segunda-feira, 27 de julho de 2026

Não ser Católico


    Numa palavra, não ser católico significa não conhecer plenamente a Verdade, que é o próprio Jesus. Ele disse no Evangelho Segundo São João: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida." Jo 14,6b
    E assim não contemplar propriamente a Revelação, porque ao despedir-Se dos Apóstolos no Evangelho Segundo São Mateus, Ele mandou que acolhêssemos toda Sua Doutrina: "Ensinai-as (as nações) a observar tudo que vos ordenei." Mt 28,20a
    Ou seja, significa não estar sob a plenitude da Graça, mas em muito depender da Misericórdia de Deus, pois Graça sobre Graça (cf. Jo 1,16) só se obtêm através dos Sacramentos da Santa Igreja Católica. Sobre o imprescindível Sacerdócio que ela exerce, a Primeira Carta de São Pedro diz: "Como bons dispensadores da multiforme Graça de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a Palavra, para anunciar as mensagens de Deus, e o Ministério, para o exercer com a divina força, a fim de que, em todas coisas, Deus seja glorificado por Jesus Cristo." 1 Pd 4,10-11
    De fato, São João Batista já apontava, falando sobre o Ministério de Jesus, a única e exclusiva origem da Graça: "Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do Céu." Jo 3,27b
    O próprio Jesus disse aos Apóstolos porque os Sacramentos de Sua Igreja valeriam para a eternidade: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    Pois só por Ele realmente se chega a Deus: "... ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6c
    Não é verdadeira, pois, a afirmação de que as demais religiões também estão certas, apesar de conterem algumas centelhas da Luz de Deus. Como exemplo, e revelando uma só direção, Nosso Senhor mesmo apontou o erro dos samaritanos, apesar de acreditarem no Pentateuco: "Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22
    E São João Evangelista, falando em nome da Igreja Apostólica e atestando a divindade de Jesus, revelou: "Todos nós recebemos, de Sua plenitude, Graça sobre Graça. Porque a Lei foi dada por Moisés, a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,16-17
    A Carta de São Paulo aos Gálatas critica até mesmo os cristãos que, à falta do Novo Testamento, pois ainda nenhum Evangelho havia sido escrito em grego, se dedicavam mais ao Antigo Testamento que ao Evangelho anunciado pela Tradição Oral, a Sagrada Tradição: "Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da Graça. Quanto a nós, é espiritualmente, da , que aguardamos a esperada Justiça." Gl 5,4-5
    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz o que não acolher os ensinamentos da Igreja representa: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Santo Espírito." 1 Ts 4,8
    Para começar, só e exclusivamente só à Igreja Una (cf. Jo 17,23) Jesus enviou o Espírito Santo, que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
    Desde o Pentecostes, portanto, o Divino Paráclito tem ininterruptamente estado com a Santa Madre Igreja, sem jamais a abandonar, pois para isso foi enviado pelo Pai, a pedido de Jesus: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
    Assim, é sob Seu Ministério que a Igreja de Deus Vivo se encontra, pois vivemos o tempo do Espírito Santo, ou da Igreja Viva, ou, ainda, dos Sacramentos. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios distingue o Novo do Antigo Testamento nestes termos: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8
    E sem o Santo Paráclito não há divina filiação, como a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
    Porque é por Ele que somos adotados como filhos pelo Pai: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo qual clamamos: Aba! Pai!" Rm 8,15
    No versículo anterior, este Apóstolo havia estabelecido uma clara distinção: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,14
    E mesmo tendo sido agraciado com uma visão de Jesus, não saiu pregando, antes por Ele foi submetido aos membros da Santa Igreja (cf. Ef 5,26), para que através dela recebesse o Santo Paráclito. E, note-se, Nosso Salvador não o acusa de perseguir a Igreja, como ele fazia, mas a Si mesmo. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.'" At 9,5.6b.17
    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios acusa, na ausência do Espírito de Deus, as divisões: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não sólido alimento que ainda não podíeis suportar. Nem agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto entre vós houver ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um totalmente humano modo?" 1 Cor 3,1-3
    Ora, foi justamente de resistência ao Espírito Santo que Santo Estevão acusou os judeus no conselho de Jerusalém, que não acolheram Jesus como Salvador: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51a
    Porque, como deveria ser patente, só há um Espírito Santo, e assim um só Corpo Místico de Cristo, que é Igreja Católica Apostólica Romana. São Paulo diz: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formarmos um só Corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,13
    São Pedro, catequizando no dia de Pentecostes, fala aos adultos da necessária Confissão dos pecados, sem a qual a eles não é dado o Sacramento do Batismo e em seguida o Sacramento da Crisma, que é nosso 'Pentecostes Pessoal': "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." At 2,38b
    São Paul, de fato, garante: "Ora, o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,17
    E ele mesmo, como ex-fariseu (cf. At 26,5), celebrou a chegada da Nova e Eterna Aliança"A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
    Foi essa liberdade que Jesus afirmou perante Nicodemos, um notável fariseu que n'Ele acreditava (cf. Jo 3,2), distinguindo o Sacramento da Crisma do Sacramento do Batismo: "Na Verdade, na Verdade, digo-te: quem não renascer da Água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. Aquele que nasceu da carne é carne, e aquele que nasceu do Espírito é espírito. Não te maravilhes de que Eu te tenha dito: Necessário é-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer. Ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,5b-8
    E no Evangelho Segundo São Lucaso próprio São João Batista falou do Ministério de Jesus: "Eu batizo-vos na água, mas eis que vem Outro mais poderoso que eu, a Quem não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias. Ele batizá-vos-á no Espírito Santo e no fogo." Lc 3,16a
    Assim, em cumprimento desta missão da verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, São Pedro e São João Evangelista não vacilavam em crismar aqueles já batizados. E mais uma vez vê-se a diferença entre Batismo e Crisma: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    E em caso de pecado, também é pelo poder do Espírito Paráclito que a Igreja Católica concede o perdão mediante o Sacramento da Confissão, pois o Sacerdote é Seu instrumento, como Jesus ungiu o Colégio dos Apóstolos logo na primeira aparição, ainda no Domingo da Ressurreição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23


