadeiramente, e isso significa agir com gratuidade, generosidade e pureza de intenções. Esse amor é propriamente o amor de Deus, dado à Igreja Apostólica por Sua Terceira Pessoa, como a Carta de São Paulo aos Romanos revelou: "... o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b
    Um dos sinais desse amor maior é a castidade, comandada pela temperança, que é um dos frutos do Divino Paráclito. A Carta de São Paulo aos Gálatas listou: "... o fruto do Espírito é caridade, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança." Gl 5,22-23
    Sobre esse tema, o Catecismo da Igreja Católica ensina: "A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana." CIC § 2341
    Nos tempos atuais, quando ondas de massificação cultural e a crise da representatividade política anulam o valor do indivíduo, mais e mais pessoas adotam egoísticos e rebeldes modos de autoafirmação, muitas vezes usando até de perversão e escândalos tão somente para chamar a atenção ou se impor. E a vida sexual, eleita como droga da animalidade para sanar disfunções emocionais, apresenta-se como principal tentativa de escape ou artifício de agressão. O resultado, entretanto, são pessoas brutalmente violando sua própria intimidade, sua sanidade mental, suas relações sociais e, o que é ainda mais caro, sua espiritualidade. Também diz o Catecismo: "A sexualidade afeta todos aspectos da pessoa humana, em sua unidade de corpo e alma. Particularmente diz respeito à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de mais geral maneira, à aptidão para criar vínculos de Comunhão com os outros." CIC § 2332
    Ora, como poderíamos estar em paz com nossa própria natureza sem estar em Comunhão com Deus, Nosso Criador? No Evangelho Segundo São Mateus, Jesus faz-nos lembrar nossa condição de filhos de Deus: "Portanto, sede Santos, assim como Vosso Pai Celeste é Santo." Mt 5,48
    Referindo-Se a Sua Encarnação e Crucificação, no Evangelho Segundo São João, Ele estabeleceu uma nova medida para o amor que devemos viver: o amor com que Ele nos amou: "Eu dou-vos um Novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Como Eu vos amei, assim deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34
    E por Seu evidente apreço pela castidade, Deus não Se permitiu violar a virgindade de Maria Santíssima nem mesmo ao gerar Seu Filho. De fato, se Ele a preservou antes do parto, por que não a preservaria durante e depois dele? Não teria poder para tanto? Está no Livro do Profeta Isaías: "Por isso, o próprio Senhor dá-vos-á um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-á Deus Conosco." Is 7,14
    Ora, além da eterna bendição, a viúva e heroína, que dá nome ao Livro de Judite, é pré-figura de Nossa Senhora justamente por sua castidade. Ela assim foi aclamada pelo sumo sacerdote, pelos anciãos e por todo povo da Cidade Santa: "Tu és a Glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo. Deste prova de viril alma e valente coração. Amaste a castidade e não quiseste, depois da morte de teu marido, conhecer outro homem. Então, o Senhor fortaleceu-te e por isso eternamente serás bendita." Jd 15,10b-11