RECEBER O ESPÍRITO SANTO

    Não ser batizado nem se confessar, portanto, é em ficar sem a Crisma, ou seja, sem a confirmação do Espírito Santo. Referindo-se a Jerusalém, Jesus disse a Apóstolos, discípulos e seguidores pouco antes de Sua Ascensão: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do Alto." Lc 24,49
    É não conhecer plenamente, como dissemos, a Verdade, e assim a Revelação, o que inclui seus desdobramentos pelos séculos, ainda segundo Nosso Senhor: "Quando o Paráclito, o Espírito da Verdade, vier, ensiná-vos-á toda Verdade. Porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,13
    É não ter os dons do Espírito Santo, na lição de São Paulo, que só os distribui pensando na coletividade da Comunidade Messiânica, ou seja, da Igreja Católica (cf. At 1,8). Vale dizer, ninguém jamais recebeu do Divino Espírito dom alguma para a atacar: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,4.7.11
    É não ter o penhor, isto é, a garantia da Salvação: "Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que por penhor nos deu Seu Espírito." 2 Cor 5,5
    É não ter o selo de Deus: "Ora, Quem confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo, e a nossos corações deu o penhor do Espírito." 2 Cor 1,21-22
    É não ter a marca da obediência, conforme a Primeira Carta de São João, que assegura nossa Comunhão com Deus: "Quem observa Seus Mandamentos (de jesus), permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Ora, foi referindo-se à obediência como única forma de receber o Santo Paráclito, que São Pedro testemunhou Jesus como o Messias, o Redentor mediante o Sacramento do Arrependimento, diante do sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém: "Destes fatos, nós somos testemunhas. Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32
    Pois, ao ser humano, Deus deu o terrível poder de repelir Seu Espírito, expulsando-o de nossos corações. Por isso, São Paulo pede: "Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,19
    Aliás, a Carta de São Paulo aos Efésios pede que sequer O contrariemos nas mínimas coisas, sempre pensando em Sua Comunhão: "Nenhuma má palavra saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja àqueles que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção." Ef 4,29-30
    Porque, após Sua Unção, nem mesmo nossos corpos nos pertencem: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    E o Apóstolo dos Gentios ia muito além da mera exortação à obediência: "Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade." 1 Ts 4,7


NÃO É ENTENDER, MAS OBEDECER A DEUS!

    Os exemplos de pessoas obedientes a Deus são muitos, como quando Nossa Senhora respondeu ao Arcanjo Gabriel, mesmo sem saber como explicaria sua gravidez a São José: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,38
    Outro exemplo está na palavra de São Pedro em resposta a Nosso Senhor, pouco antes da primeira miraculosa pesca: "Quando acabou de falar, disse a Simão: 'Faze-te ao largo, e lançai vossas redes para pescar.' Simão respondeu-Lhe: 'Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos. Mas por causa de Tua Palavra, lançarei a rede.' Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade que a rede se rompia." Lc 5,4-6
    No Evangelho Segundo São Marcos, o próprio Jesus rezaria ao Pai, enquanto agonizava no Horto das Oliveiras: "'Aba! (Pai!)', suplicava Ele. 'Tudo Te é possível. Afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres.'" Mc 14,36
    Ele havia ensinado a Seus discípulos: "Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só minuto à duração de sua vida? Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras? Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso." Lc 12,26.30
    Enquanto Verbo de Deus (cf. Jo 1,1), Ele vai dizer: "Na Verdade, não falei por Mim mesmo. Mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar." Jo 12,49
    E falando como Deus Encarnado (cf. Jo 1,14), recomendou Comunhão Consigo: "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Assim vós tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim." Jo 15,4
    Apenas pedia que perseverássemos em Sua Palavra, citando Seu próprio exemplo: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10
    Sabia de nossas dificuldades e limitações em compreender, como disse aos Apóstolos na última noite entre eles: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las." Jo 16,12
    Apontou, porém, a importantíssima obra da Terceira Pessoa de Deus: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    E com a manifestação do Santo Espírito, a Revelação completou-se, e foi confiada à Igreja Apostólica, como a Carta de São Judas afirma: "Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito de nossa comum Salvação, senti a necessidade de vos dirigir esta carta para vos exortar a combater pela fé, de uma vez para sempre confiada aos Santos." Jd 3
    Rejeitar a Santa Igreja Católica, portanto, ainda que parcialmente, é rejeitar a Revelação. Aliás, é rejeitar Jesus e Deus Pai, e assim ao Espírito Santo, como Ele disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16
    Foi muito claro quando por sete vezes repetiu essa exortação às sete igrejas de Ásia àquele tempo, no Livro de Apocalipse de São João, porque é o Santo Paráclito que fala às dioceses: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas..." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22
    Ademais, Nosso Senhor garantiu a Sua Igreja, dizendo de Sua semente já lançada e do testemunho que Seus fiéis dariam: "Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20b
    E expressamente prescreveu a excomunhão: "Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente. Se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se se recusa a os ouvir, dize-o à Igreja. E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano" Mt 18,15-17
    Autoridade que a Igreja Viva muito bem entendeu e exerceu , como São Paulo pediu a excomunhão de um membro em pecado capital de luxúria, incestuoso que não se arrependia, quando vemos que se trata de um sacrifício da carne para a Salvação da alma: "Pois eu, na verdade, ainda que corporalmente distante, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em Nome do Senhor Jesus, reunidos vós e meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus, seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,3-5
    E não foi o único caso de que temos bíblicos registros. A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo traz mais dois: "Eis aqui uma recomendação que te dou, meu filho Timóteo, de acordo com aquelas profecias que foram feitas a teu respeito: amparado nelas, sustenta o bom combate com fidelidade e boa consciência, que alguns desprezaram e naufragaram na fé. É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar." 1 Tm 1,18-20
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo citou mais um nome, que ele certamente também deve ter excomungado: "Procura esquivar-te das frívolas conversas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como a gangrena. Entre eles estão Himeneu e Fileto, que se desviaram da Verdade dizendo que a Ressurreição já aconteceu e transtornaram a fé em alguns." 2 Tm 2,16-18
    Era, portanto, o tratamento que ele dava às heresias: "De fato, não há dois (Evangelhos): apenas há pessoas que semeiam a confusão entre vós, e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém, nós ou um anjo descido do Céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema." Gl 1,7-8
    A Carta de São Paulo a São Tito, com efeito, literalmente fala daqueles que escolhem, na Nova e Eterna Aliança, em que acreditar e em que não: "O herético homem, depois de advertido uma primeira e uma segunda vez, nada mais tens a ver com ele, visto que se perverteu e se entregou ao pecado, condenando a si mesmo." Tt 3,10-11
    Ora, dizia tão somente daqueles que não praticam o Primeiro Mandamento (cf. Dt 6,5), referindo-se a Jesus como o próprio Deus: "Se alguém não amar o Senhor, seja anátema!" 1 Cor 16,23a
    São Paulo, enfim, explica que só nos Céus participaremos da Onisciência de Deus: "Nossa ciência é parcial, Nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido." 1 Cor 13,9-10.12
    E assim há de ser nossa espera, como ele segue: "N'Ele (Cristo) vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação, no qual tendes crido, também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa Redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14


BUSCAR OS SACRAMENTOS! NÃO INVENTE IGREJA!

    Jesus, pois, além de também prometer Sua especial presença na Igreja, ou seja, para além de Sua Onipresença, determinou aos Apóstolos a completa transmissão, jamais algo parcial, como vimos, de Seus ensinamentos, que se tornaram o Catecismo da Igreja Católica: "Ensinai-as (as nações) a observar tudo que vos ordenei. Eis que estou convosco todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,20
    Ele mesmo previu até a mais branda transgressão entre pregadores, prevendo o mais longo Purgatório: "Aquele que violar um destes Mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será declarado o menor no Reino dos Céus." Mt 5,19a
    E por conta dessa 'dificuldade' de expressar toda Graça ao mundo, o Apóstolo dos Gentios foi preso e depois seria martirizado. Está na Carta de São Paulo aos Colossenses: "Também rezai por nós. Pedi a Deus que dê livre curso a nossa palavra, para que possamos anunciar o Mistério de Cristo. É por causa deste Mistério que estou preso." Cl 4,3
    Ele sabia, porém, que neles agia a tremenda 'força do Alto': "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que entre vós temos sido para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
    E assim garantia o poder da Igreja: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo. Também estamos prontos para castigar todos desobedientes, para que vossa obediência seja perfeita." 2 Cor 10,4-6