A ESCRAVIDÃO DO PECADO

    Tendo esse amor como meta, portanto, e a despeito das dificuldades que nos afligem, resta claro que precisamos compor nossa personalidade com atributos dignos de Deus, entre eles a castidade. Com efeito, como estar em Comunhão com Ele quando se está dominado por perniciosos instintos e paixões que submetem e escravizam? A compulsão carnal, é evidente, animaliza e entristece o ser humano. A castidade, porém, é liberdade, e Nosso Salvador veio exatamente para nos libertar do pecado: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Jo 8,34b.36
    Por isso, exaltando a Paixão de Cristo, São Paulo exorta: "Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele (Jesus), para que o corpo outrora subjugado ao pecado seja reduzido à impotência, e já não sejamos escravos do pecado. Pois quem morreu, libertado está do pecado." Rm 6,6-7
    Fala da 'servidão' a Deus: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, seja da obediência para a Justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da Doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, tornastes-vos servos da Justiça." Rm 6,16-18
    E lembrando o preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios exclama: "Por alto preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens." 1 Cor 7,23
    Assim, ele convida-nos a passar da escravidão à caridade espiritual, que se expressa quando oferecemos nossa alma purificada àqueles que estão em volta, sem as máculas ou deformidades de tão vis pecados: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para carnais prazeres. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade..." Gl 5,13
    Ele celebrou a Nova Aliança, em contrate com o Antigo Testamento, pela infusão do Espírito de Deus no Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Aqueles que vivem segundo a carne gostam do que é carnal. Aqueles que vivem segundo o espírito, apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a Vida e a Paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à Lei de Deus, e nem o pode. Aqueles que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se o Espírito de Deus realmente habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,2-9
    Claro, na atualidade tal libertação não é fácil. Basta observar a devassidão e em seus reflexos disseminados pela vigente cultura, desde o vestir, para ter ideia do poder de dominação dos mais vulgares instintos. E apesar de animalescamente ridículos, e como sinal do estabelecimento da depravação, são muitos aqueles que os chamam de 'amor'. Quantos bilhões movem a indústria, o comércio e a propaganda da 'sensualidade' ou propriamente do sexo? Quantas vidas destruídas? A prostituição não está ligada à pobreza, seja ela material, principalmente, ou igualmente espiritual? Mas, como São Paulo apontou, a falta de religiosidade ou a corrupção da fé não é exatamente uma novidade, assim como não o são seus abomináveis frutos: "Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de corruptível homem, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou-os aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que entre si desonraram os próprios corpos. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus entregou-os a vergonhosas paixões: suas mulheres mudaram as naturais relações em relações contra a natureza. Do mesmo modo os homens, deixando o natural uso da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a devida paga por seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Ele entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade. Cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que tais coisas fazem, não somente as praticam como também aplaudem aqueles que as cometem." Rm 1,21-32
    E é claro, ademais, que muito se agravou o quadro por conta de tantas heresias, leia-se falsas religiões, notadamente as animistas acima citadas por São Paulo, que acolhem e celebram esta devassidão, e assim sobram falsos mestres. Exatamente como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo profetizou essa afronta à verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da Verdade, e atirar-se-ão às fábulas." 2 Tm 4,3-4
    Sem dúvida, a castidade exige conhecimento de si, obediência aos Mandamentos, a Graça dos Sacramentos, oração, devoção, prática das virtudes morais. É o que nosso Apóstolo recomenda: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne." Gl 5,16
    Pois foi para vencer as fraquezas da carne, entre outras más inclinações, que Jesus nos enviou o Espírito da Promessa em Jerusalém, que nos concede especial condição. O Evangelho Segundo São Lucas traz: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49
    Contudo, o Livro de Sabedoria, que é dom do Espírito Santo, já revelava em suas primeiras linhas: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5
    E só com os socorros do Santíssimo Paráclito se alcança o domínio de si, o autocontrole, também chamado de temperança. E é pela castidade, que inclui a fiel vida conjugal, que nos é dado viver o Reino de Deus já aqui neste mundo, em antecipação ao que Nosso Senhor revelou: "Na Ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos. Mas serão como os anjos de Deus no Céu." Mt 22,30
    Ele assim atestou esta moção e a chegada do Reino dos Céus: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então para vós chegou o Reino de Deus." Mt 12,28
    De fato, guiado pelo Santo Espírito, essa era Sua condição enquanto o Primogênito de Deus, como Ele mesmo declarou o 'discurso inaugural de Sua Missão' na sinagoga de Nazaré: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. Enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, sarar os contritos de coração, anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a restauração da vista. Para pôr em liberdade os oprimidos, e publicar o ano da Graça do Senhor." Lc 4,18-19
    São Paulo diz como esta unção age em nós: "Assim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos. Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos segundo Seus desígnios. Aqueles que Ele de antemão distinguiu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogênito entre uma multidão de irmãos." Rm 8,26.28-29
    Ora, assim como a Vida Eterna, a castidade é uma conquista da , resultado da ação do Espírito de Deus e do esforço pessoal. E é isso que a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo lhe recomenda: "Combate o bom combate da fé. Conquista a Vida Eterna, para a qual foste chamado..." 1 Tm 6,2
    Antes de tudo, porém, ela é uma frontal resistência aos pecados sociais. Jesus atestou a ânsia por libertação dos Apóstolos, e uma violenta força contrária imposta pelo mundo: "Se fôsseis do mundo, o mundo amá-vos-ia como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo escolhi-vos, o mundo odeia-vos." Jo 15,19
    E enquanto resultado de contínuo trabalho, a castidade e os demais frutos do Espírito de Deus exigem vigilância, como Ele exortou os mais íntimos Apóstolos, pouco antes de ser preso: "Vigiai e rezai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41
    Aí, por prontidão, alegava o poder do Evangelho que lhes pregou, como havia dito ainda no Cenáculo nessa mesma noite: "Vós já estais puros pela Palavra que vos tenho anunciado." Jo 15,3
    Pois como dom, portanto uma emblemática expressão de caridade, só pela religiosidade e pela negação de si mesmo ela pode ser preservada. São Paulo diz: "O amor não é orgulhoso. Não é arrogante, nem escandaloso. Não busca seus próprios interesses..." 1 Cor 13,4-5
    E nestes termos, em especial, ela representa a mais pura amizade a Deus. A Carta de São Tiago avisava: "Todo aquele que quer ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus." Tg 4,4b
    Bem como representa uma inegável e moral virtude, como são as advertências da Carta de São Paulo aos Efésios: "Progredi no amor segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, picantes ou maliciosas conversas, porque tais coisas não convêm. Em vez disto, Ações de Graças. Porque bem o sabei: nenhum fornicário, ou impuro, ou avarento, verdadeiros idólatras!, terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os desobedientes. Não vos torneis participantes de suas ações." Ef 5,2-7
    Enfim, referindo-se à promiscuidade e sua exploração, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses magistralmente diz, defendendo a inspiração do Santo Paráclito nos ensinamentos da Santa Madre Igreja: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação. Que vos aparteis da luxúria. Que cada um de vós santa e honestamente saiba possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões, como os pagãos que não conhecem a Deus. E que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz Justiça de todas estas coisas, como já vos temos dito e asseverado. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,3-8
    Ele arremata, evocando o Sangue de Cristo: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai a Deus, pois, em vosso corpo." 1 Cor 6,19-20