A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

    Porque a Glória de Deu está estampada na Igreja Una, que segue sem divisões por ser conhecedora da Verdade, e assim é prova do Advento do Salvador e do amor de Deus. Jesus rezou ao Pai pela perfeita Unidade entre Apóstolos, discípulos e seguidores: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Pra que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Só sendo unida ela pode expressar Seu amor, como Ele disse aos Apóstolos: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    Vemos que São Paulo, com recorrência, lutou pela Unidade da Igreja em suas cartas: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente vos suportando com caridade. Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só Corpo e um só espírito, assim como fostes chamados por vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo." Ef 4,1-5
    Sem dúvida, a Igreja é Santa porque Jesus assim a quer: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas Santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27
    E membro a membro, especificamente aqueles que receberam o Sacramento da Ordenação, ela é constituída pelo Espírito Santo apesar de nossos pecados, como São Paulo disse aos Anciãos, em grego Presbíteros, que chamaríamos de Padres, passados ao mais alto grau de Ordenação: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Pois todas questões levantadas sobre a Sã Doutrina foram exaustivamente debatidas, à Luz do Santo Paráclito, nos concílios da Santa Madre Igreja através dos séculos. O próprio São Tiago Menor vai dizer do Concílio de Jerusalém, que foi o primeiro: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    De fato, ninguém recebe dom do Santo Espírito se não for para servir à Igreja Apostólica. Diz São Paulo: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para a edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    E ainda que restasse um ou outro dissidente, as decisões da Sede da Igreja sempre foram divulgadas pelos Santos e acatadas pela Santa Igreja em todo mundo, como vemos no Ministério de São Paulo, São Timóteo e São Silas em referência a este Concílio de Jerusalém: "Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Anciãos em Jerusalém." At 16,4
    São João Evangelista, que apontou a obediência como a marca do Espírito Santo em nós, vai dizer da falta que Sua Unção faz àqueles que renegam a Unidade, e assim a Comunhão dos Santos: "Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto dá-se para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,19-21
    Já os seguidores da tradição de São Paulo, bem retratando a opinião das maiorias que venceram os concílios, na Carta aos Hebreus invocam um retumbante sinal: o imenso número de testemunhas que forma a Igreja Católica pelos séculos, e tem a Santa Cruz do Calvário como o Caminho: "Desse modo, cercados como estamos de uma Nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus. Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1.3

O SACRAMENTOS DA ORDENAÇÃO DOS SACERDOTES

    Como vimos acima, é o próprio Jesus Quem escolhe Seus Sacerdotes, e Ele começou pelos Apóstolos, que quer dizer Seus 'enviados': "Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos." Lc 6,13
    Escolha que passou a ser feita pelo Colégio dos Apóstolos, reunidos sob o Espírito Santo, como Jesus lhes autorizou: "Na Verdade, digo-vos: tudo que ligardes sobre a Terra será ligado no Céu, e tudo que desligardes sobre a Terra será também desligado no Céu. Porque onde dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,18-20
    E assim a Igreja Católica Apostólica Romana tem feito até hoje, ordenando Diáconos, Padres e Bispos, como São Paulo e São Barnabé faziam: "E em cada igreja instituíram Anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem tinham confiado." At 14,23
    A São Tito, lembrando-lhe a recomendação que deu, o Apóstolo dos Gentios diz de muito claras normas: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as Normas que te tracei." Tt 1,5
    E ele atribuía, como visto, esta unção ao Espírito de Cristo, pois disse aos Anciãos de Éfeso, numa das vezes que chama Jesus de Deus: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Quanto ao Papa, também foi o próprio Jesus que realizou esta Ordenação, pois a um só dos Apóstolos entregou as chaves do Reino dos Céus: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu dá-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus.'" Mt 16,18-19
    Assim como na tradição judaica do sumo sacerdote, São Pedro claramente tinha a primazia perante os demais Apóstolos, que formariam um Colégio de Conselho, nosso atual Colégio Cardinalício. Pelo sucesso da Igreja Apostólica, de fato, Jesus vai rezar só por ele: "Simão, Simão, eis que Satanás insistentemente pediu para vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32
    E só a São Pedro confiou, de cordeiros a ovelhas, quer dizer, de fiéis a Sacerdotes, todo Seu rebanho: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas.'" Jo 21,15.17b

O SACRAMENTO DO BATISMO

    São estes Sacerdotes que estão autorizados a realizar o Batismo, como Jesus lhes instruiu: "Ide, pois, e fazei que todas nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Mt 28,19
    Nele claramente se incluem as crianças, como nosso Primeiro Papa disse no dia do Pentecostes, em parte visto acima: "Pedro respondeu-lhes: 'Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos que de longe ouvirem o apelo do Senhor, Nosso Deus.'" At 2,38-39
    Era o que São Paulo fazia com famílias inteiras: "Aliás, também batizei a família de Estéfanas. Além destes, não me consta ter batizado ninguém mais." 1 Cor 1,16

O SACRAMENTO DA  CONFISSÃO, DO ARREPENDIMENTO, DA PENITÊNCIA OU DA RECONCILIAÇÃO

    De nossa necessária purificação para nos aproximarmos de Deus, as primeiras palavras de Nosso Senhor ao iniciar Sua vida pública pediam exatamente Arrependimento: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    O próprio batismo de São João Batista, que antes de Jesus iniciou a pregação do Arrependimento, requeria Confissão: "Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto de Judeia. Dizia ele:' Fazei penitência porque o Reino dos Céus está próximo.' Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados, e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,1-2.5-6
    E assim os Apóstolos também faziam, que inicialmente usavam o mesmo batismo do Batista: "O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que Ele recrutava e batizava mais discípulos que João, se bem que não era Jesus quem batizava, mas Seus discípulos." Jo 4,1-2
    Como Nosso Senhor pregou desde o início, a missão dos Apóstolos não podia ser diferente, e já na primeira vez que Ele os enviou: "Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,12
    Para que obtenhamos o perdão de nossos pecados, como vimos, com esse poder Jesus investiu Seus Sacerdotes, que assim agem pelo Santo Paráclito: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
    É assim que podemos estar na Paz de Cristo, que disse: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não vo-la dou como o mundo a dá." Jo 14,27a
    E, igualmente como está acima, foi isso que Ele pediu a São Pedro: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15c.17b
    Essa obra de Reconciliação com Deus continuou com São Paulo, como se viu em Éfeso: "Muitos dos que haviam acreditado, vinham confessar e declarar suas obras." At 19-18
    Este Santo diz dessa missão dos Sacerdotes da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos faz filhos de Deus: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho: eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo, por Cristo, e confiou-nos o Ministério desta Reconciliação." 2 Cor 5,17-18
    E o Purgatório, como purificação pós-morte, é 'lugar' para depurar diferentes graus de pecados, desde que não mortais, pois Jesus não falou apenas de Céu, onde não há punição, e de inferno, onde a punição é máxima: "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer repreensíveis coisas, será açoitado com poucos golpes." Lc 12,47-48a

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO

    Só há, pois, uma forma de celebrar a memória de Cristo, que é celebrando Sua Paixão como a Igreja Católica faz na Santa Missa: "Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-O e deu-O aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, isto é Meu Corpo.' Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei d'Ele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados." Mt 26,26-28
    Exatamente como Ele pediu: "Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19c
    E disse que não participar da Santa Eucaristia é não ter nem a Vida Plena nem Vida Eterna: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53b
    Mas a participação na Santa Ceia requer a devida purificação, que se realiza pelo Sacramento da Confissão. São Paulo diz: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que o come e bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação." 1 Cor 11,27-29
    E é  evidente que nem toda 'comunhão' é a Comunhão oferecida por Cristo. Ele diz: "Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios." 1 Cor 10,21
    Ademais, não deveria haver duvida de que Deus quer ser reverenciado, e para isso temos a Santa Missa. Foi o que inspiradamente disse o cego de nascença curado por Jesus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Era o que faziam os fiéis desde o dia de Pentecostes, quando já se via os quatros constitutivos da Santa Missa: "Perseveravam eles na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações."At 2,42

O SACRAMENTO DA CRISMA

    O Sacramento da Confirmação só pode ser ministrado por um Bispo, ou um sacerdote especialmente por ele enviado, e a distinção entre ele e o Batismo, também já citada, é evidente desde os primeiros anos da Igreja: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas apenas tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    São Pedro bem distingue a Água do Batismo da Unção do Espírito Santo, como pregou na casa de Cornélio, centurião romano, onde aconteceu o 'Pentecostes dos Gentios': "'Porventura se pode negar a Água do Batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?' E mandou que fossem batizados em Nome de Jesus Cristo." At 10,47b-48
    Idêntica situação foi vista na Unção de São Paulo, que só depois foi batizado. Já mencionamos em parte: "Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado." At 9,17-18
    Essa Ministério foi fielmente cumprido por São Paulo e São Barnabé: "Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia. Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." At 14,21-22
    São Paulo, aliás, pouco batizaria, mas não deixaria de crismar, como fez com os recém-convertidos de Éfeso: "'Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?' Responderam-lhe: 'Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!' 'Então em que batismo fostes batizados?', perguntou Paulo. Disseram: 'No batismo de João.' Então Paulo replicou: 'João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse n'Aquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.' Ouvindo isso, foram batizados em Nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em estranhas línguas e profetizavam." At 19,2-6
    Ele mesmo dizia: "Cristo não me enviou para batizar..." 1 Cor 1,17a