NATUREZA HUMANA E PERVERSÃO

    Durante o crescimento, é fato, o corpo humano passa por fases marcadas pela imperfeição, e assim por vezes pelo pecado. Por isso, à falta de ambientes sadios e para romper de um todo com a imaturidade e com a pecaminosidade, o Apóstolo dos Gentios recomendava a São Timóteo, além da companhia daqueles que participam da Santa Missa, algo extremamente simples: fugir: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Também aos católicos da cidade de Corinto: "Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e fá-lo-eis membros de uma prostituta? De modo algum! Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,15.18
    A Primeira Carta de São Pedro, da mesma forma, tem uma palavra, e muito inspirada, para a juventude, apontando para nossos Presbíteros, que chamamos de Padres, e invocando o Livro de Provérbios: "Semelhantemente, vós que sois mais jovens, sede submissos aos Anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua Graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no oportuno tempo. Confiai-lhe todas vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que vos chamou em Cristo a Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,5-10
    Ora, São Paulo mostrava total confiança em São Timóteo e em seu Sacerdócio: "Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade." 1 Tm 4,12
    Porque nossos adolescentes e jovens têm direito a uma educação depurada de malícia e de maus exemplos, como Jesus reclamava: "Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!" Mt 18,7
    As crianças, especialmente, devem ser preservadas das despudoradas libido, assim como da enorme e bestial indústria da erotização e da pornografia. No Evangelho Segundo São Marcos, Cristo adverte em tom de grave ameaça: "Mas todo aquele que fizer cair em pecado a um destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria que lhe amarrassem uma pedra de moinho ao pescoço e o lançassem ao mar!" Mc 9,42
    E alerta que os Anjos da Guarda das crianças estão constantemente diante de Deus: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus anjos contemplam sem cessar a face de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 18,10
    Da mesma forma, segundo São Pedro, as mulheres devem ser exemplos de recolhimento para os maridos, o que certamente repercute para filhos e todos em volta. O natural pudor feminino, assim como a ternura, fortemente expressos na maternidade, devem ser cultuados como marcantes sinais dos dons de Deus: "Vós, ó mulheres, também sede submissas a vossos maridos. Se alguns não obedecem à Palavra, serão conquistados, mesmo sem a Palavra da pregação, pelo simples procedimento de suas mulheres, ao observarem vossa casta e reservada vida. Não seja vosso adorno o que externamente aparece: trançados cabelos, ornamentos de ouro, elegantes vestidos. Mas tende aquele interior e oculto ornato do coração, a incorruptível pureza de um suave e pacífico espírito, que é tão precioso aos olhos de Deus." 1 Pd 3,2-4
    São Paulo dizia algo parecido, garantindo a cristandade dos filhos de pelo menos um dos pais verdadeiramente cristão: "Porque o marido que não tem a fé, é santificado por sua mulher. Assim como a mulher que não tem a fé, é santificada pelo marido que recebeu a fé. Do contrário, vossos filhos seriam impuros, quando na realidade são santos." 1 Cor 7,14
    Pois o que se vê são mulheres grotescamente desfiguradas pela cultura de promiscuidade, subjugadas à vulgaridade tipicamente masculina dos tempos atuais, tal qual nosso Santo vaticinava São Timóteo, incluindo falsos ministros: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus. Ostentarão a aparência de piedade, mas negando-lhe a autoridade. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte aqueles que jeitosamente se insinuam pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,1-7
    Por isso, a Carta de São Paulo aos Colossenses exortava, em respeito à Graça de participar da Igreja Una, que é o Corpo Místico de Cristo: "Mortificai vossos membros, pois, no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. Triunfe em vossos corações a Paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único Corpo. E sede agradecidos." Cl 3,5-6.15
    Há, portanto, apenas três modos de viver a castidade: na virgindade, no Sacramento do Matrimônio ou no celibato. A virgindade é uma condição física e espiritual, que não há como ser mantida numa mente cheia de fantasias. Só uma vida de oração e Comunhão pode preservar esse estado. Em geral, ela só se perpetua através de consagração em uma Ordem religiosa. A importância da virgindade claramente é demonstrada no Livro de Apocalipse de São João, pois homens virgens apareceram no Céu como Santos: "Estes são aqueles que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que Ele vá. Foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro. Em sua boca não se achou mentira, pois são irrepreensíveis." Ap 14,4-5
    São Paulo diz dessas belíssimas flores da Igreja de Deus Vivo que viriam a ser Nossas Freiras, as virgens consagradas, em tantíssimas Ordens Religiosas a servir a Deus pelo mundo, em número mais de dez vezes maior que o de Frades e Padres: "Mas aquele que, sem nenhum constrangimento e com perfeita liberdade de escolha, tiver tomado em seu coração a decisão de guardar virgem sua filha, procede bem. Em suma, aquele que casa sua filha, faz bem, e aquele que não a casa, faz ainda melhor." 1 Cor 7,37-38
    Não sendo essa a vocação, para mulher ou homem, a Palavra de Deus expressamente recomenda o Matrimônio, e que assim se viva a castidade conjugal. Diz este Apóstolo: "... se não podem guardar a continência, casem-se." 1 Cor 7,9
    Nos primeiros anos da Igreja Católica Apostólica Romana, quando o celibato ainda não era exigido dos Sacerdotes, ele falava do santo Matrimônio como essencial requisito à conduta de um Bispo: "... deve saber bem governar sua casa, educar seus filhos na obediência e na castidade." 1 Tm 3,4
    Ora, como Nosso Senhor fez recordar uma passagem do Livro de Gênesis, marido e mulher são uma só carne: "Respondeu-lhes Jesus: 'Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e os dois formarão uma só carne (Gn 2,24)? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.'" Mt 19,4-6
    E por isso São Paulo argumentava: "A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor de seu corpo: ele pertence a sua esposa." 1 Cor 7,4