O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

    O Casamento, como o próprio Jesus afirmou invocando o Livro de Gênesis, é indissolúvel: "... mas, no princípio da Criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e unir-se-á a sua mulher. E os dois não serão senão uma só carne (Gn 2,24). Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe o homem, pois, o que Deus uniu. Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério." Mc 10,6-9.11-12
    Questionado, Ele sempre invoca o projeto original da Criação, ditado por Deus, e diz sobre o divórcio (cf. Dt 24,1): "Disseram-Lhe eles: 'Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?' Jesus respondeu-lhes: 'É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres. Mas no princípio não foi assim.'" Mt 19,7-8
    Por esse Sacramento, morreu São João Batista: "Pois o próprio Herodes mandara prender João e o acorrentar no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. João tinha dito a Herodes: 'Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.'" Mc 6,17-18
    Porque uma de suas missões era justamente a sacralização do Matrimônio pela revalorização da família, antecipando-se ao próprio Cristo, como Deus disse no Livro do Profeta Malaquias: "Vou mandar-vos o Profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor. E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais, de sorte que não mais ferirei de interdito a Terra." Ml 3,23-24

O SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS

    Esse Sacramento, que como o Batismo e a Crisma também usa dos Santos Óleos, foi ministrado pelos Apóstolos desde suas primeiras missões, quando Jesus os enviou para pregar: "Expeliam numerosos demônios, ungiam com Óleo a muitos enfermos e curavam-nos." Mc 6,13
    E a Carta de São Tiago recomendou-o, deixando muito claro a quem se deve recorrer: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com Óleo em Nome do Senhor." Tg 5,14


O ANJO DA GUARDA

    Não ser católico é não ter a necessária intimidade do Anjo da Guarda após a infância, como Jesus advertia os adultos dos escândalos: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus anjos no Céu contemplam sem cessar a face de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 18,10
    É não ter suas valiosas instruções, como o Arcanjo São Rafael, que em cooperação a ele, disse no Livro de Tobias: "Apenas saíra, Tobias encontrou um jovem de belo aspecto, equipado como para uma viagem. Sem saber que se tratava de um anjo de Deus, ele saudou-o e disse-lhe: 'De onde és tu, ó bom jovem?' Ele respondeu: 'Sou israelita.' Tobias perguntou-lhe: 'Conheces porventura o caminho para Média?' 'Oh, muito!', respondeu ele." Tb 5,5-8
    São nossos Anjos da Guarda que levam nossas orações a Deus, como São Rafael disse a Tobit, o pai de Tobias: "Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para os sepultar quando a noite viesse, eu apresentava tuas orações ao Senhor." Tb 12,11-12
    E cooperam conosco nas mas difíceis situações, indo buscar socorro, como os membros da Igreja pensaram quando São Pedro esteve preso e, miraculosamente solto por seu Anjo da Guarda, foi bater à porta da casa de mãe de São Marcos: "Então é seu anjo." At 12,15c

OS SANTOS

    Não ser católico é rejeitar a intercessão dos Santos, os autênticos cristãos, verdadeira face da Igreja, aqueles que louvavelmente participam da primeira ressurreição (cf. Ap 20,5). Sem dúvida, nos Céus são eles que clamam a Deus, como São João registrou em Apocalipse: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9-10
    E não acatar o exemplo dos Santos é patente arrogância, renegar a própria obra da Salvação, pois, como mencionado, a nosso tempo não temos apenas o exemplo de Jesus: "Desse modo, cercados como estamos de uma Nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus." Hb 12,1
    De fato, suas almas já estão no Céu, como o Amado Discípulo mais uma vez atesta, e pela Comunhão dos Santos gozam de inimaginável poder, julgando e reinando, pois venceram o maligno império de seu tempo: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida, e com Ele reinaram por mil anos." Ap 20,4
    Ora, a Glória que Jesus lhes deu não se viu apenas na Santa Madre Igreja durante suas vidas na Terra. Eles já usufruem eternamente da Comunhão com Santíssima Trindade, como foi mencionado acima: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    São Paulo sintetizou: "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17b


MARIA SANTÍSSIMA

    Não ser católico é negar que Maria Santíssima é Mãe de Deus, quando Santa Isabel claramente exclamou: "De onde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de Meu Senhor?" Lc 1,43
    É negar sua bem-aventurança, quando as Escrituras ostentam desde a Anunciação do Senhor, em seu Magnificat: "Por isto, desde agora, todas as gerações proclamar-me-ão bem-aventurada..."Lc 1,48b
    É aceitar qualquer 'paternidade', de qualquer líder religioso, e cometer a grosseria de não aceitar a maternidade da Virgem Maria, que foi ordenada por Nosso Senhor na Santa Cruz do Calvário: "Quando Jesus viu Sua mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse a Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.'" Jo 19,26-27a
    É não a levar para casa, como São João Evangelista fez, Apóstolo que era desde a mocidade, amado por Jesus como longevo ramo da Revelação, e assim arrematado e perfeito exemplo de cristão: "E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,27b
    E é não ser membro da Igreja de Deus Vivo, ou seja, não ser dos filhos de Nossa Senhora, contra os quais, desde a Ascensão do Senhor, Satanás ensandecidamente combate: "A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para a fazer submergir. A Terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, àqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,15-17

    "Santificai e reuni Vosso povo!"