    O celibatário também vive a continência. É uma grande benção de Deus, a fina flor da devoção e do Sacerdócio, mas, infelizmente, o próprio Jesus já havia previsto a dificuldade e a incompreensão do mundo para com essa condição sexual. Contudo, Ele claramente o recomendou a Seus Sacerdotes: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12
    Deus até já havia prometido, através de Isaías, especial acolhimento aos estrangeiros eunucos no judaísmo, onde não era praticado: "Porque eis o que o Senhor diz: 'Aos eunucos que observarem Meus sábados, que escolherem o que Me é agradável e se afeiçoarem a Minha Aliança, Eu darei em Minha Casa e dentro de Minhas muralhas um monumento e um nome de mais valor que filhos e filhas. Dá-lhes-ei um nome que jamais perecerá." Is 56,4-5
    Pois eles haviam sido proibidos, pela Lei mosaica, de participar dos cultos, como se lê no Livro de Deuteronômio: "O homem, cujos testículos foram esmagados ou cortado o viril membro, não será admitido na assembleia do Senhor." Dt 23:1
    Essa promessa feita através de Isaías, portanto, foi mantida no Novo Testamento, e por moção do próprio Espírito Santo, quando um deles foi o segundo não judeu a ser batizado. O Livro de Atos dos Apóstolos registrou: "Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, de Etiópia, e superintendente de todos seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar. Voltava sentado em seu carro, lendo o Profeta Isaías. O Espírito disse a Filipe: 'Aproxima-te para bem perto deste carro.' Então Filipe começou a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, lhe anunciou Jesus. Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: 'Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?' Filipe respondeu: 'Se crês de todo coração, podes sê-lo.' 'Eu creio', disse ele, 'que Jesus Cristo é o Filho de Deus.' E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco." At 8,27b-28.35-37-38
    Assim, o atual desrespeito por parte de religiosos quanto a essa condição é grosseria, mero desconhecimento dos dons do Espírito Santo, aliás, é ausência da própria unção do Espírito Santo, como São Paulo havia alertado: "A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vivais na ignorância." 1 Cor 12,1
    E neste termos explicou a falta que o Santo Paráclito faz: "... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que devem ponderá-las." 1 Cor 2,14
    Ora, ele mesmo era celibatário e abertamente recomendava, o que denuncia a indisponibilidade de certos 'pastores': "Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar a sua esposa." 1 Cor 7,8.32b-33
    Chegou a recomendar a permanente abstinência aos próprios casais: "O que importa é que aqueles que têm mulher, vivam como se a não tivessem..." 1 Cor 7,29b
    Desde que de comum acordo, claro, como Jesus mesmo citou aqueles que 'deixam' a esposa: "Na Verdade, declaro-vos: ninguém há que tenha deixado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo, e no vindouro mundo a Vida Eterna." Lc 18,29b-30
    E quando Ele afirmou a indissolubilidade do Matrimônio, como vimos acima, os Apóstolos, considerando a importância de servir a Deus pelo veemente exemplo que eles mesmos tinham diante de si na própria Pessoa de Jesus, logo concluíram: "Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!" Mt 19,10b
    A castidade, pois, é a própria pureza de Cristo oferecida ao ser humano. A Primeira Carta de São João, que como quase todos Apóstolos foi celibatário por toda vida, vai categoricamente afirmar: "Todo aquele que n'Ele espera, purifica a si mesmo, como Ele também é puro." 1 Jo 3,3
    Assim, contra a perversão de quaisquer dessas três condições, São Tiago Menor corrige: "... purificai vossos corações, ó homens de dupla atitude." Tg 4,8
    Ele acusa os reflexos de uma mundana vida: "De onde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? Cobiçais, e não recebeis. Sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais. Litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões." Tg 4,1-3
    E ataca: "Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus?" Tg 4,4a
    Na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo também advertem: "Vós todos considerai o Matrimônio com respeito, e conservai imaculado o leito conjugal, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros." Hb 13,4
    Ora, Jesus mesmo já havia apontado: "Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou em seu coração." Mt 5,28
    Não por acaso, o Arcanjo São Rafael, em diálogo no Livro de Tobias, a este protagonista revelou nessa má conduta os poderes do inimigo: "O anjo respondeu-lhe: 'Ouve-me, e eu mostrá-te-ei sobre quem o Demônio tem poder: são aqueles que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam a sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento. Sobre estes o Demônio tem poder.'" Tb 6,16-1
    São Paulo, por outro lado, faz recordar nossa necessária 'crucificação': "Pois aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e os sensuais prazeres. Se vivemos pelo Espírito, também andemos de acordo com o Espírito." Gl 5,24-25
    Devemos, então, viver essa constante mortificação, todos dias, como Jesus ensina: "Se alguém quer vir após Mim, renegue a si mesmo, tome cada dia sua cruz e siga-Me." Lc 9,23
    Pois em nossa opção, de tomar a cruz ou não, estará a diferença está entre a Vida e a morte. São Paulo pregou: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis..." Rm 8,13
    O Príncipe dos Apóstolos igualmente ensina: "Assim, pois, como Cristo padeceu na carne, também vos armai deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus." 1 Pd 4,1-2
    E as consequências desta postura não nos são assim tão estranhas, como vemos na reação do procurador de Judeia enquanto julgava nosso Apóstolo: "Mas como Paulo lhe falasse sobre a Justiça, a castidade e o Futuro Juízo, Félix, todo atemorizado, disse-lhe: 'Por ora, podes retirar-te. Na primeira ocasião, chamá-te-ei.'" At 24,25
    Em oposição, por fim, àqueles que se deixam afeiçoar ao mundano comportamento, este Santo exorta à verdadeira conversão, à renovação espiritual: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,2
    Porque o próprio Jesus avisou dos três grandes males dos últimos tempos, dizendo do Juízo Final: "Velai sobre vós mesmos, para que vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida, para que Aquele Dia não vos apanhe de improviso. Pois como um laço cairá sobre todos aqueles que habitam toda face de Terra." Lc 21,34-35
    E é do Livro de Levítico a frase que Ele resgatou para nos chamar à santidade, pois o próprio Pai determinou: "Vós santificar-vos-eis e sereis Santos, porque Eu sou Santo." Lv 11,44

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"

segunda-feira, 20 de julho de 2026

"Livrai-nos do Mal"


    No Evangelho Segundo São Mateus, ao ensinar o Pai Nosso, Jesus recomendou-nos pedir: "... livrai-nos do Mal." Mt 6,13
    É exatamente o mesmo que Ele pediu ao Pai no Evangelho Segundo São João, na noite em que ia ser entregue, quando por Apóstolos, discípulos e seguidores rezou a Oração da Unidade. E ao falar de nosso temporário exílio aqui na Terra (cf. 2 Cor 5,6), Ele claramente disse o que este Mal significa: o próprio Satanás: "Pai Santo, guarda-os em Teu Nome que Me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam Um como Nós. Dei-lhes Tua Palavra, mas o mundo odeia-os porque eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do Maligno." Jo 17,11b.14-15
    E ciente das grandes combates que a Santa Igreja Católica enfrentaria, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses garantiu: "Mas o Senhor é fiel, e Ele há de vos dar forças e vos preservar do Mal." 2 Ts 3,3
    Primeira Carta de São João bem apontou as condições em que se dá nosso exílio: "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,19
    De fato, desde o princípio Deus havia dito a Caim, quando ele começou a se deixar levar por inveja a Abel. Está no Livro de Gênesis: "Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará a tua porta, espreitando-te. Mas tu deverás dominá-lo.'" Gn 4,7
    E o Anjo da Guarda de São José, anunciando-lhe o Nascimento de Jesus, explicou como Ele realizaria a Salvação das almas: "Ela (Maria Santíssima) dará à luz um Filho, e tu chamá-Lo-ás pelo Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo de seus pecados." Mt 1,21
    O próprio Cristo vai dizer: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Jo 8,34.36
    São vários os nomes usados para designar o Inimigo, que no Livro do Apocalipse de São João vemos tratar-se da mesma pessoa: "Então foi precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás... " Ap 12,9
    Há outro nome bastante usado, como se vê no Evangelho Segundo São Lucasque falsos religiosos, em flagrante perversão, diziam ser a quem Jesus obedecia: "Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios." Lc 11,15
    Chegaram, aliás, a acusar Jesus de ser o próprio Beelzebul. Ele, porém, vendo nisto mais uma armação do Inimigo, que é semeador de mentiras (cf. Jo 8,44), preparou os Apóstolos para as calúnias e mais uma vez revelou Sua condição de Deus, nomeando-Se 'Chefe da Casa': "Se chamaram de Beelzebul ao Chefe da Casa, quanto mais o farão aos familiares!" Mt 10,25