domingo, 26 de julho de 2026

São Joaquim e Sant'Ana


    Eram o pai e a mãe de Maria Santíssima, logo avós de Jesus, o que fez dessa data o dia dos avós.
    Foi no ventre de Santa Ana, portanto, que aconteceu a Imaculada Concepção de Maria, que lhe deu o título de Nossa Senhora da Conceição. E seus pais foram uma das maravilhas que Deus concedeu a Nossa Mãe do Céu, como ela mesma declarou no Magnificat, seu hino, que consta do Evangelho Segundo São Lucas: "... o Todo-Poderoso realizou grandes obras em meu favor. Seu Nome é Santo..." Lc 1,49
    Ora, o Livro de Cântico dos Cânticos, em profecia, havia dito que a Santíssima Virgem seria filha única, e menciona a Senhora Sant'Ana, ainda que não pelo nome, quando Deus, o Amado, proclama a bem-aventurança de Sua Amada, a Rainha entre as rainhas: "Há sessenta rainhas, oitenta concubinas e inumeráveis jovens mulheres. Uma, porém, é Minha pomba, uma só Minha perfeita. Ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas louvam-na." Ct 6,8-9
    Fora as revelações pessoais, as informações que temos sobre São Joaquim e Santa Ana estão em três apócrifos, livros que a Santa Igreja Católica não reconhece com totalmente inspirados. Um desses é uma muita antiga obra, talvez até mesmo anterior aos Evangelhos Canônicos, e por isso é chamado de Proto-Evangelho. Ele trata de importantes detalhes que antecedem a vida pública de Jesus, mas impropriamente aponta São Tiago Menor como autor, que pelo Colégio Apostólico se sabe que não deixou obra alguma. Outro apócrifo é um 'evangelho' falsamente atribuído ao Apóstolo que era publicano, por isso chamado de Pseudo-Mateus, que pretende ser a história da infância de Jesus e da origem de Nossa Senhora, embora reconhecidamente tenha sido escrito muitos séculos mais tarde. O último deles é o chamado 'Evangelho' da Infância de Jesus, cujas evidentes fantasias afastam qualquer possibilidade de consideração.
    Não obstante, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo estuda-os, neles buscando possíveis indícios de fatos reais que contribuam para o melhor conhecimento dos sinais de Deus. Os fatos levantados da vida de São Joaquim e Santa Ana servem de exemplo desses estudos. No Proto-evangelho de 'São Tiago', nominalmente, temos informações da ascendência de Jesus, afirmando que, por parte da Santíssima Virgem, Seu avô era de Galileia e Sua vó, de Belém. Eles teriam concebido Maria pela Graça, pois já eram idosos, e Santa Ana, estéril. Também conta que São Joaquim era rico pastor e que eles foram morar em Jerusalém, onde Nossa Senhora nasceu, fato que foi atestado por São Sofrônio, Bispo da Cidade Santa no século VII.


    Nesse apócrifo igualmente está registrado que Nossa Senhora foi consagrada ao Templo de Jerusalém quando tinha apenas 3 anos de idade, e aí estudou até os 12, só então retornando à casa dos pais. Esses anos de estudo explicam seu conhecimento das Escrituras, e assim sua capacidade para compor o conhecido cântico religioso, chamado Magnificat, que entoou na casa de Santa Isabel, glorificando o Pai Celeste pelo Advento do Salvador e agradecendo por ter sido a escolhida para O trazer à Luz.


    Mas, como o próprio Jesus, Maria perdeu seu pai muito cedo, logo após acabar os estudos. Por isso, muitas pinturas retratam apenas a Senhora Sant'Ana estudando com ela as Sagradas Escrituras.
    Mesmo extraídas de um 'evangelho' não reconhecido, essas informações nunca foram contestadas pelos Primeiros Padres. Ao contrário, vivendo no mesmo contexto sócio-cultural e ainda respirando dos ares da passagem do Messias e do Nascimento da Igreja, vários Papas e Santos fizeram muitas e importantes citações de algumas de suas passagens, o que é mais um forte indício de que tais escritos atestem, ao menos em parte, a realidade. Assim se deduz plausível que, como Deus muito bem escolheu Maria para ser a mãe de Seu Amado Filho, com idêntica propriedade escolheu o casal em cujo seio ela seria concebida sem pecado (cf. Jó 14,4). Sem dúvida, trata-se de um homem e uma mulher absolutamente fiéis aos planos de Deus, e que piamente acreditavam na Vinda do Salvador.
    São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja do século VII, de quem se tem os mais antigos registros da Imaculada Conceição e que escreveu uma linda homilia em homenagem ao Nascimento de Nossa Senhoratambém rendeu inspirados louvores a seus pais: "Oh Joaquim e Ana, venturoso casal! Toda Criação está em dívida para convosco, porque através de vós pôde ela oferecer ao Criador o dom, entre todos o mais excelso, de uma venerável Mãe, a única digna d’Aquele que a criou. Ditosos os rins de Joaquim, de onde saiu uma semente totalmente imaculada, e admirável o seio de Ana, graças ao qual lentamente se desenvolveu, onde se formou e de onde nasceu tão Santa criança! Oh seio que aleitaste aquela que alimentou Aquele que alimenta o mundo!"
    E Santa Brígida de Suécia, grande mística que viveu entre 1303 e 1373, recebeu em visão essa revelação da própria Nossa Senhora: "Vou contar-te como foi maravilhoso Seu amor por meu corpo e minha alma, e quanta honra deu a meu nome. Ele, Meu Filho, amou-me antes que eu O amasse, pois é Meu Criador. Ele uniu meu pai e minha mãe em tão casto Matrimônio que não se pode encontrar mais casto casal. Nunca desejaram unir-se, exceto, de acordo com a Lei, para terem descendência. Quando o anjo lhes anunciou que gerariam uma Virgem, pela qual a Salvação do mundo viria, antes desejariam morrer que se unir em carnal amor, pois neles estava extinta a luxúria. Asseguro-te que, pela divina caridade e devido à mensagem do anjo, eles se uniram na carne. Não por concupiscência, mas contra sua vontade e por amor a Deus. Dessa forma, minha carne foi gerada de suas sementes e através do divino amor." (Livro I, capítulo IX)