OS PODERES DO MAL

    O Inimigo é o fomentador de enganos, meia-verdades, ilusões, bem como dos pecados da leviandade, dos erros e da falsidade. É ele que arrasta a humanidade em desgraça, pois é "... o sedutor do mundo inteiro." Ap 12,9
    Ele é o mentor de toda dissimulação e, como Jesus afirmou no Sermão das Montanha, das juras: "Eu, porém, digo-vos: não jureis de modo algum. Nem pelo Céu, porque é o trono de Deus... Somente dizei: 'Sim', se é sim, e 'não', se é não. Tudo que passa além disto vem do Maligno." Mt 5,34.37
    Ele é falso e assassino, figura que se sobressai no invejoso, no derrotado, no incapaz de bem viver e de dizer a Verdade. Enfim, é o modelo de todos que se afastam de Deus Pai e, na prática, ao Inimigo adotam como pai. Jesus denunciou os líderes religiosos de Jerusalém: "Vós tendes como pai o Demônio, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." Jo 8,44
    Na parábola do joio e do trigo, que tanto simboliza a presente condição do mundo como o Juízo Final, Ele referiu-Se ao primeiro como a uma praga na plantação, uma erva daninha e venenosa: "O joio são os filhos do Maligno." Mt 13,38b
    É o inimigo que nos leva a não meditar sobre a Palavra de Deus, como vemos na parábola do Semeador, que é o próprio Cristo (cf. Lc 8,11), o Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14): "... quando um homem ouve a Palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado em seu coração." Mt 13,19
    É ele que atrapalha nossos espirituais projetos, nas palavras da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Pelo que fizemos o possível para ir visitar-vos, ao menos eu, Paulo, em diversas ocasiões. Mas Satanás impediu-nos." 1 Ts 2,18
    Ele é enganador, injusto e perversor, como se depreende das acusações que este Apóstolo fez a um mago em Chipre, no Livro de Atos dos Apóstolos: "Filho do Demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda Justiça. Não cessas de perverter os retos Caminhos do Senhor!" At 13,10
    Usa de todos artifícios para fazer o mal, pois a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios adverte: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações." 2 Cor 2,11
    Tem prazer em oprimir, como São Pedro diz ao descrever a Missão de Jesus: "... Ele andou fazendo o bem, e curando todos oprimidos pelo Demônio..." At 10,38
    Prende e subjuga os teimosos e desobedientes a Deus, nas palavras da Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo sobre os opositores da Igreja Apostólica: "... que Deus lhes conceda o Arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,25b-26
    Através de outros poderosos anjos caídos, chega mesmo a gerar mortos vivos, como a Carta de São Paulo aos Efésios revela: "E vós estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que outrora cometestes seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes." Ef 2,1-2
    Porque domina e imobiliza, nas palavras de Jesus: "Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?" Lc 13,16
    Esconde-se nas más paixões, entre elas a do dinheiro, como nosso Primeiro Papa corrigiu um fiel que fingia partilhar suas posses com os membros da nascente Igreja: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo?'" At 5,3
    Seus demônios apossam-se de pessoas, mas Jesus prontamente as libertava, desde Seu primeiro dia em vida pública na cidade de Cafarnaum: "Pela tarde, apresentaram-Lhe muitos possessos de demônios. Com uma Palavra, Jesus expulsou os espíritos e curou todos enfermos." Mt 8,16
    E por pecados de familiares ou pelo Mistério do Mal, apossam-se inclusive de crianças, como o Evangelho Segundo São Marcos relatou: "Respondeu um homem dentre a multidão: 'Mestre, eu trouxe-Te meu filho, que tem um mudo espírito. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a Teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam.' Respondeu-lhes Jesus: 'Ó incrédula geração, até quando estarei convosco? Até quando hei de vos aturar? Trazei-Mo cá!' Eles trouxeram-Lho. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito fortemente o agitou. Caiu por terra e revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai: 'Há quanto tempo lhe acontece isto?' 'Desde a infância', respondeu-Lhe. E tem-no lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar. Se Tu, porém, podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-Te de nós!' Disse-lhe Jesus: 'Se podes alguma coisa... Tudo é possível àquele que crê.' Imediatamente exclamou o pai do menino: 'Creio! Vem em socorro a minha falta de !' Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o imundo espírito e disse-lhe: 'Mudo e surdo espírito, eu ordeno-te: sai deste menino e não tornes a entrar nele.' E gritando e violentamente o maltratando, saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitos diziam: 'Morreu...' Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele levantou-se." Mc 9,17-27
    O próprio Inimigo também se apossa de pessoas, e especificamente daquelas que julgam estar mais perto de Deus, como o Amado Médico indicou: "Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze." Lc 22,3
    Ardiloso, porém, ele não o faz de imediato. No caso deste Apóstolos, São João narrou uma etapa anterior, quando Nosso Senhor instituiu a Santa Eucaristia, que a Igreja de Deus Vivo celebra na Santa Missa: "Durante a Ceia, quando o Demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de O trair..." Jo 13,2
    Ele tem grandes poderes para ludibriar, conforme o Apóstolo dos Gentios: "Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz..." 2 Cor 11,14
    Igualmente assim seus imundos espíritos, como vemos nos registros de São João Evangelista: "... são os espíritos de demônios que realizam prodígios..." Ap 16,14a
    Além dos próprios falsos profetas, que são tantíssimos na atualidade, uma pandêmica peste. Nomeadamente um que se destacará a serviço de um maligno império instituído por Satanás, como se verá ao fim dos tempos: "Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que realizara prodígios sob seu controle..." Ap 19,20


IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA: A ARCA DA SALVAÇÃO

    O Demônio já pedia permissão para atacar a Igreja Una ainda embrionária, na pessoa dos Apóstolos, mas Jesus valeu-Se da fidelidade do Príncipe dos Apóstolos, em cuja Barca nos recolhemos (cf. Lc 5,3): "Simão, Simão, eis que Satanás insistentemente pediu para vos peneirar como o trigo, mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. Tu, porém, quando te converteres, confirma teus irmãos." Lc 22,31
    Por isso, por sua vasta experiência nesses combates, a Primeira Carta de São Pedro advertia: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." 1 Pd 5,18
    No entanto, a despeito das fraquezas de uma ou de outra pessoa, Nosso Senhor deu plena garantia à Igreja Viva, que chamou de Sua e, não por acaso (cf. Mt 16,17), a edifica sobre o apostolado de São Pedro: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    Disse como isso acontece: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer e ninguém as roubará de Minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todos e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai." Jo 10,27-29
    De fato, deu este específico poder aos Apóstolos, Seus primeiros Sacerdotes: "Jesus reuniu Seus Doze discípulos. Conferiu-lhes o poder para expulsar imundos espíritos, e de curar todo mal e toda enfermidade." Mt 10,1
    Prometeu aos Sacerdotes de Sua Igreja (cf. Mt 18,20), após Sua Ressurreição: "Estes milagres acompanharão aqueles que tiverem crido: em Meu Mome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal. Imporão as mãos aos enfermos, e eles ficarão curados." Mc 16,17-18
    Deu-lhes mais: enviou-lhes em Jerusalém o Espírito Santo: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49
    Mas alguns maus espíritos, pelo poder que têm, farão forte oposição. Ele revelou: "Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração." Mc 9,29b
    Outros ainda mais: "Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum." Mt 17,20b
    São Paulo, citando duas ordens de anjos caídos, pregava: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, por Seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do Demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste tenebroso mundo, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares." Ef 6,10-12
    Contudo, dizendo do poder da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que bem lembra a queda das muralhas de Jericó (cf. Js 6,20), assegurou aos verdadeiros cristãos: "Não são carnais as armas de que dispomos para lutar. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5
    Pois em sua ousadia, o Inimigo havia tentado o próprio Jesus, apostando nas fragilidades de Sua condição humana. Nas necessidades fisiológicas: "O tentador aproximou-se d'Ele e disse-Lhe: 'Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.'" Mt 4,3
    Nas necessidades espirituais, citando um sagrado autor do Livro de Salmos: "O Demônio transportou-O à Cidade Santa, colocou-O no mais alto ponto do Templo e disse-Lhe: 'Se és Filho de Deus, lança-Te abaixo, pois está escrito: 'A Seus anjos, Ele deu ordens a Teu respeito: protegê-Te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares Teu pé em pedra alguma (Sl 90,11s).'" Mt 4,5-6
    Nas necessidades materiais: "O Demônio uma vez mais transportou-O, a um muito alto monte, e mostrou-Lhe todos reinos do mundo e sua glória, e disse-Lhe: 'Dá-Te-ei tudo isto se, prostrando-Te diante de mim, me adorares." Mt 4,8-9
    E buscou o ainda mais oportuno momento para O fazer pecar, que se deu no Jardim das Oliveiras, no início de Sua Paixão: "Depois de assim O ter tentado de todos modos, o Demônio apartou-se d'Ele até outra ocasião." Lc 4,13
    Ao ser expulso do Céu, logo após a gloriosa Vitória de Jesus sobre o mundo, em vão ele tentou combater Nossa Senhora: "O Dragão, vendo que fora precipitado à Terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino." Ap 12,13
    Porém, como também não a venceu, ainda hoje ele combate os filhos de Maria, os membros da Santa Madre Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo: "Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de seus descendentes, àqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
    De fato, Cristo veio precisamente para nos mostrar como vencer o Mal: "Referi-vos essas coisas para que em Mim tenhais a Paz. No mundo haveis de ter tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Vitória que Ele nos concede através do envio do Espírito Santo, que se deu no Pentecostes (cf. At 2,4). A Carta de São Paulo aos Romanos contrasta o Antigo e o Novo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,2-4.9b
    E é pelo Espírito Santo que a Igreja Católica Apostólica Romana tem poder de perdoar mediante o Sacramento da Confissão, como Jesus concedeu ao Colégio dos Apóstolos após ressuscitar, logo em Sua primeira aparição: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, Eu também vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,21-23
    Referindo-se aos ensinamentos de Nosso Senhor, São João Evangelista esclarece, dizendo que o Divino Paráclito é o sinal de nossa Comunhão com Deus: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Porque, ainda segundo ele, a Missão de Jesus é exatamente desfazer as obras que levam à perdição das almas: "Aquele que peca é do Demônio, porque o Demônio peca desde o princípio. Eis porque o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do Demônio." 1 Jo 3,8
    E Cristo mesmo explicou a Nicodemos, um notável fariseu que O reconheceu como um enviado de Deus, (cf. Jo 3,2), que esta libertação se dá pelo Sacramento do Batismo e pelo Sacramento da Crisma: "Na Verdade, na Verdade, digo-te: quem não renascer da Água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. Aquele que nasceu da carne é carne, e aquele que nasceu do Espírito é espírito. Não te maravilhes de que Eu te tenha dito: Necessário é-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer. Ouve-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,5b-8
    E por Sua redentora passagem entre nós, Ele decretou a vigência de Seu poder em volta de todos que quiserem segui-Lo: "Agora é o Juízo deste mundo. Agora será lançado fora o príncipe deste mundo." Jo 12,31
    Foi bem claro, como vimos, dizendo de Suas ovelhas: "... ninguém as roubará de Minha mão." Jo 10,28b
    Porque, conforme os seguidores da tradição de São Paulo na Carta aos Hebreus, ao morrer sem ceder às tentações, Jesus venceu "... aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio..." Hb 2,14
    E para tanto, sob a guia do Santo Paráclito, Ele deixou os Apóstolos, e neles o germe da Igreja, para nos redimir. Com efeito, mandou São Paulo anunciar Seu Evangelho a todas nações, "... para lhes abrir os olhos, a fim de que se convertam das trevas à Luz, e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em Mim, recebam perdão dos pecados e herança entre aqueles que foram santificados." At 26,18