    Em Jerusalém, sobre o lugar da casa onde eles moravam e Nossa Senhora nasceu, foi erguida a Basílica de Sant'Ana, que ficou muito conhecida por sua prodigiosa caridade para com os mais pobres após a morte de São Joaquim. Não que ele não fosse caridoso, mas porque ela realmente em muito o excedeu, a ponto de se desfazer de quase todos bens deixados, notadamente entre parentes. Isso leva-nos à parentela de Nossa Senhora que vivia na pobre cidade de Nazaré, onde ela foi morar com Santa Ana depois que São Joaquim faleceu. E assim, se ele Sant'Ana não teriam prometido Maria Santíssima a São José antes, ainda em Jerusalém, só Sant'Ana o teria feito.
    E na Santa Casa de Nazaré viveu ela com São José, após a Anunciação do Senhor. O Amado Médico assim a narrou, tomando como referência de tempo a concepção de São João Batista no ventre de Santa Isabel: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da Virgem era Maria." Lc 1,26-27
    Em Galileia teria ela ao menos uma prima, Santa Maria de Cléofas, que os judeus chamavam de irmã, como vemos durante a Crucificação do Senhor. Aliás, é esta cena que dá nome a 'constelação' chamada de Três Marias: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena." Jo 19,25
    Essa prima é a verdadeira a mãe dos chamados 'irmãos de Jesus' (cf. Mc 6,3), dos quais dois viriam a ser Apóstolos: São Tiago Menor e São Judas Tadeu. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Também se achavam ali umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que O tinham seguido e assistido quando estava em Galileia." Mc 15,40-41a
    São Lucas, que teve contato com a comunidade cristã que cultuava veneração a Nossa Senhora, ainda na infância de Jesus menciona esses parentes de Maria Santíssima em Nazaré, pois São José era apenas Seu pai adotivo: "Tendo Ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa (Páscoa). Acabados os dias da festa, quando voltavam, o Menino Jesus ficou em Jerusalém sem que Seus pais o percebessem. Pensando que Ele estivesse com Seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e buscaram-nO entre os parentes e conhecidos." Lc 2,42-44
    O próprio Jesus vai apontá-los, após iniciada Sua vida pública e Sua primeira passagem por Cafarnaum: "Depois, Ele partiu dali e foi para Sua pátria, seguido de Seus discípulos. Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. E ficaram perplexos a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: 'Um Profeta só é desprezado em sua pátria, entre seus parentes e em sua própria casa.' Ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E admirou-Se da desconfiança deles." Mc 6,1-2.3b-6a
    Só mais um parentesco de Nossa Senhora, e de já avançada idade, é apontado pelas Escrituras: em Judeia, quando o São Gabriel Arcanjo lhe faz a Anunciação: "'Até Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice. E já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.' Naqueles dias, Maria levantou-se e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel." Lc 1,36-37.39-40 
    Por fim, se alguns menosprezam essa santa devoção, deveriam meditar sobre a importância da família para Deus e sobre a santidade daqueles a quem Nossa Mãe do Céu muito honrou, pois é o Quarto Mandamento, que Deus mesmo escreveu com Seu dedo nas Tábuas da Lei (cf. Êx 31,18), e ela jamais iria desobedecer: "Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que o Senhor, Teu Deus, te dá." Êx 20,12
    A casa de Santa Ana e São Joaquim em Jerusalém, sobre a qual se ergueu uma basílica, como dissemos, ficava perto das ruínas da Porta das Ovelhas, próximo ao tanque de Betesda, de cinco pórticos (cf. Jo 5,2), onde Jesus curou um homem que estava paralítico havia 38 anos. A cripta da casa, uma das dependências à época, foi originalmente preservada.


    Outra propriedade de São Joaquim em Jerusalém, também dotada de gruta, é tratada pela igreja 'ortodoxa' como local de nascimento da Santíssima Virgem.


    São Joaquim e Sant'Ana, rogai por nós!