VENCER PELA OBEDIÊNCIA

    Ora, Nosso Senhor não precisava ser batizado, porque não tinha de que se penitenciar, mas, para obedecer ao projeto do Pai, e assim confirmar o ministério de Seu arauto, foi condescendente a nós: humildemente Se submeteu: "João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém cumpramos a completa Justiça.' Então João cedeu." Mt 3,14-15
    E por Sua obediência Ele foi glorificado pelo Pai, como os discípulos de São Paulo atestaram Seu sobrenatural Ministério: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado a Seu termo, tornou-Se Autor da Eterna Salvação para todos que Lhe obedecem, porque Deus O proclamou Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque." Hb 5,8-10
    Jesus mesmo declarou esta unção perante os Apóstolos, após Sua Ressurreição e instantes antes de Sua Ascensão aos Céus: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra." Mt 28,18
    Eis que a Carta de São Paulo aos Filipenses recita o Hino Cristológico: "Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz. Por isso, Deus soberanamente O exaltou e outorgou-Lhe o Nome que está acima de todos nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no Céu, na Terra e nos infernos." Fl 2,6-10
    E como Jesus havia dito que o Inimigo estava sendo lançado para fora, com Sua chegada aos Céus um anjo anunciou: "Agora chegou a Salvação, o poder e a realeza de Nosso Deus, assim como a autoridade de Seu Cristo, porque o acusador de nossos irmãos foi precipitado, ele que dia e noite os acusava diante de Nosso Deus." Ap 12,10
    Isso representa uma grande esperança para todos nós, pois, como o Amado Discípulo afirmou, desde então, "... se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." 1 Jo 2,1
    O Arcanjo São Rafael, aliás, já tinha avisado que o Inimigo não tem poder sobre todo ser humano. No Livro de Tobias, ele disse a este protagonista: "Ouve-me, e eu mostrá-te-ei sobre quem o Demônio tem poder: são aqueles que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam a sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento. Sobre estes o Demônio tem poder." Tb 6,16-17
    Estão protegidos, portanto, todos que estão em dia com os Sacramentos da Santa Igreja, sob a plena Graça do "... Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32
    A Carta de São Tiago repetiu essa receita: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós." Tg 4,7
    São Pedro assim se dirige aos fiéis: "... para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa de vossa fé..." 1 Pd 1,5a
    Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios diz dos dons do Espírito Santo, garantindo: "Assim, enquanto aguardais a Manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo." 1 Cor 1,7-8
    Isso explica a comemoração de São João Apóstolo: "Jovens, eu escrevo-vos porque vencestes o Maligno." 1 Jo 2,13
    Falando sobre quem foi batizado e crismado, e busca a santidade, ele garante a ação do Espírito Santo: "Todo aquele que é nascido de Deus não peca, porque o Divino Germe nele reside, e não pode pecar porque nasceu de Deus. 1 Jo 3,9
    E diz da virtude da prudência: "Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca." 1 Jo 5,18
    Por isso, a Carta de São Judas não vacilava na fé e rezava "Àquele que é poderoso para nos preservar de toda queda, e nos apresentar diante de Sua Glória, imaculados e cheios de alegria..." Jd 24
    Com efeito, ao comemorar o sucesso dos 72 discípulos na divulgação do Evangelho, numa etapa em que se expandia o alcance da Igreja por nascer, Jesus testemunhou: "Vi Satanás cair do Céu como um raio. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo poder do inimigo." Lc 10,18-19
    Mas advertiu que não se embevecessem com o poder, porque o bem maior é a Salvação das almas: "Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que vossos nomes estejam escritos nos Céus." Lc 10,20
    E noutro momento explicou: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não necessitam de Arrependimento." Lc 15,7

    "Esperamos entrar na Vida Eterna!"